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Formação Política


Orientação para a formação política

Aqui vai concentrar textos sobre a formação política crítica.

Todos as categorias básica sobre socialismo você encontra aqui.

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Orientação para a formação política

Tema: SUJEITO HISTÓRICO E ESTRATÉGIA REVOLUCIONÁRIA

Georg Lukács: “História e consciência de classe”. Capítulo “Observações metodológicas sobre a questão da organização”.

Neste trecho de sua obra de 1922, Lukács nos remete ao debate clássico entre teoria e práxis, a partir da perspectiva da necessária interação dialética entre teoria, partido e classe. O autor desenvolve sua análise a partir dos debates entre as várias correntes dos partidos comunistas europeus desde a virada para o século XX até os primeiros anos após a Revolução Russa, aliando-se criticamente aos ensinamentos de Lênin e de forma especial de Rosa Luxemburgo.

No destaque às posições de Rosa Luxemburgo, Lukács enaltece o seu embate contra as “formas mecânicas” defendidas pela maioria partidária sobre as relações entre partido, organização sindical (greve) e massas desorganizadas, mas ressalva certa sobrevalorização das ações espontâneas das massas.

Para Lukács, o partido comunista resulta de interações dialéticas. A práxis cotidiana da organização partidária pressupõe uma teoria correta, contudo, essa mesma práxis, se adequada, “produz e reproduz o discernimento teórico correto…”. Por outro lado, mesmo que tenha que atingir objetivamente um grau de consciência mais elevado, o partido comunista não age no lugar do proletariado, nem em termos teóricos. Da mesma forma, a necessária orientação da teoria para as necessidades imediatas da classe, ou sua aplicação concreta, não significa “a dissolução do partido na massa do proletariado”.

Engels, F. Introdução ao As Lutas de Classes em França de 1848 a 1850. In: Marx, K., Engels, F. Obras Escolhidas (3 Tomos). São Paulo: Editora Alfa-omega. p. 93-110.

O trabalho de K. Marx As Lutas de Classes em França de 1848 a 1850 constitui uma série de artigos sob o título comum De 1848 a 1849. Nele é dada uma explicação materialista de todo um período da história francesa e elaboradas as teses mais importantes da tática revolucionária do proletariado. Na base da experiência prática da luta revolucionária das massas, Marx desenvolveu em As Lutas de Classes em França a sua teoria da revolução e da ditadura do proletariado. Demonstrando a necessidade da conquista do poder político pela classe operária, Marx utiliza aqui pela primeira vez a expressão “ditadura do proletariado” e descreve as tarefas políticas, económicas e ideológicas desta ditadura. Marx formula neste trabalho a ideia da aliança da classe operária com o campesinato, sob a direcção da classe operária.

Introdução ao texto  As Lutas de Classes… foi escrita por Engels para a edição em separado do trabalho, publicada em Berlim em 1895. Depois de mostrar a importância da análise do curso e das lições da revolução de 1848-1849, feita no trabalho de Marx, Engels dedica uma parte importante da sua introdução à generalização da experiência posterior da luta de classe do proletariado, particularmente na Alemanha. Engels sublinha no seu trabalho a necessidade da utilização revolucionária de todos os métodos legais com vista à preparação do proletariado para a revolução socialista, da hábil combinação da luta pela democracia com a luta pela revolução socialista, da submissão da primeira tarefa à segunda. Na sua introdução Engels fundamenta de novo a tese angular do marxismo sobre a escolha dos métodos tácticos e das formas de luta de acordo com a situação histórica concreta, sobre a necessidade de substituir as formas pacíficas, preferíveis para o proletariado, de atividade revolucionária por formas não pacificas, no caso de as classes dominantes reacionárias recorrerem à violência.

[Adaptado de MARX, K. e ENGELS, F. Obras escolhidas. Portugal: Editorial Avante!, 2008 (notas de fim de tomo). Extraído do Arquivo Marxista da Internet em http://www.marxist.org]

Löwy, M “O pensamento de Che Guevara”, Editora Expressão Popular, 2003. Capítulo III – “A guerra revolucionária”

Para Che, a burguesia nacional acaba se aliando à contra-revolução, mesmo que existam discordâncias secundárias entre ela e o capital internacional. Nesse sentido, a aliança política entre partidos de esquerda e a burguesia nacional não contribui para a busca revolucionária.

A revolução socialista para Che está na aliança entre o operário e o camponês, a “revolução permanente”. A limitação da revolução à “etapa democrática nacional”, típica de muitos partidos de esquerda, gera problemas para se atingir o processo revolucionário.

A inevitabilidade da luta armada como a única que pode conduzir à revolução. O triunfo socialista se dará, portanto, pela via da guerra revolucionária.  Uma transformação pela via “nacional-democrática”, pela via eleitoral, pode até contar com setores do aparelho de Estado, mas não rompe com o aparelho militar-burocrático do Estado burguês, trazendo na sua essência seu caráter contra-revolucionário.

A guerrilha servirá para desmascarar o poder, mostrando, ao mesmo tempo, a fragilidade e vulnerabilidade das forças armadas, suscitando a consciência revolucionária e a vitória de um poder do povo e para o povo. Ela será apoiada pela classe operária, ajudando no combate nas cidades, fortalecendo as guerrilhas na destruição do aparelho repressivo do Estado e apoiando a mobilização das massas proletárias. A possibilidade de um partido marxista de vanguarda também tem um papel importante no processo revolucionário, estando à frente na luta pela conquista do poder.

Finalmente, o internacionalismo como a expressão mais pura do ser combativo e do humanismo, levando, necessariamente, a uma luta unificada e global contra o capital.

V. Lenin. Que fazer. Capítulo II: A espontaneidade das massas e a consciência da social-democracia.

Nesse capítulo do Que Fazer, Lênin discute e polemiza com outros autores o tema da relação entre as lutas espontâneas, basicamente sindicais e economicistas dos trabalhadores, e a consciência anticapitalista e revolucionária socialista (que ele chama naquela oportunidade de social-democrata).

Para o movimento dos trabalhadores, as greves com caráter econômico são importantes, mas representam um primeiro passo no processo de alcançar a verdadeira consciência de classe. Por si só, os trabalhadores não podem chegar além da consciência sindical.

“…imaginar que o movimento laboral é, por si próprio, capaz de elaborar, e irá elaborar para si, uma ideologia independente…” constitui um grande equívoco. A consciência socialista só pode ser obtida pelos trabalhadores por meio de uma assimilação de conhecimento científico que não é simples.”

A doutrina socialista nasceu de teorias cientificas e filosóficas criadas por intelectuais com origem na burguesia (mas pessoalmente revolucionários e socialistas) e são eles, mas em especial o verdadeiro partido de classe, que devem se constituir em portadores dessa doutrina e permitir que elas alcancem a consciência dos trabalhadores.

Embora a luta dos trabalhadores seja ao mesmo tempo política, com muita freqüência é luta dentro dos marcos burgueses para simplesmente reduzir ou remediar a extrema exploração mas não para suprimi-la. A ação revolucionária exige muito mais.

Esses são as lições encontradas no mencionado capítulo.

Rosa Luxemburgo: “Greve de massas, partido e sindicatos”.

Neste texto de 1906, Rosa Luxemburgo busca nas experiências dos levantes russos desde a virada do século até 1905 as evidências históricas que a ajudaram a contestar a ideologia dominante na social-democracia alemã da época, em especial no seu embate contra os que defendiam a necessidade da organização partidária e sindical como pressuposto para as greves de massa. Não seriam, assim, os maravilhosos planos de greve geral elaborados pela social-democracia e seus sindicatos que desencadeariam a sublevação massiva e a tomada do poder pelo proletariado.

Para a autora, as experiências revolucionárias na Rússia demonstravam que as formas de organização das lutas populares resultaram das próprias mobilizações espontâneas e não contaram com os partidos e sindicatos totalmente consolidados como pressupostos para sua ação efetiva. A própria reação violenta do patronato às manifestações reivindicativas contra as elevadas jornadas de trabalho, por exemplo, resultavam em greves cada vez mais duradoras e abrangentes em volume de categorias paralisadas, em várias localidades. Inclusive, Luxemburgo valoriza o papel das massas desorganizadas da Rússia na realização dos levantes, a partir de motivações concretas, de suas necessidades imediatas.

