Assinatura RSS

Arquivo do dia: 17 de outubro de 2010

Único erro da URSS foi reconhecer Israel

Único erro da URSS foi reconhecer Israel

Em entrevista ao jornal cearence O Povo, publicada neste sábado (18), o cientista político Quartim de Moraes faz críticas ao Estado de Israel. Diz que o reconhecimento do Estado judeu foi “o único erro da política externa” da antiga URSS. Tachou de “genocida” a operação na Faixa de Gaza e culpa Israel pela morte de Yasser Arafat.

O cientista político João Quartim de Moraes, 67 anos, professor da Unicamp e doutor pela Fundação Nacional de Ciências Políticas (França), disse que “o único erro da política externa” da antiga União Soviética foi ter reconhecido o Estado de Israel na votação da Assembléia-Geral da ONU, em 1948. “Nós sabemos que aquilo (a votação) foi arrancado. Subornaram paisezinhos, que estavam endividados. Os famosos quatro votos que faltavam”.

Quartim de Moraes classificou de “criminosa”, “genocida” a operação israelense contra a Faixa de Gaza, em janeiro, antes da posse de Barack Obama. Ele esteve em Fortaleza para participar do Seminário Genocídio na Palestina e as Perspectivas de Paz, no último dia 14, na Casa Amarela. O coronel-aviador da reserva Sued Lima, do Observatório das Nacionalidades da UFC, acompanhou o professor na visita ao jornal O Povo.

Como analisa o conflito israelo-palestino nessa nova fase internacional: com Barack Obama na Presidência dos EUA?

Quartim de Moraes – A agressão genocida à Faixa de Gaza foi desencadeada antes de Obama se tornar presidente dos EUA. Quem sabe, isso não é fortuito. Como Israel age em perfeita – tão perfeita quanto possível, porque nada é absoluto – consonância com o governo da Casa Branca e Pentágono, provavelmente teria entendido que era o momento de uma grande e odiosa expedição punitiva. Calcula-se, por baixo, 1.500 mortos, boa parte dos quais crianças e mulheres, um dos piores crimes contra a humanidade perpetrados nos últimos tempos. Com a posse de Obama, ficaria mais difícil. O custo político seria maior. Quanto à operação punitiva, no complexo de fatores que motiva decisão política dessas, o interesse do analista é saber qual o mais importante. A decisão de encarar a cena mundial, num contexto que não poderia fazer isso em silêncio, que a chance de cada corpo estraçalhado aparecer seria grande. Israel, os ativistas dessa guerra de terror. Porque o objetivo não poderia ser outro, além desse. Vamos imaginar o quê? Tomar Gaza, eles já tomaram. Exterminar, também não. O objetivo bélico era aterrorizar. Era mesmo expedição punitiva, para causar grande destruição, e ganhar, entre aspas, sossego por mais alguns meses. Quem sabe, ironicamente, cinicamente, não sei o adjetivo ou o advérbio, o objetivo de fato era continuar ganhando tempo. Você destrói a água, casa: ‘Em vez de eles estarem amolando a gente, vão ter que construir casa, de novo, vão ter que enterrar os mortos deles, vão ter que levar criancinhas na cadeira de roda, vão se ocupando com os danos que nós causamos a eles’.

Mas a pergunta inicial era: como fica o conflito nesse novo quadro internacional, com a ascensão do presidente Obama.