Com isso, criticando as relações efetivas entre o Partido, os sindicatos a ele vinculados e as massas populares na Alemanha, a autora procura demonstrar o erro em se conceber, a priori, a partir de um receituário mecânico, a necessidade de grandes instituições, fortes e capazes de organizar “a greve geral” e consequentemente planejar seus resultados em termos de grandes mobilizações de massa.

Rosa Luxemburgo. Reforma ou Revolução? São Paulo:Expressão Popular, 1999.

No livro Reforma ou Revolução?, publicado pela primeira vez em 1900, Rosa Luxemburgo (1871-1919) enfrenta e empreende uma crítica decisiva às posições oportunistas, existentes no interior do movimento socialista alemão, e contra o revisionismo, expressão teórica do oportunismo, formalizado nos textos de Eduardo Bernstein (1850-193..).

No final do século XIX, Bernstein abandona o marxismo revolucionário ao propor uma “revisão” teórica do socialismo científico. A tese bernsteiniana é que o capitalismo então afastava de si o risco do seu “colapso” definitivo, ao caminhar para a superação progressiva das suas crises e contradições devido a uma “grande capacidade de adaptação”. O socialismo deixava de aparecer então como necessidade histórica, decorrente dos impasses e conflitos do sistema capitalista e a tarefa da revolução tornava-se “desnecessária”. Para Bernstein, a atividade do movimento socialista deveria se dirigir não para a conquista do poder político, mas para a promoção de reformas graduais na ordem capitalista objetivando a “melhoria da situação da classe operária” e a instituição do socialismo “não como consequência de uma crise social e política”, nas palavras de Rosa, mas através da ampliação do poder sindical, da extensão do sistema de cooperativas e a democratização política do Estado.

Rosa Luxemburgo aponta os erros da “teoria da adaptação” e de sua leitura vulgar, tipicamente burguesa, do desenvolvimento econômico e material da sociedade capitalista, os limites objetivos da ação sindical e o caráter de classe do Estado capitalista. Rosa desvenda a concepção idealista, utópica, liberal e reacionária do revisionismo, resultado dos elementos e aspirações pequeno-burguesas presentes no movimento socialista, para concluir que o revisionismo não destina-se à “realização da ordem socialista, mas unicamente à reforma daordem capitalista“. Nas palavras da autora, “fica igualmente provado que o oportunismo é incompatível com o socialismo em geral, que sua tendência interna é canalizar nas vias burguesas o movimento operário, isto é, paralizar completamente a luta de classe proletária”.

“A reforma legal e a revolução não são métodos diferentes de desenvolvimento histórico [...] e sim fatores diferentes no desenvolvimento da sociedade de classe, condicionados um ao outro e que se completam”.

“A luta cotidiana pelas reformas, pela melhoria da situação do povo trabalhador no próprio quadro do regime existente, pelas instituições democráticas, constitui, mesmo para a social-democracia [denominação dos socialistas naquela ocasião], o único meio de travar a luta de classe proletária e trabalhar no sentido da sua finalidade, isto é, a luta pela conquista do poder político e a supressão do assalariado. Existe para a social-democracia um laço indisolúvel entre as reformas sociais e a revolução, sendo a luta pelas reformas o meio, mas a revolução social o fim.”

Tema: CRISE ATUAL DO SISTEMA CAPITALISTA

Crisis económica, riqueza ficticia y gastos militares: una interpretación marxista - Reinaldo A. Carcanholo

¿Qué lo que significa interpretar la presente crisis capitalista del punto de vista marxista? Supone el uso adecuado de la teoría del valor, la comprensión de la dialéctica del concepto de capital ficticio y la consideración pertinente de la existencia de las ganancias ficticias. Supone identificar como la contradicción principal de la actual etapa capitalista especulativa la que existe entre la producción y la apropiación del excedente-valor y aceptar como relevante la ley de la tendencia a la baja de la tasa general de ganancia y que ella puede se manifestar directamente o circunstancialmente como consecuencia de sus contratendencias.

Distintos estudios han abordado el concepto de capital ficticio y algunos ya han mostrado que él no puede jamás, del punto de vista global, transformarse en capital sustantivo, aunque esa transformación pueda ocurrir para cada capital individual.

Sin embargo, ¿cómo es posible, al nivel global de la economía, la conversión inversa; la transformación del capital sustantivo en capital ficticio? Mejor aún: ¿cómo es posible la conversión de riqueza real (valor realmente producido) en ficticia, en capital ficticio?

El objetivo de este trabajo fue justamente analizar esa posibilidad en lo que se refiere por lo menos a los gastos militares que implican elevación de la deuda pública. Esa cuestión posee gran significado si consideramos que nuestra interpretación sobre la actual etapa especulativa del capitalismo, que hace poco entró en colapso, supone la huída del capital de las inversiones sustantivas para la especulación, como resultado de la tendencia mencionada de baja de la tasa general de ganancia.

A crise da globalização financeira - Cláudio Gontijo – Fabrício Augusto de Oliveira

Este artigo procura analisar as causas da crise internacional originada do colapso do

mercado de hipotecas subprime, inserida no processo de globalização financeira gerado a partir de fins da década de 1970, em que se conjugam (i) a consolidação da ruptura do pacto político do pósguerra entre capital e trabalho, em favor do capital; (ii) liberalização e desregulamentação dos mercados; (iii) crescente aprofundamento da interpenetração das relações econômicas em escala global; (iv) progressiva financeirização da riqueza; (v) hegemonia do capital financeiro. A partir da crítica das concepções ortodoxas das crises financeiras, analisa as contribuições de Minsky, Marx e de autores marxistas modernos, que salientaram a crescente instabilidade e fragilidade financeira do processo de globalização conduziriam o capitalismo para crises profundas. Analisando a crise atual, conclui que a mesma representa sério abalo à hegemonia do capital financeiro, abrindo caminho para o redesenho das políticas econômicas e o realinhamento das forças sociais e políticas.

Crise alimentar e financeira: a lógica especulativa atual do capital fictícioJuan Pablo Painceira Paschoa – Marcelo Dias Carcanholo

A atual fase de crise do capitalismo se manifesta, ao menos, pela coexistência de três grandes crises: a crise financeira, energética e alimentar. Ainda que cada uma delas possua lógicas e determinantes relativamente autônomos, o que deve ser ressaltado é a interdependência entre essas três grandes formas de manifestação da crise. Essa interdependência deve ser ressaltada porque as três formas de manifestação da crise atual do capitalismo dizem respeito à subordinação do capital a uma mesma lógica específica, a lógica do capital fictício. Esta é a hipótese central do trabalho que segue, ainda que ele se centre especificamente na crise alimentar, tanto em suas especificidades, quanto na sua relação com a crise mais geral.

Capitalismo do século XXI: crise e barbárie – Plínio de Arruda Sampaio Jr.

A crise geral do capitalismo criou um novo marco histórico. O objetivo deste artigo é determinar o impacto desta nova situação sobre as economias latino-americanas, dando destaque aos países com maior grau de desenvolvimento das forças produtivas. Para tanto, discutiremos a natureza da crise recente e seus mecanismos de propagação à periferia latino-americana. Pela comparação dos efeitos da crise recente com os efeitos da crise que desarticulou a divisão internacional do trabalho na primeira metade do século XX, caracterizaremos a especificidade da conjuntura atual, a fim de definir os desafios a serem enfrentados pelas sociedades latino-americanas. A hipótese subjacente é que, diferentemente do que ocorreu na crise dos anos 1930, quando o isolamento dos fluxos de comércio e capital acabou permitindo que as economias mais desenvolvidas da região impulsionassem um processo de industrialização por substituição de importações, o novo marco histórico deve intensificar o processo de reversão neocolonial que afeta todas as dimensões da vida latino-americana, impactando de forma particularmente regressiva as economias com maior grau de desenvolvimento. Por fim, mostraremos que os problemas econômicos e sociais da região dificilmente serão resolvidos no âmbito das economias nacionais, o que coloca a urgência de uma nova agenda econômica e política que redefina os parâmetros que devem orientar a estratégia de desenvolvimento econômico e a política de integração dos países latino-americanos. Chega-se, assim, à conclusão de que, ao aprofundar e generalizar a relação entre capitalismo e barbárie, o novo contexto histórico repõe a urgência da luta pelo socialismo.

Interpretações sobre o capitalismo atual Reinaldo A. Carcanholo

Depois de resumir a interpretação do referido autor sobre a atual fase do capitalismo, este artigo discute as interpretações de Gerard Duménil y Dominique Lèvy, além das defendidas por Fraçois Chesnais, Michel Husson e Virgínia Fontes.