QM – Eu desloquei, porque os israelenses achavam isso: com Obama seria mais difícil. Desencadear a operação logo que Obama tomasse posse iria complicar mais as relações com os EUA. E os princípios que Israel se mantém são esses: há um limite para desobedecer os EUA e esse limite tem que ser visto com muito cuidado, porque sem os EUA aquilo não dura. Estamos diante de um oficial de carreira (dirigindo-se ao coronel-aviador Sued Lima), que conhece bem isso, se eu falar besteira, você me corrige. Manutenção de peça, treinamento. Eles (Israel) são ponta-de-lança, prolongamento dos EUA ali. Eu até me autocritiquei quando disse que Israel era uma base estadunidense no Oriente Médio. É mais do que uma base.É como se fosse mais um estado da federação estadunidense, informal, não é nem um “estado livre e associado” como Porto Rico. Voltando à questão, o único governante estadunidense que teve atitude firme com relação a Israel foi o general Eisenhower, quando em 1956, na Guerra de Suez, com a ocupação de territórios do Egito, Israel quis saber as condições para a retirada, ele respondeu: ‘Como um estado que agride os outros vai impor condições? Tem que se retirar’. Com Obama, eu não creio que será diferente. Ele, de fato, procura marcar diferença em relação ao Bush, mas faz a política que convém à hegemonia estadunidense. Vai continuar isso, de maneira mais concentrada, menos raivosa, mais lúcida, definindo melhor os seus objetivos. Sai do Iraque em um ano e meio, em compensação reforça a posição no Afeganistão.

Um governo palestino mais pragmático, mais laico, não facilitaria as coisas?

QM – Quem matou Arafat, que era laico? Acho que eles querem destruir mesmo. O efeito dessas intervenções de Israel e dos EUA na região é suscitar compromisso ou uma resistência com um interlocutor fundamentalista. No Iraque, destruíram o regime do Baath (partido iraquiano panarabista ao qual pertencia Saddam Hussein). É o fundo do poço no momento em que eles destroem as lideranças, as direções civis. Esse esquema aconteceu desde a intervenção primeira dos talibãs, no tempo dos soviéticos, quando havia ali o poder vermelho. Naquela época, se via garotas nas ruas. Com quem o Reagan se aliou? Com os talibãs. Com os que depois viraram inimigos e são acusados pelos atentados de 11 de setembro de 2001. Bin Laden. Al-Qaeda. Quem financiou essa gente? Os EUA. A CIA. Eu digo em aula: vocês têm grande fonte de documentação: aquele enlatado Rambo 3. Tem que ver numa perspectiva diferente. Os talibãs são apresentados ali como heróis, ‘guerrilheiros da liberdade´, como dizia o Reagan.

Com o novo governo de Israel, mais à direita, como vai ficar o quadro?

QM – Eu desejaria que gente mais equilibrada estivesse ali. Mas, o que vamos esperar desse governo em relação à Gaza? Algo pior do que o outro, do Kadima (partido que formava o governo anterior), fez? Não. Há muito jogo de cena. A diferença é mais em questão interna israelense. Há gente que tem posição pacifista, mas é uma minoria cada vez mais silenciosa. Outros são trapalhões, como esse Amoz Hoz (escritor israelense), que posa de pacifista….

Essa questão dos foguetes lançados pelo Hamas contra Israel não teria dado motivo para a operação na Faixa de Gaza?

QM – Irrita muito, eles dizem: “Estão nos desafiando”. Mas têm (os foguetes) fraquíssimo poder ofensivo. Se eu estou na minha casa e alguém joga uma pedra, não vai matar ninguém, mas eu vou ficar bravo. O problema é a resposta desproporcional. É criminosa, do ponto de vista tudo o que se tentou fazer nos últimos 65 anos, Tribunal de Nuremberg, etc.

Alguns grupos como o Hamas questionam a existência do Estado de Israel. Esse questionamento não prejudica as coisas?

QM – O mesmo argumento de antes: quem matou Arafat? Arafat reconhecia o Estado de Israel. Por que o Sharon atormentou tanto Arafat? Não é dizer que matou, mandou envenenar à maneira florentina, mandou um chocolate envenenado, não. Isolou, impediu socorros médicos, só não matou com um tiro, mas levou o homem à morte. Eles querem negociação, se eles mataram justamente o interlocutor que iria negociar com eles? (…) Eu nado contra a corrente, mas digo que o único erro grave da política externa da União Soviética foi o reconhecimento do Estado de Israel. Nós sabemos que aquilo foi arrancado, subornaram paisezinhos, que estavam endividados. Os famosos quatro votos que faltavam.

Há possibilidade de paz?