Tema: SOBRE A QUEDA DA UNIÃO SOVIÉTICA

Batchikov, S. Razones e implicaciones del colapso del régimen sovietico. Revista de la SEP nº 24. Rio de Janiero, 7 Letras, 2009. ISSN 1415-1979. pp. 66-84.

Neste artigo apresentam-se as razões do colapso do regime soviético e do desmoronamento da URSS. Entre elas são citadas a perda da hegemonia ideológica socialista na sociedade russa, especialmente nas novas gerações; a tolerância frente à economia mercantil paralela e a consciência consumista; a legalização de rendimentos escusos por meio da autorização de gastos em dólares sem identificação de origem; a conseqüente ampliação da corrupção e o surgimento de organizações criminosas; a crise cultural com a formação de uma nova escala de motivações na juventude; a fragmentação da sociedade com o surgimento de um setor corrompido e parasita com acesso a um consumo suntuário; o surgimento de desejos insatisfeitos em parte importante da população e o surgimento e estímulo do ódio à simplicidade tradicional na cultura dos trabalhadores soviéticos. O artigo prossegue mostrando, por meio de gráficos, a tragédia que se abateu sobre a sociedade russa e as características que o capitalismo pode apresentar após a derrocada da URSS.

El porvenir del socialismo, de Claudio Katz

Claudio Katz, es economista y docente de la Universidad de Buenos Aires, integra el EDI (grupo de Economistas de Izquierda), y es colaborador de la revista Herramienta. Para reseñar su más inmediata obra que lleva por titulo El porvenir del socialismo, comenzaremos por despejar un posible equívoco: el lector podría creer que se trata de un libro escrito en clave económica, siendo necesario para su comprensión conocimientos y manejo de términos especializados de dicha ciencia, pero lo cierto es todo lo contrario: quien tenga en sus manos este ensayo, observará que está redactado en un lenguaje simple y directo, conjugando las ideas básicas de la economía política, con elementos históricos, políticos, sociales que se relacionan con las construcciones culturales que producen las clases sociales.

A lo largo del siglo XX, muchos fueron los libros que se publicaron prefigurando como sería la futura sociedad socialista, pero ha fines de la década de los ’80 y con la crisis del bloque soviético, muchos de estos análisis desaparecieron del imaginario de la sociedad. Una década después, y luego de las luchas que se han producido a escala global en contra del capitalismo neoliberal, Katz vuelve a poner el tema de la transición socialista en el tapete, planteando un interrogante que puede incomodar a más de uno ¿qué importancia tiene la lucha contra el capitalismo, sino se no aspira a una sociedad diferente?

Y esto permite señalar una segunda cualidad en este ensayo: está escrito desde una posición que valora la revolución social, cultural y política como salida a la barbarie del capitalismo.

El ensayo se apoya en una extensa bibliografía, que Katz analiza para refutar o afirmar sus posiciones, en función de prefigurar la sociedad socialista propuesta por el autor.

El análisis de Katz se formula a partir de la tesis del “Imperialismo”, que desarrollase Lenin, conjugada con conceptos teóricos de Ernest Mandel, a los que el autor suma elementos de la teoría de la dependencia, para llegar a una caracterización del sistema capitalista fragmentado en dos: uno constituido por países ricos y desarrollados, y otro por pobres, subdesarrollados y atrasados.

En cuanto a la hipótesis central del libro, Katz sostiene que para llegar a la sociedad comunista es necesario pasar por la etapa socialista, la cual será larga en la periferia aunque podría acelerarse si se produjera un avance internacional del socialismo en los países centrales, apareciendo la transición como un puente que une la salida del sistema capitalista, con la llegada a la sociedad comunista, con lo cual se producirá un equilibrio entre ambos mundos.

El ensayo se encuentra dividido en cinco partes, que podemos seccionar en tres ejes: uno, en el que se analizan las formas que tomaría la transición socialista; otro, que reflexiona sobre la experiencia histórica acaecida en los países socialistas -como también las formas que tomo la restauración capitalista en dichos estados-; y un último punto, en que se reivindica a la democracia real como mecanismo posible para el éxito de la transición.

El primer núcleo del ensayo, marca la importancia que tiene repensar la transición socialista, caracterizando a ésta como una etapa en la que confluye la economía planificada -momento en que la propiedad privada de los bancos, las industrias y los servicios estratégicos, pasaría a manos públicas- con el mercado, que se encontraría en inferioridad de condiciones ante aquella. Para el autor, el mercado seguirá cumpliendo algunas de sus funciones, aunque se irán diluyendo aquellas que sirven a la dominación sobre las personas expresa en el fetichismo de las mercancías, el dinero, la tecnología y el consumo.

Katz entiende entones al mercado como una herramienta táctica, que irá desapareciendo a medida que avance la transición, hasta extinguirse. Así, el plan representará el punto de partida de la estrategia económica de la transición, que incidirá directamente sobre los sectores claves de la economía, mientras que el mercado servirá para verificar las metas fijas por el plan, regulando las actividades del sector privado que opere con precios libres.

A este programa económico, Katz le adosa tres pilares que servirán para sostener al socialismo: un sujeto social capaz de llevar adelante el proceso -la clase trabajadora, que tendrá como aliados a los consumidores y los usuarios-, una nueva forma de ética y moral -que servirá para que los individuos rompan con la conciencia capitalista y construyan nuevos lazos de solidaridad basados en la igualdad-, y la existencia de una democracia que deberá encontrar formas nuevas de deliberación, que otorguen mayor igualdad y mayores posibilidades para expresar las opiniones del conjunto de la ciudadanía. Aquí el autor aclara que si algunos de estos puntos se viesen obturados, la puesta en marcha de la socialización de los medios de producción, irremediablemente fracasaría.

Con respecto al segundo núcleo, Katz analiza las formas que cobró la restauración capitalista en los países del “socialismo real”, planteando que este proceso se produjo cuando la capa burocrática gobernante entendió que podía transformarse en una clase dominante capitalista, si sacrificaba los postulados de un socialismo que, desde mediados de la década del ´20, se había practicado de arriba hacia abajo. Esta hipótesis de Katz da por tierra con la tesis de Trotsky, quien creía ver en la URSS un Estado obrero burocratizado, el cual se podía reencauzar si se despertaba la conciencia de la población, para barrer con la burocracia en el poder y efectivizar el socialismo. Katz sostiene que esto era imposible por varios factores, pudiendo destacar aquí la distancia que separaba al pueblo de los gobernantes, como también la falta de consenso que las ideas socialistas tenían en una sociedad basada en el autoritarismo. Para finalizar este núcleo, Katz revisa los modelos socialistas ensayados durante el siglo XX, a quienes cruza con propuestas productivas alternativas -como cooperativas, autogestión obrera- para poder establecer un programa socialista.

En el cuarto capitulo Katz analiza los problemas teóricos del socialismo, revisando los tres temas centrales de una economía planificada: el cálculo, el incentivo y la innovación, necesitándose para ello la construcción y mantenimiento de una disciplina de economía política especifica para la transición. Katz llega a la conclusión que, durante la transición socialistas, se mantendrá la ley de valor para formar los precios en el mercado privado, que servirá para influir en las áreas que enlazan la actividad privada con la estatal. Otro elemento analizado en el capítulo, es la moneda, señalando que se deberá ir buscando caminos para superar el rol alienante que el capitalismo le ha impuesto. El sistema de precios es otro de los elementos sobre los que Katz reflexiona, explicando que estos serán la representación del sistema dual (plan-mercado) de la transición, cuyo éxito estará garantizado si se mantiene la vigencia de los principios que justifican la existencia de estos dos sectores. Por otra parte, Katz también apuesta a que, durante la transición, la innovación tecnológica no se detenga para mantener la sociedad de la abundancia, proponiendo para ello la existencia de restricciones explicitas al enriquecimiento y la expansión de la actividad privada, además de que exista un fondo de inversiones que distribuya los recursos en función de la eficiencia de cada compañía, agregando una retribución extra para los individuos que introduzcan innovaciones, lo cual servirá para neutralizar la acumulación privada y la conversión de las innovaciones en capital.