QM – Na configuração atual de Israel é muito difícil. Vou traduzir comentário de um sírio radicado em Paris, Majed Mehné, na revista Afrique-Asie, na reportagem intitulada ‘Guerra dos Covardes’, quando a Tzipi Livni foi a Paris durante o massacre (de Gaza) e retomou fraseologia nauseabunda, dizendo que seu exército defendia em Gaza ‘os valores morais do Ocidente´. O Barak, não o Barack Obama, mas o israelense Ehudi Barak, tido como ‘moderado´, sobre o massacre de Gaza, que terminou com 1.500 mortos palestinos, a maioria civis, e dez soldados israelenses, teve o cinismo de dizer: ‘O Tzahal (exército deles) é um exército moral e ético’. O comentário (de Majed Mehné) analisa a base, a origem ideológica do sionismo: os dirigentes israelenses nesse começo do século 21 retomam idéias de Teodor Herzl que, no século 19, dizia: ‘Na Palestina seremos uma parte da muralha da Europa contra a Ásia, seremos a vanguarda da civilização contra a barbárie´.

Fonte: http://www.nacionalidades.ufc.b

Presença militar na Amazônia aumentou após a Guerra Fria

Preocupação do Brasil com as fronteiras do Norte é nítida

Agência USP

Nas últimas décadas, as forças armadas brasileiras têm intensificado sua presença na Amazônia. “De acordo com os militares, há tempos que a região é fruto da cobiça internacional por suas riquezas e recursos naturais”, diz a cientista política Adriana A. Marques.

Em sua pesquisa de doutorado na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a pesquisadora analisou o que a região representa aos militares brasileiros e a forma de intensificação da presença militar. Segundo ela, a partir da década de 1990, fica nítida a preocupação do Brasil com as fronteiras da Amazônia e com os países vizinhos localizados ao norte.

Adriana lembra que a presença das forças armadas na região ficaram mais nítidas principalmente após o final da Guerra Fria, quando a grande ameaça era o comunismo, e o período inicial da redemocratização no Brasil. “Com final do antagonismo entre os Estados Unidos e a então União Soviética, os militares brasileiros passaram a dar mais atenção ao seu entorno regional, à América do Sul”, descreve a cientista política. Foi justamente nesse momento que a presença das forças armadas ficaram mais evidentes. “Vários outros eventos, como a Guerra das Malvinas, fizeram com que políticos e militares passassem a olhar com mais atenção para os países vizinhos. Entre Brasil e Argentina, por exemplo, houve algumas rivalidades”, conta, lembrando que, mais recentemente, “as atitudes dos governantes dos países fronteiriços daquela região também despertaram mais ainda a atenção para a Amazônia.” Mais unidades Militares: presença marcante na Amazônia A pesquisadora ressalta também que programas governamentais passaram a evidenciar a maior atenção à região.

Ela cita como exemplo o Projeto Calha Norte. Idealizado em 1985 durante o governo Sarney, a iniciativa já previa a ocupação militar de uma faixa do território nacional situada ao norte da Calha do Rio Solimões e do Rio Amazonas. “Desde então, a transferência de unidades militares para a região tem sido constante. E há ainda planos de novas transferências”, conta Adriana. Ela lembra também do Projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), na década de 1990, que foi elaborado com a finalidade de monitorar o espaço aéreo da Amazônia.

Além destas estratégias e projetos, Adriana conta que houve as transferências de unidades militares para a região. “Até o final de minha pesquisa, em 2007, haviam cinco brigadas de infantaria de selva. Destas, três vieram transferidas de outras regiões do País”, conta. Ela reforça que as transferências ainda continuam e fazem parte dos planos militares de ocupação da região.

Técnicas de guerrilha

Além dos projetos e planos governamentais, os militares marcam sua presença na Amazônia utilizando-se de estratégias de resistência. “Essas estratégias são baseadas em técnicas de guerrilha. Ou seja, o maior conhecimento da região permite que um possível inimigo seja derrotado pela persistência. Podemos tomar como exemplo claro disso a guerra do Vietnã, onde os soldados vietnamitas conseguiram derrotar o poderio norte-americano pela resistência”, compara a pesquisadora.