En el último capitulo, que representa también el último eje, Katz analiza la democracia socialista y la experiencia histórica de las clases subalternas, analizando el modelo piramidal del partido único, las posiciones elaboradas por los autonomistas, el consejismo y la dictadura del proletariado, así como los problemas que encuentra la democracia directa, planteando que la democracia socialista debe servir para prefigurar el régimen político que podrá emerger con la erradicación del capitalismo, bajo la forma de asociación entre la democracia directa e indirecta, combinando el sufragio con la auto-participación popular -lo cual servirá para reducir la burocracia-, destacando que sin una democracia que conjugue la experiencia consejista, con la directa y las formas representativas, no habrá posibilidades de transito socialista con éxito. Katz sostiene que la madurez del socialismo podrá ser verificada mediante el grado de sustitución que, a lo largo de la transición, vaya experimentando el sector privado, el cual pasará a estar bajo la esfera de las formas colectivas de gestión y control social.

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Categorias básicas para a formação do pensmanento progressista

Capitalismo: o que é isso?

As duas referências mais importantes para a compreensão do mundo contemporâneo são o capitalismo e o imperialismo.

A natureza das sociedades contemporâneas é capitalista. Estão assentadas na separação entre o capital e a força de trabalho, com aquela explorando a esta, para a acumulação de capital. Isto é, os trabalhadores dispõem apenas de sua capacidade de trabalho, produzir riqueza, sem os meios para poder materializa-la. Tem assim que se submeter a vender sua força de trabalho aos que possuem esses meios – os capitalistas -, que podem viver explorando o trabalho alheio e enriquecendo-se com essa exploração.

Para que fosse possível, o capitalismo precisou que os meios de produção –na sua origem, basicamente a terra – e a força de trabalho, pudessem sem compradas e vendidas. Daí a luta inicial pela transformação da terra em mercadoria, livrando-a do tipo de propriedade feudal. E o fim da escravidão, para que a força de trabalho pudesse ser comprada. Foram essas condições iniciais – junto com a exploração das colônias – que constituíram o chamado processo de acumulação originaria do capitalismo, que gerou as condições que tornaram possível sua existência e sua multiplicação a partir do processo de acumulação de capital.

O capitalismo busca a produção e a comercialização de riquezas orientada pelo lucro e não pela necessidade das pessoas. Isto é, o capitalista dirige seus investimentos não conforme o que as pessoas precisam, o que falta na sociedade, mas pela busca do que dá mais lucro.

O capitalista remunera o trabalhador pelo que ele precisa para sobreviver – o mínimo indispensável à sobrevivência -, mas retira da sua força de trabalho o que ele consegue, isto é, conforme sua produtividade, que não está relacionada com o salário pago, que atende àquele critério da reprodução simples da força de trabalho, para que o trabalhador continue em condições de produzir riqueza para o capitalista. Vai se acumulando assim um montante de riquezas não remuneradas pelo capitalista ao trabalhador – que Marx chama de mais valia ou mais valor – e que vai permitindo ao capitalista acumular riquezas – sob a forma de dinheiro ou de terras ou de fábricas ou sob outra forma que lhe permite acumular cada vez mais capital -, enquanto o trabalhador – que produz todas as riquezas que existem – apenas sobrevive.

O capitalista acumula riqueza pelo que o trabalhador produz e não é remunerado. Ela vem por tanto do gasto no pagamento de salários, que traz embutida a mais valia. Mas o capitalista, para produzir riquezas, tem que investir também em outros itens, como fábricas, máquinas, tecnologia entre outros. Este gasto tende a aumentar cada vez mais proporcionalmente ao que ele gasta em salários, pelo peso que as máquinas e tecnologias vão adquirindo cada vez mais, até para poder produzir em escala cada vez mais ampla e diminuir relativamente o custo de cada produto. Assim, o capitalista ganha na massa de produtos, porque em cada mercadoria produzida há sempre proporcionalmente menos peso da força de trabalho e, por tanto, da mais valia – que é o que lhe permite acumular capital.

Por isso o capitalista está sempre buscando ampliar sua produção, para ganhar na competição, pela escala de produção e porque ganha na massa de mercadorias produzidas. Dai vem o caráter sempre expansivo do capitalismo, seu dinamismo, mobilizado pela busca incessante de lucros.

Mas essa tendência expansiva do capitalismo não é linear, porque o que é produzido precisa ser consumido para que o capitalista receba mais dinheiro e possa reinvestir uma parte, consumir outra, e dar sequencia ao processo de acumulação de capital. Porém, como remunera os trabalhadores pelo mínimo indispensável à sobrevivência, a produção tende a expandir-se mais do que a capacidade de consumo da sociedade – concentrada nas camadas mais ricas, insuficiente para dar conta do ritmo de expansão da produção.

Por isso o capitalismo tem nas crises – de superprodução ou de subconsumo, como se queira chamá-las – um mecanismo essencial. O desequilíbrio entre a oferta e a procura é a expressão, na superfície, das contradições profundas do capitalismo, da sua incapacidade de gerar demanda correspondente à expansão da oferta.

As crises revelam a essência da irracionalidade do capitalismo: porque há excesso de produção ou falta de consumo, se destroem mercadorias e empregos, se fecham empresas, agudizando os problemas. Até que o mercado “se depura”, derrotando os que competiam em piores condições – tanto empresas, como trabalhadores – e se retoma o ciclo expansivo, mesmo se de um patamar mais baixo, até que se reproduzam as contradições e se chegue a uma nova crise.

Capitalismo Monopolista, Imperialismo e Neocolonialismo

De 1760 a 1830, a Revolução Industrial ficou limitada à Inglaterra, a oficina do mundo. Para manter a exclusividade, era proibido exportar maquinário e tecnologia. Mas a produção de equipa­mentos industriais superaria logo as possibilidades de consumo interno e não seria possível conter os interesses dos fabricantes. Além disso, as nações passaram a identificar o poderio de um país com seu desenvolvimento industrial. E o processo se difundiu pela Europa, Ásia e América.

A tecnologia industrial avançou, a população cresceu, os movimentos imigratórios se intensificaram. No fim do século XIX, sobreveio a primei­ra Grande Depressão (1873 – 1896), que fortaleceu as empresas pela centralização e concentração do capital. Iniciou-se aí nova fase do capitalismo, a fase monopolista ou financeira, que se desdobrou na exportação de capitais e no processo de colonização da África e da Ásia.

A Revolução Industrial se irradia

Em ritmo vertiginoso, como na Alemanha, ou retardado por razões políticas, como na França, o impacto da Revolução Industrial inglesa atingiu todas as partes do mundo.

Bélgica – Primeiro país da Europa a industrializar-se no século XIX. Dois ingleses criaram uma fábrica de tecidos em Liège já em 1807. Foi rápido o desenvolvimento, facilitado pela existência de carvão e ferro, pelo investimento de capitais ingleses e pela proximidade do mercado europeu.

Alemanha – Em ritmo acelerado a partir de 1870, a industrialização alemã se beneficiou da unificação nacional, da decidida proteção esta­tal, da atuação do capital bancário e do cresci­mento demográfico. A peculiaridade aqui está no casamento entre indústria e bancos, bem como no uso de técnicas que permitiram alto grau de racionalização.

A Alemanha já era grande produtora de carvão desde 1848. A siderurgia avançou, estimulada pelo desenvolvimento ferroviário. Na década de 1880, a indústria têxtil ameaçava superar a inglesa, devido à adoção de fibras sintéticas e novos corantes; destaque-se aqui a expansão da indústria química, ligada à pesquisa científica. No fim do século, graças a Werner Siemens, a indústria elétrica tomou grande impulso. Em 1914, a Ale­manha iria produzir 35 % da energia elétrica mundial, seguida por Estados Unidos (29%) e Inglaterra (16 %) .

França – A Revolução Francesa retardou o desenvolvimento econômico do país. A consolidação da pequena indústria e a tradição de produzir artigos de luxo dificultaram a grande concentração industrial. É difícil falar em Revolução Industrial francesa. Não houve arranque acelerado, mas lenta transformação das técnicas de produção e das estruturas industriais.

O processo se acelera a partir de 1848, com a adoção de medidas protecionistas, ou seja, impe­diu-se a importação de produtos industriais e estimulou-se a exportação. Assim mesmo; havia entraves ao avanço: houve retração demográfica no século XIX, com baixo índice de natalidade e lenta regressão na mortalidade; a estrutura agrária preservava a pequena propriedade, o que limitava o progresso tecnológico; faltava carvão e seu preço era o mais alto do mundo; os recursos iam para empréstimos públicos e investimentos no estrangeiro, em vez de ir para o setor produtivo.

A expansão industrial foi freada ainda pela prática do autofinanciamento, ou seja, a, o reinvestimento dos lucros na própria empresa, que preservava seu caráter familiar, limitado.

Itália – A unificação política e aduaneira impulsionou a industrialização, que arrancou no decênio de 1880-1890. O Estado reservou a produção de ferro e aço para a indústria nacional, favorecendo a criação da siderurgia moderna. A falta de carvão, ao elevar os custos, reduzia a competitividade no exterior. Protegida pelo Estado, a siderurgia se concentrava no norte e sua produção não era suficiente para o mercado inter­no, o que exigia importações. A indústria mecânica cresceu mais depressa, especialmente as de construção naval e ferroviária, máquinas têxteis e ligadas à eletrificação (motores, turbinas). A partir de 1905, a indústria automobilística de Turim conseguiu excelentes resultados.

Também protegida, a indústria têxtil era a única com capacidade de conquistar mercados externos. A falta de carvão estimulou a produção de energia elétrica. O problema mais grave estava na total concentração do processo de crescimento no norte, enquanto o sul permanecia agrário e atrasado.

Império Austro-Húngaro – Sua característica era a enorme mistura de povos e minorias nacionais. O desenvolvimento industrial se acelerou mais na ex-Tchecoslováquia (atuais Eslováquia e República Tcheca), sobretudo nos setores têxtil, de extração de carvão e siderurgia. Destacou-se a Skoda, famosa produtora de armas, material ferroviário, máquinas agrícolas, etc.

Suécia – Deu-se aqui um caso típico de rápido desenvolvimento ligado a pesados investi­mentos estrangeiros, principalmente alemães; o mecanismo se explica pelas relações entre grandes bancos suecos e alemães. Mais tarde, viriam os bancos franceses. A Suécia chegou a ter a dívida externa mais alta do mundo.

Na década de 1870, teve início a construção ferroviária. A partir dos anos de 1890, os alemães se voltaram para as minas de ferro, fundições e forjas. O aço de alta qualidade era exportado. Os franceses investiram mais em energia elétrica. Também tiveram importância a indústria madeireira e a química, como a de explosivos, controlada pelo grupo Nobel.

Rússia – A arrancada do último país da Europa a industrializar-se se deu entre 1890 e 1900, com taxa de crescimento industrial de 8% ao ano, jamais igualada pelo Ocidente. Motivos: participação do Estado, investimentos externos e presença de técnicos estrangeiros. A abolição da servidão em 1861 não mudou muito a estrutura agrária, baseada no mir, comunidade agrícola de culturas coletivas. A produtividade não cresceu, nem o poder aquisitivo dos agricultores; e não houve êxodo rural que fornecesse mão-de-obra excedente às indústrias.

O Estado exerceu papel importante. A compressão do consumo dos camponeses gerou excedentes de produtos agrícolas exportáveis, cujos rendimentos eram transformados em investimentos. Em 1913, metade do capital investido era estrangeira, com maior participação da França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Estados Unidos. As indústrias de mineração tinham 91% de capital estrangeiro; as químicas, 50%; as metalúrgicas, 42%; a madeireira, 37%; e a têxtil, 28%.

Formaram-se gigantescos conglomerados, como o Cartel Prodameta, que controlava trinta siderúrgicas e metalúrgicas, com capital francês. Explorava-se carvão da rica bacia do Donetz. A produção de máquinas era ainda reduzida. A descoberta de petróleo no Cáucaso deu origem a grande exploração, dominada pelos Rothschild de Paris. Controlada por ingleses e alemães, a indústria têxtil respondia por um terço da produção russa.

Estados Unidos – Primeiro país a industrializar-se fora da Europa, a partir de 1843, em resultado da conquista do oeste e dos enormes recursos daí advindos; alguns autores preferem como marco a Segunda Revolução Americana, a Guerra de Secessão entre 1860 e 1865, momento em que a classe capitalista do norte aumentou sua fortuna financiando o governo federal, fornecendo provisões aos exércitos e desenvolvendo a indústria ligada às necessidades do conflito. O resultado foi a consolidação do capitalismo industrial, representado politicamente pelos republica­nos. Não foi por acaso que, enquanto a abolição da escravatura destruía a economia sulista, o protecionismo alfandegário, a legislação bancária, a construção de estradas de ferro e a legislação trabalhista garantiam a supremacia do norte e de sua economia industrial.

Depois da guerra, o país tinha território unificado, rede de transportes em expansão, população crescente, poucas diferenças sociais. Isso permitia a produção para o consumo de massa, o que facilitava a racionalização da economia. O país dependia de seu próprio mercado, pois exportava apenas 10% do que produzia a Inglaterra, por exemplo, exportava 52%. Daí o caráter fortemente protecionista da industrialização americana. O dinamismo do país atraiu capitais europeus, que se voltaram para setores estratégicos, como ferro­vias. A descoberta de ouro na Califórnia acelerou ainda mais á economia,

Em 1890, algodão, trigo, carne e petróleo contribuíam com 75 % dá exportação. O beneficiamento de produtos agrícolas foi a primeira grande indústria; ás siderúrgicas e indústrias mecânicas superaram o setor agrícola apenas no início do século XX. Sua característica era a formação de enormes empresas, que produziam ferro, carvão, produtos siderúrgicos e ferroviários.

Em 1913, os americanos assumiriam á lide­rança na produção de ferro, carvão, aço, cobre, chumbo, zinco e alumínio. A indústria mecânica avançou, sobretudo á automobilística, com métodos racionais desenvolvidos pela Ford. A indústria têxtil deslocou-se para o sul. A elétrica, estimulada pelas investigações científicas que resultaram na fundação da Edison Electric Company, criaram filiais em vários países, como Itália e Alemanha.

Japão – Na Ásia, foi o país que mais depressa implantou sua Revolução Industrial. Até meados do século XIX, o Japão vivia fechado, com sua sociedade dominada por uma aristocracia feudal que explorava a massa de camponeses. Desde 1192, o imperador tinha poder simbólico; quem o exercia era o Shogum, supremo comandante militar. A economia monetária vinha se acentuando desde o século XVIII e á pressão dos Estados Unidos forçou em 1852 a abertura dos portos aos estrangeiros, atendendo a interesses de expansão dá indústria americana. O ponto de partida para ás grandes transformações foi o ano de 1868, com a Revolução Meiji (Luzes). Com apoio estrangeiro, o imperador tomou o poder do Shogum e passou á incorporar á tecnologia ocidental, para modernizar o Japão.

A Revolução Meiji aboliu o feudalismo, com finalidade nem tanto de melhorar a vida servil dos camponeses más de torná-los mais produtivos. A fortuna dos grandes comerciantes e proprietários aumentou, em prejuízo dos aposenta­dos e pequenos lavradores. A criação de um exército de trabalhadores, devido ao crescimento populacional, permitiu uma política de preços baixos, o dumping, favorável à competição no mercado externo.

Um aspecto importante foi a acumulação de capital nacional, decorrente dá forte atuação do Estado, que concedeu patentes e exclusividades e integrou os investimentos. Depois de desenvolver as indústrias, o Estado as transferia a particulares em condições vantajosas de pagamento. Forma­ram-se assim grandes concentrações industriais, zaibatsu, pois 40% de todos os depósitos bancários, 60% da indústria têxtil, 60% da indústria militar, a maior parte da energia elétrica, a indústria de papel e a de construção naval eram controlados por apenas quatro famílias: Sumitomo, Mitsubishi, Yasuda e Mitsui. A indústria pesada avançou devagar pela falta de carvão e ferro. Os recursos hidrelétricos foram explorados a partir de 1891. No início do século XX, a siderurgia deu um salto, criando a base para a expansão da indústria naval.

O Estado, assentado na burguesia mercantil e na classe dos proprietários, tinha apoio dos militares, que pretendiam construir o Grande Japão. O pequeno mercado interno impôs a busca de mercados externos e uma política agressiva, iniciada com a guerra contra a China (1894-1895), que proporcionou enorme indenização ao Japão. O mesmo aconteceu após a guerra contra a Rússia (1904-1905). A I Guerra Mundial (1914-1918) abriu espaços no mercado asiático, imediatamente ocupados pelo Japão.