Para realizar sua pesquisa, Adriana recorreu a uma extensa bibliografia militar e a monografias de cursos de academias militares, bem como a discursos de oficiais. Seu trabalho envolveu as três forças armadas: exército, marinha e aeronáutica. Como conta a pesquisadora, o exército tem uma presença mais forte em relação às outras forças. A marinha, mesmo tendo na região um distrito naval desde 1933, somente no ano de 2005 inauguraram o 9º Distrito Naval.

Como será o trabalho no século XXI?

Como será o trabalho no século XXI?

No Brasil, 70% dos postos de trabalho são do setor de serviços e no mundo atingem 90%

Em seminário da Comissão UnB 50 anos de Brasília,o economista Marcio Pochmann afirmou que o mercado de trabalho será majoritariamente no setor de serviços – no Brasil, 70% dos postos de trabalho já estão no setor; no mundo, esse índice é de 90%.

O conhecimento será o principal ativo. E o mínimo que a sociedade da informação exige é a graduação. “A escola será para a vida toda, e vai ensinar para a vida, não para o trabalho”, disse Pochmann, que hoje atua como professor da Unicamp e presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea). “Temos que abandonar a escola utilitarista”. A jornada de trabalho será de quatro horas. E apenas três dias por semana. “Não há razão para se trabalhar mais do que 12 horas por semana”, afirma o professor.

Ele explica que as condições para tanto já existem, por causa do excedente imaterial que o trabalho intelectual gera hoje. “As pessoas não trabalham oito horas por dia, elas trabalham 24 horas, porque estão plugadas o tempo todo, gerando conhecimento que está sendo absorvido pelas empresas.”

UTOPIA

Marcio Pochmann reconhece que essas propostas talvez representem um sonho utópico, que nunca se realizará. Mas destaca que tudo isso são decisões políticas, que dependem da vontade da sociedade organizada para acontecer. E lembra que o Brasil, infelizmente, está no caminho contrário. “Estamos cada vez mais ignorantes. De cada dez jovens com 18 a 24 anos de idade, apenas um está estudando”, diz Pochmann. Isso porque a maioria das famílias brasileiras não têm condições de financiar a educação dos filhos, e eles são obrigados a trabalhar desde cedo. Um jovem que trabalha oito horas, fica quatro na faculdade, e ainda gasta de duas a quatro horas por dia com deslocamento, tem uma jornada de 16 horas. “Isso é uma jornada de trabalho igual a dos operários do século XIX. Como é que alguém vai ter tempo de ainda abrir um livro? Estudar e trabalhar não combina”, afirma o professor.

ALAS

Os Congressos da Associação Latino-Americana de Sociologia (Alas) 

por SÉRGIO SANANDAJ MATTOS

Fonte: Sociologia Ciências e Vida

Os Congressos da Associação Latino-Americana de Sociologia (Alas) têm sido o centro de debates e convergência intelectual de especialistas de todas as partes do continente. Até meados da década de 1960, a presidência dos primeiros congressos esteve praticamente a cargo do chamado grupo de fundadores da Alas, como A. Poviña (Buenos Aires, 1951), A. Carneiro Leão (São Paulo e Rio de Janeiro, 1953), Luis Bossano Paredes (Quito, 1955), Astolfo Tapia (Santiago do Chile, 1957), Isaac Ganon (Montevidéu, 1959) e Rafael Caldera (Caracas, 1961).

A partir de então, sociólogos de inspiração crítica passam a presidir os congressos da Associação, como Orlando Falls Borba (Bogotá, 1964); Edelberto Torres Rivas (San Salvador, 1967); Pablo Gonzales Casanova (México, 1969); Guilhermo Briones (Santiago, 1972); Daniel Camacho; (San José da Costa Rica, 1974), Agustín Cueva (Quito, 1977); Marco A. Gandásegui, (Panamá, 1979); Miguel de Castilla Urbina (Puerto Rico, 1981); Pablo Gonzales Casanova (Manágua, 1983), dentre outros. A seguir uma cronologia temática dos congressos mais recentes:

O VII Congresso da Associação Latino-Americana de Sociologia, realizado em Bogotá (Colômbia), em julho de 1964, começa a refletir a preocupação pelas crises na América Latina e a necessidade de sua transformação. O VIII Congresso da Associação Latino-Americana de Sociologia ocorreu em San Salvador, em setembro de 1967. O IX Congresso foi realizado na cidade do México, em novembro de 1969. O X Congresso da Alas ocorreu em Santiago do Chile, entre os dias 28 agosto e 5 setembro de 1972. A Costa Rica sediou o XI Congresso realizado em San José da Costa Rica, em julho de 1974. O sociólogo norteamericano Reuben Hill, presidente da International Sociological Association, proferiu a conferência “La Asociación Internacional de Sociologia y el desarrolo en el mundo de la Sociologia”.

O Equador sediou o XII Congresso realizado em Quito, em 1977. O XIII Congresso da Associação LatinoAmericana de Sociologia, tendo como tema A Democracia na América Latina, ocorreu no Panamá em novembro de 1979. O XIV Congresso da Alas foi realizado em San Juan (Porto Rico), em outubro de 1981 e teve como tema Classe, Nação e Estado. O XV Congresso, tendo como tema Participação Popular e Estratégias de Desenvolvimento na América Latina e Caribe, foi realizado em Manágua (Nicarágua), em outubro de 1983, durante os primeiros anos da experiência revolucionária sandinista. O XVI Congresso da Alas, tendo como tema central A Democracia na América Latina, realizou-se no Rio de Janeiro (Brasil), entre os dias 2 e 7 de março de 1986, em plena fase do processo de redemocratização brasileiro.

O Uruguai sediou o XVII Congresso da Alas, cujo tema foi Os Desafios Atuais da América Latina, Sociedade e Política diante da crise, realizado em Montevidéu, em dezembro de 1988. O XVIII Congresso, realizado em maio de 1991 no Palácio das Convenções de Havana (Cuba), foi uma oportunidade para aproximar os sociólogos latinoamericanos das experiências do socialismo cubano. O congresso teve como tema Os Desafios da América Latina e do Caribe num mundo cambiante.

O XIX Congresso ocorreu na cidade de Caracas (Venezuela), entre os dias 30 de maio e 4 de junho de 1993, e teve como tema Políticas Sociais, Desenvolvimento e Viabilidade Democrática. O XX Congresso da Alas foi realizado na cidade do México em outubro de 1995, tendo como tema América Latina e Caribe – Perspectivas de sua Reconstrução. O sociólogo e historiador norteamericano, Immanuel Wallerstein, na época presidente da International Sociological Association, proferiu a conferência “La reestruturación capitalista y el sistema-mundo”.

O Brasil sediou o XXI Congresso da Associação Latino-Americana de Sociologia, realizado na Universidade de São Paulo entre os dias 31 de agosto e 5 de setembro de 1997, tendo como tema América Latina e Caribe: Por uma democracia sem exclusões, nem excluídos. É realizado na cidade de Concepción (Chile), em outubro de 1999, o XXII Congresso, cujo tema foi Até onde vai a América Latina? Sob o enfoque América Latina entre a Globalização do Subdesenvolvimento e a Emergência de Novas Alternativas.

Os urgentes desafios do pensamento crítico latinoamericano aconteceu o XXIII Congresso, realizado na Universidade de San Carlos (Guatemala), entre os dias 29 de outubro e 2 de novembro de 2001. O XXIV Congresso ocorreu na cidade de Arequipa (Peru), em novembro de 2003, e teve como tema principal América Latina. Por uma Nova Alternativa de Desenvolvimento.

O Brasil sediou, mais uma vez, o XXV Congresso, que ocorreu em Porto Alegre em agosto de 2005, e cujo tema foi Desenvolvimento, Crises e Democracia na América Latina: Participação, Movimentos Sociais e Teoria Sociológica. O XXVI Congresso foi realizado em Guadalajara (México), entre os dias 13 e 18 de agosto de 2007, em torno do tema América Latina em e a partir do mundo. Sociologia e Ciências Sociais Diante da Mudança de Época: Legitimidades em Debate. O XXVII Congresso da Alas acontece de 31 de agosto a 4 de setembro de 2009, na cidade de Buenos Aires (Argentina), com uma temática em torno da democracia participativa, cenários produtivos e da construção do conhecimento.