Mudanças na estrutura industrial

As mudanças na estrutura da produção industrial foram tão aceleradas a partir de 1870, que se pode falar de uma Segunda Revolução Industrial. E a época em que se usam novas formas de energia: eletricidade, petróleo; de grandes inventos: motor a explosão, telégrafo, corantes sintéticos; e de intensa concentração industrial. A grande diferença em relação à primeira fase da Revolução Industrial era o estreito relacionamento entre ciência e técnica, entre laboratório e fábrica. A aplicação da ciência se impunha pela necessidade de reduzir custos, com vistas à produção em massa. O capitalismo de concorrência foi o grande propulsor dos avanços técnicos.

Novas fontes de energia foram substituindo o vapor. Já se conhecia a eletricidade por experiências em laboratório: Volta, em 1800 e Faraday, em 1831. O uso industrial dependia da redução do custo e, acima de tudo, da transmissão a distância. O invento da lâmpada incandescente por Edison em 1879 provocou uma revolução no sistema de iluminação.

Já se usava o petróleo em iluminação desde 1853. Em 1859, Rockefeller havia instalado a primeira refinaria em Cleveland. Com a invenção do motor de combustão interna pelo alemão Daimler em 1883, ampliou-se o uso do petróleo. A primeira fase da Revolução Industrial tinha se concentrado na produção de bens de consumo, especialmente têxteis de algodão; na segunda fase, tudo passou a girar em torno da indústria pesada. A produção de aço estimulou a corrida armamentista, aumentando a tensão militar e política. Novas invenções permitiram aproveitar minerais mais pobres em ferro e ricos em fósforo. A produção de aço superou a de ferro e seu preço baixou. O descobrimento dos processos eletrolíticos estimulou a produção de alumínio.

Na indústria química, houve grande avanço com a obtenção de métodos mais baratos para produzir soda cáustica e ácido sulfúrico, importantes para vulcanizar a borracha e fabricar papel e explosivos. Os corantes sintéticos, a partir do carvão, tiveram impacto sobre a indústria têxtil e reduziram bastante a produção de corantes naturais, como o anil.

O desenvolvimento dos meios de transporte representou uma revolução à parte. A maioria dos países que se industrializavam elegeu as ferrovias como o maior investimento. Elas em­pregavam 2 milhões de pessoas em todo o mundo em 1860. No final dessa década, somente os Estados Unidos tinham 93 000 quilômetros de trilhos; a Europa, 104 000, cabendo 22 000 à Inglaterra, 20 000 à Alemanha e 18 000 à França. A construção exigiu a mobilização de capitais, através de bancos e companhias por ações, e teve efeito multiplicador, pois aqueceu a produção de ferro, cimento, dormentes, locomotivas, vagões. O barateamento do transporte facilitou a ida dos trabalhadores para as vilas e cidades. Contribuiu, assim, para a urbanização e o êxodo rural. As nações aumentaram seu poderio militar, pois podiam deslocar mais depressa suas tropas. Ninguém poderia imaginar tal mudança quando Stephenson construiu a primeira linha em 1825, de Stockton a Darlington, na Inglaterra.

Depois que Fulton inventou o barco a vapor em 1808, também a navegação marítima se trans­formou. As ligações transoceânicas ganharam impulso em 1838, com a invenção da hélice. Os clíperes, movidos a vela, perderam lugar para os novos barcos, que cruzavam o Atlântico na linha Europa – Estados Unidos em apenas dezessete dias.

A Grande Depressão

A primeira grande crise do capitalismo, a Grande Depressão, começou por volta de 1873 e só terminou em 1896. O ciclo da crise é marcado pelas seguintes fases:

_ expansão: aumenta a produção, diminui o desemprego, crescem salários e lucros, ampliam­se as instalações e os empresários têm atitude otimista;

_ recessão: a empresa não usa toda a sua capacidade produtiva, o que aumenta os custos e provoca a alta da taxa de juros; os empresários temem investir em excesso;

_ contração: caem os investimentos, os empregados da indústria de bens de capital (indústria pesada) são demitidos, diminui o poder aquisitivo da população, os bancos reduzem os empréstimos, os empresários tomam todo cuidado com o custo da produção, têm postura pessimista;

_ revitalização: os preços baixam demais, estimulando alguns a comprar; os estoques se esgotam logo; os preços tendem a subir; os industriais recuperam a confiança e retomam o investimento em instalações.

A crise de 1873 – 1896 tem explicação estrutural. A organização dos trabalhadores, isto é, o aparecimento dos sindicatos nacionais, resultou em aumento real de salários entre 1860 e 1874. Por isso, os empresários preferiram in­vestir em tecnologia, para aumentar a produção com menos trabalhadores. De um lado, produção e lucros se mantiveram; de outro, declinou a massa global de salários pagos, determinando a recessão do mercado consumidor. Os capitais disponíveis não poderiam ser investidos na Europa, pois a produção aumentaria e os preços cairiam. Teriam de ser aplicados fora, através de empréstimos com juros elevados ou na construção de ferrovias.

A crise eliminou as empresas mais fracas. As fortes tiveram de racionalizar a produção: o capitalismo entrou em nova fase, a fase monopolista. Sua característica é o imperialismo, cujo desdobramento mais visível foi a expansão colonialista do século XIX, assunto do próximo capítulo. O imperialismo, por sua vez, caracteriza-se por:

_ forte concentração dos capitais, criando os monopólios;

_ fusão do capital bancário com o capital industrial;

_ exportação de capitais, que supera a exportação de mercadorias;

_ surgimento de monopólios internacionais que partilham o mundo entre si.

Formas de monopólio nesta etapa do capitalismo:

Truste – Um grupo econômico domina várias unidades produtivas; nos trustes horizontais, reúnem-se vários tipos de empresa que fabricam o mesmo produto; nos verticais, uma empresa domina unidades produtivas estratégicas       por exemplo, da mineração do ferro e carvão à fabricação de locomotivas, passando pela siderurgia;

Cartel – Empresas poderosas, conservando sua autonomia, combinam repartir o mercado e ditam os preços dos produtos que fabricam;

Holding – Uma empresa central, geralmente uma financeira, detém o controle das ações de várias outras empresas.

Imperialismo; o novo colonialismo partilha África e Ásia

A colonização portuguesa e espanhola do século XVI havia se limitado à América. Com raras exceções, as terras africanas e asiáticas não foram ocupadas. Ali, os europeus limitaram-se ao comércio, principalmente o de especiarias. Por isso, no século XIX, havia grandes extensões de terras desconhecidas nos dois continentes, que Portugal e Espanha não tinham condições de explorar. Começou então nova corrida colonial de outras potências européias, sobretudo as que haviam passado por uma transformação industrial, como Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha e Itália.

Os motivos do neocolonialismo

No século XVI, o objetivo colonialista era encontrar metais preciosos e mercados abastece­dores de produtos tropicais e consumidores de manufaturas européias. O interesse concentrou­-se na América.

São mais complexos os fatores que explicam o renascimento colonialista do século XIX: claro que havia, sobretudo, interesses econômicos; mas a eles se juntaram outros, sociais, políticos e até religiosos e culturais.

Nessa época, vários países europeus passavam pela Revolução Industrial. Precisavam encontrar fontes de matéria-prima (carvão, ferro, petróleo) e de produtos alimentícios que faltavam em suas terras. Também precisavam de mercados consumidores para seus excedentes industriais, além de novas regiões para investir os capitais disponíveis construindo ferrovias ou explorando minas, por exemplo.

Tal mecanismo era indispensável para aliviar a Europa dos capitais excedentes. Se eles fossem investidos na Europa, agravariam a Grande De­pressão e intensificariam a tendência dos países europeus industrializados de adotar medidas protecionistas, fechando seus mercados e tornando a situação ainda mais difícil. Some-se a tudo isso o crescimento acelerado da população européia, necessitada de novas terras para estabelecer-se. No plano político, cada Estado europeu estava preocupado em aumentar seus contingentes militares, para fortalecer sua posição entre as demais potências. Possuindo colônias, disporiam de mais recursos e mais homens para seus exércitos. Tal era a política de prestígio, característica da França, que buscava compensar as perdas na Europa, especialmente a Alsácia-Lorena, para os alemães. Ter colônias significava ter portos de escala e abastecimento de carvão para os navios mercantes e militares distribuídos pelo planeta.

Já os missionários se encaixavam nos fatores religiosos e culturais. Eles desejavam converter africanos e asiáticos. Havia gente que considerava mesmo dever dos europeus difundir sua civilização entre povos que julgavam primitivos e atrasados. Tratava-se mais de pretexto para justificar a colonização. Uma meta dos evangelizadores era o combate à escravidão. Dentre eles, destacaram-se Robert Moffat e Livingstone. Suas ações, em suma, resultaram na preparação do terreno para o avanço do imperialismo no mundo afro-asiático.

Também teve importância o movimento intelectual e científico. As associações geográficas chegaram a reunir 30 000 sócios, 9 000 somente na França. Famosos exploradores abriram caminho da mesma forma que os missionários: Savorgnan de Brazza, Morton, Stanley, Karl Petersoon, Nachtigal. É importante notar o desenvolvimento de ideologias racistas que, partindo das teorias de Darwin, afirmavam a superioridade da raça branca.

A partilha da África

Em 1830, a França invadiu a África e iniciou a conquista da Argélia, completada em 1857. Dez anos mais tarde, Leopoldo II da Bélgica deu novo impulso ao colonialismo ao reunirem Bruxelas, a capital, um congresso de presidentes de sociedades geográficas, para difundir a civilização ocidental dizia o rei; mas os interesses eram econômicos. Dali resultaram a Associação Inter­nacional Africana e o Grupo de Estudos do Alto Congo, que iniciaram a exploração e a conquista do Congo. Leopoldo era um dos principais contribuintes das entidades, financiadas por capitais particulares.

Outros países europeus se lançaram à aventura africana. A França, depois da Argélia, rapidamente conquistou Tunísia, África Ocidental Francesa, África Equatorial Francesa, Costa Francesa dos Somalis e Madagascar. A Inglaterra dominou Egito, Sudão Anglo-Egípcio, África Oriental Inglesa, Rodésia, União Sul-Africana, Nigéria, Costa do Ouro e Serra Leoa. A Alemanha tomou Camarões, Sudoeste Africano e África Oriental Alemã. A Itália conquistou Eritréia, Somália Italiana e o litoral da Líbia. Porções reduzidas couberam aos antigos colonizadores: a Espanha ficou com Marrocos Espanhol, Rio de Ouro e Guiné Espanhola; Portugal, com Moçambique, Angola e Guiné Portuguesa.

O ponto de partida para a corrida foi a Conferência de Berlim (1884 – 1885), proposta por Bismarck e Jules Ferry. Seu objetivo principal foi legalizar a posse do Congo por Leopoldo II.

A Europa ocupa tudo

Os investimentos em ferrovias abriram o mercado asiático para os produtos ocidentais e, no século XIX, finalmente os países do Ocidente passaram do simples comércio praticado nos por­tos à política de zonas de influência. Promoveram então uma verdadeira partilha do Oriente.

A Rússia era o país mais interessado em expandir-se para o oriente. Depois da ferrovia Moscou-Vladivostok, ela se chocou com a Inglaterra na Ásia Central e com o Japão na Manchúria.

Em 1763, os ingleses haviam tomado a Índia aos franceses e encarregado uma companhia de explorá-la. Em 1858, revoltaram-se os cipaios, nativos que serviam nos exércitos coloniais. A Índia foi então integrada ao Império Britânico. Na China, a Guerra do Ópio (1840-42) permitiu a conquista de Hong-Kong, Xangai e Nanquim. Uma associação secreta, a Sociedade dos Boxers, reagiu à invasão, promovendo atentados contra os estrangeiros; tinha apoio do governo chinês. As potências européias organizaram uma expedição conjunta, o que provocou a Guerra dos Boxers. Depois dela, as potências ocidentais dominaram a China inteira.

Os japoneses ocuparam a Coréia; os alemães, a Península de Shantung; os franceses, a Indochina. Os Estados Unidos estabeleceram um protetorado no Havaí e ocuparam Pearl Harbour. Em 1898, anexaram Havaí, Guam, Ilhas Marianas e Filipinas. Na América, ocuparam Porto Rico e, após guerra contra a Espanha, estabeleceram um protetorado em Cuba.

Em 1914, 60% das terras e 65 % da população do mundo dependiam da Europa. Suas potências tinham anexado 90% da África, 99% da Oceania e 56% da Ásia.

A administração neocolonialista

Nas áreas de dominação francesa, havia dois tipos básicos de ligação com a metrópole:

1. Colônia, ficava sob supervisão direta do Ministério das Colônias, com administração de um governador-geral, responsável por toda a atividade colonial;

2. Protetorado, bastante autônomo, administrado por gente da região, com supervisão de um representante da metrópole.

Entre os ingleses, havia mais variedade administrativa:

1. Colônia da Coroa, dependia diretamente do Escritório Colonial da metrópole;

2. Colônia, com certo grau de autonomia, tinha Parlamento eleito;

3. Domínio, praticamente independente, exceto no tocante às relações estrangeiras e à defesa.

A administração colonial dos outros países era semelhante à dos franceses e ingleses.

Política de espoliação

Foram os ingleses que organizaram melhor o sistema de exploração colonial. A extensão do império lhes proporcionou extraordinária variedade de recursos, humanos e materiais. A política econômica liberal, que vigorou na Inglaterra a partir de 1850, estendeu-se às colônias.

Já a política francesa tarifária (de aumento dos impostos) variava de acordo com a colônia e com o tipo de produtos que ela gerava e consumia.

A ocupação das colônias criou sérios problemas administrativos, pois os colonos vindos da metrópole queriam terras, o que só seria possível se eles as tomassem dos habitantes do país. Foi o que fizeram. Os europeus confisca­ram as terras diretamente ou usaram regiões em disponibilidade ou, ainda, forçaram tribos nômades a fixar-se em territórios específicos. Para encorajar a colonização, a metrópole concedeu a exploração das terras a particulares ou a grandes companhias que tivessem condições de realizar grandes empreendimentos, de rendimento elevado.

Para evitar toda concorrência, a metrópole só permitia indústria extrativa, mineral e vegetal. Mesmo assim, a indústria colonial progrediu, impulsionada pela abundância de matéria-prima e mão-de-obra.

A colonização, na medida em que representou a ocidentalização do mundo, destruiu estruturas tradicionais, que muitas vezes não se recompuseram, e nada construiu em seu lugar. Na Índia, o artesanato desapareceu. No Congo, os belgas obrigaram as populações nativas a executar trabalhos forçados e a pagar impostos. Na Argélia, a fim de liberar mão-de-obra, os franceses destruíram a propriedade coletiva do solo e o trabalho comunitário, o que levou muitas pessoas à fome e à indigência.

Imperialismo: a supremacia inglesa na Era Vitoriana

A indiscutível supremacia da Inglaterra -na Europa do século XIX atingiu seu apogeu entre -1850 e 1875. O país, que havia iniciado sua Revolução Industrial mais de cem anos antes, colocou-se quase um século na frente dos demais Estados europeus. Somente na segunda metade do século XIX foi que França, Itália e Alemanha começaram a avançar, mas não o suficiente para abalar a hegemonia inglesa.

A Inglaterra enviava homens, capitais, car­vão, tecidos e máquinas para o mundo inteiro. A supremacia naval completava a supremacia econômica. As camadas médias prosperavam, e seu papel político ganhava importância. Londres era a maior cidade do mundo, e o Parlamentarismo, um regime político estável, maleável para que as reformas se antecipassem às necessidades sociais. Assim, a Inglaterra evitou as agitações que assolaram a Europa dos fins do século XVIII ao século XIX.

A união de desenvolvimento econômico com progresso social e estabilidade política criou condições para a formação de um vasto império colonial na América, África e Ásia.

A dinastia Hannover, surgida no início do século XVIII, teve na rainha Vitória (1837-1901) o grande símbolo da virtude e da perseverança inglesas. Ela governou o país durante o período de supremacia britânica, por isso mesmo chamado de Era Vitoriana.

Evolução econômica

Depois de 1815, quando terminaram as guerras com a França, a agricultura inglesa entrou em crise. A paz trouxe a queda de preços dos cereais; os pequenos proprietários tiveram de vender suas terras. A concentração de propriedades deu origem a uma agricultura intensiva, dotada de moderna tecnologia. Os grandes proprietários, controlando o poder político, fizeram aprovar leis para impedir a importação e manter altos os preços no país: as Leis dos Cereais (Corn Laws).

O crescimento da indústria e da importância dos industriais mudou tal situação. Com cereais caros; eles tinham de pagar salários mais altos, o que diminuía seus lucros. Portanto, defendiam a livre importação de cereais. A campanha pela extinção das Corn Laws começou por iniciativa de Cobden, industrial que pregava o livre­cambismo, ou liberdade de troca, como forma de baratear os alimentos e matérias-primas industriais, bem como de abrir mercados para os produtos industrializados ingleses. Entre 1848 e 1852, todas as leis restritivas foram abolidas, inclusive os Atos de Navegação, baixados no século XVII.