Descobrindo Lévi-Strauss

Lévi-Strauss

Um dos grandes pensadores do século 20, Lévi-Strauss tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro “Tristes Trópicos” (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no college de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de índígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. “Estruturalismo”, diz Lévi-Strauss, “é a procura por harmonias inovadoras”.

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas lingüísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em “O Pensamento Selvagem”, que a língua é uma razão que tem suas razões – e estas são desconhecidas pelo ser humano.

Lévi-Strauss não vê o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integra também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: “Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que sempre deveríamos ter presente”. Atualmente, mora em Paris.

Lévi-Strauss, no terceiro tomo das “Mitológicas” – lógica dos mitos – elogia a filosofia moral dos ameríndios, diferente qualitativamente da moral ocidental contemporânea. Nossa filosofia moral desconsidera a relação dos homens com os outros seres vivos e com o mundo numa certa arrogância antropológica, como se fosse possível viver isolado da natureza. Conforme o etnólogo, os ameríndios mostram saber manter melhor a relação equilibrada – nem próximo demais nem afastado demais – com o cosmos, num equilíbrio q se exprime na organização dos ciclos, no cuidado com as estações, na sabedoria de fazer conviver os ritmos fisiológicos com a culinária.

O antropólogo percebe que o Islã funcionou como uma barreira de impedimento do encontro entre o budismo e o cristianismo.

“O budismo é a malha que falta na cadeia de nossa história: é o primeiro nó e o ultimo nó: nó que ao se desfazer desfaz a cadeia. A afirmação do sentido da historia culmina fatalmente em uma negação do sentido: entre a crítica marxista que libera o homem de suas primeiras cadeias e a critica budista que consuma a sua liberação, não há oposição nem contradição.” (Otávio Paz In: ‘Claude Lévi-Strauss ou o novo festim de Esopo’)

O desconhecimento da herança budista no Ocidente ajudou no afundamento deste em seu sonho de poder, tão improvável que pode levá-lo à autodestruição.

O mundo existia antes do homem e continuará existindo. LS tem uma visão desencantada sobre a perspectiva futura. Critico do progresso, o etnólogo foi ao Novo Mundo para descobrir na raiz o que o Velho Mundo está tendo que digerir com melancolia, segundo ele. A idade de ouro não esta na cultura nem na natureza, mas talvez entre elas. Reconta incansavelmente a historia q foi se compondo atravessando os mitos. Nada de novo. O futuro inscreve-se no passado. Este ponto é importante de ser entendido pra perceber como, nas demandas do futuro, deixa-se entrever o arcaísmo mais renitente.

Apesar de a vida humana ser breve antropologicamente, ainda vale lutar e dedicar uma vida contra as danações já possíveis de se precaver, como matar a beleza, prostituir o sentido, extirpar a pureza dos elementos. Mas, pra isso, precisa ter juízo e consciência ampla do todo em que o homem esta inserido.

Biografia de Claude Lévi-Strauss – Antropólogo francês, nascido na Bélgica

Claude Lévi-Strauss

Antropólogo francês, nascido na Bélgica

Um dos grandes pensadores do século 20, Lévi-Strauss tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro “Tristes Trópicos” (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de índígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. “Estruturalismo”, diz Lévi-Strauss, “é a procura por harmonias inovadoras”.

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas lingüísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em “O Pensamento Selvagem”, que a língua é uma razão que tem suas razões – e estas são desconhecidas pelo ser humano.

Lévi-Strauss não vê o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integra também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: “Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que sempre deveríamos ter presente”.

Fonte: http://educacao.uol.com.br

Vídeo sobre Claude Lévi-Strauss

Veja esse vídeo sobre Claude Lévi-Strauss. Antropólogo francês, nascido na Bélgica

Vídeo Nº 001

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 621 outros seguidores