A Inglaterra consolidou então sua hegemonia comercial em todo o mundo. Controlava 80% da construção de navios de ferro. Sua frota mercante representava 60% da tonelagem mundial. Soma­dos, o comércio francês e o alemão representavam menos de 80% do comércio inglês, em 1870. A Inglaterra comprava alimentos e matérias-primas e exportava para todos os continentes produtos industrializados e capitais.

A concentração industrial do norte e oeste, perto das bacias carboníferas e dos grandes por­tos, fez nascer a lnglaterra Negra         em oposição à Inglaterra Verde do sul e sudoeste; dominada pela agropecuária. Em 1870, o país produzia dois terços do carvão mundial. A indústria metalúrgica concentrava-se em Birmingham e Sheffield. A expansão estava ligada ao desenvolvimento da indústria ferroviária e a novos métodos de obtenção de aço.

A partir de 1890, começaram a surgir grandes concentrações industriais, como forma de conter a concorrência: reuniam siderúrgicas, empresas de mineração e de construção naval. Londres era o primeiro mercado mundial de lã; Leeds e Bradford processavam a matéria-prima importa­da. Cresceu a indústria têxtil do algodão. Seu centro era Manchester, que recebia fibra da América e exportava tecido, sobretudo para o Extremo Oriente. Em 1850, essa exportação representava metade da exportação inglesa global.

A abundância de carvão impediu o desenvolvimento hidrelétrico. A química também estava em atraso, porque a Inglaterra recebia da Alemanha quase todo o corante de que precisava.

Problemas sociais

Um traço marcante foi o acelerado crescimento demográfica. Havia 11 milhões de ingleses no início do século XIX; em 1870, eles eram 26 milhões, graças à queda da mortalidade, conseqüência do progresso da medicina e da melhoria de condições de higiene, junto com o aumento da natalidade. O êxodo rural superlotou as cidades, que em 1870 concentravam 70% da população. Londres tinha mais de 3 milhões de habitantes.

Surgiram problemas. O excesso de mão-de-obra comprimiu os salários. Os trabalhadores viviam em subúrbios miseráveis. Cresceu a ten­são social, e as leis se tornaram mais severas. A classe trabalhadora reagiu de diferentes formas. Primeiro, houve tentativas de greves gerais, que falharam porque os operários não tinham condições de sustentar-se durante as paralisações. Os sindicatos trataram de constituir-se como organizações defensoras dos interesses de classe.

Entre 1870 e 1880, os sindicatos conseguiram para os operários igualdade perante a lei, direito de greve, regulamentação do horário de trabalho e a responsabilidade patronal em caso de acidente de trabalho. Outra solução para a questão social foi a emigração. A Inglaterra tornou-se o grande celeiro de emigrantes do século XIX.

No topo da sociedade, continuava a dominar a aristocracia fundiária, uma classe fechada mas receptiva à chegada dos ricos burgueses, industriais ou comerciais. Desta fusão, resultava uma elite poderosa, diferenciada do ponto de vista econômico, não do nascimento.

Trajetória política

A partir de 1850, conservadores e liberais se alternaram no poder. Depois do governo do liberal Palmerston, preocupado com questões externas, os dois grandes líderes políticos foram: Gladstone, liberal, pacifista, religioso, e Disraeli, conservador, defensor da monarquia democrática e da expansão do império.

Em 1867, Disraeli adotou uma lei eleitoral que beneficiou a Inglaterra industrial, ou seja, os setores novos da sociedade.

A questão da Irlanda

Dominada pela Inglaterra fazia séculos, a Irlanda jamais se havia deixado subjugar completamente. De língua céltica e religião católica (exceto no Ulster, ao nordeste), opunha-se aos ingleses que exploravam seus pequenos proprietários e lhes tomavam as terras, em caso de atraso no pagamento de tributos. A situação se agravou na Grande Fome (1846-47), quando a Irlanda perdeu 3 milhões de habitantes, mortos ou emigrados. Um grupo de tendências radicais dominou então o país.

Pela Associação Católica, O’Connel foi eleito em 1829 para o Parlamento, como representante da Irlanda. Com apoio de Gladstone, ele defendeu um governo autônomo para a Irlanda, sem resultado. Sobrevieram atentados, que o governo britânico reprimiu duramente. A sociedade secreta dos Fenianos, com apoio de emigrados nos Estados Unidos, tentou sublevar o país em 1867. A questão continuaria pelo século XX afora, mesmo depois que a Irlanda conseguiu independência parcial.

O Império Britânico

Os ingleses se expandiram por meios pacíficos ou belicosos. No início do século XX, o Império Britânico tinha 400 milhões de habitantes, em 35 milhões de km2 de terras na América, Ásia, Oceania e África.

Tornou-se importante controlar os mares. Superior a qualquer outra marinha européia, a inglesa dominava posições estratégicas no Mediterrâneo, Atlântico, Índico, no sul da África e nas rotas Índia-China e Mediterrâneo-Índia.

Depois de 1815, os ingleses se haviam apossa­do da Índia, Egito, Sudão, Nigéria, quase todo o sul africano; conquistaram e colonizaram a Austrália e a Nova Zelândia; impuseram sua tutela à Birmânia, Beluchistão, Mesopotâmia e Palestina.

Os domínios

As formas de ocupação variavam, mas havia essencialmente dois tipos de colônia: as de comércio, nos trópicos; e as de povoamento, nas regiões temperadas. Os traços mais gerais do colonialismo inglês foram:

_ liberalismo econômico, em substituição ao monopólio;

_ a abolição do tráfico de escravos, em 1807; _ a abolição da escravidão, em 1833;

_ a autonomia considerável nas colônias em que predominava a população branca, como no Canadá.

As unidades autônomas eram chamadas domínios. Entre eles e a metrópole as relações acabaram sendo de igual para igual, pois, com o tempo, o Império se transformaria em federação de Estados livres, ligados apenas por interesses econômicos: a Commonwealth, ou Comunidade das Nações.

Nas colônias de exploração comercial, o regi­me variava. Algumas eram administradas direta­mente pelo Estado inglês e outras, confiadas a companhias que detinham algum monopólio.

A Índia é um exemplo característico da colonização britânica. A conquista deu-se entre 1798 e 1849. Os ingleses respeitaram os costumes locais e construíram ferrovias. Em 1857, com a revolta dos cipaios, os soldados indígenas, seguiram-se dezoito meses de combates e represálias sangrentos. Para evitar novos problemas, a Inglaterra reorganizou o país. A Companhia das Índias perdeu seus privilégios. E funcionários designados pelo governo britânico passaram a administrar a Índia.

A ciência e a cultura no século XIX

Do ponto de vista científico e cultural, as características dominantes no século XIX avançaram pelo século XX. Houve progressos enormes em todos os campos da ciência e numerosas invenções na física e na química. A difusão de suas aplicações revolucionou indústria e comércio, transformando as condições de vida.

Com o triunfo do maquinismo, a renovação dos instrumentos de produção, a reformulação dos métodos e a concentração empresarial, abriu­se nova era para a humanidade: a era da civilização científica.

O progresso científico

A organização mais eficiente do trabalho acelerou o progresso científico. Antes, os pesquisa­dores eram em geral amadores. A Revolução Francesa criou museus e escolas politécnicas, com ensino de Ciências. A aplicação dos conhecimentos estimulou novos inventos, que levaram a novas pesquisas e descobertas.

Durante a Revolução e o Império surgiram na França matemáticos ilustres, como Lagrange, Monge e Laplace. Na Física, os resultados mais significativos ocorreram no campo da óptica, da teoria do calor e da eletricidade. Fresnel demonstrou que a luz é uma vibração que se propaga por ondas. Carnot, estudando o rendimento das má­quinas a vapor, estabeleceu os princípios funda­mentais da termodinâmica em 1824.

Em 1800, o italiano Volta inventou a pilha elétrica, geradora de corrente contínua. Ampère estabeleceu os princípios que tornaram possível o desenvolvimento técnico da eletricidade: ele formulou as leis do eletromagnetismo, demonstrando a existência de certa identidade entre os fenômenos elétricos e magnéticos, e construiu o eletroímã.

O inglês Faraday descobriu as correntes de indução, fontes de inumeráveis aplicações práticas. Em 1889, o alemão Hertz mostrou que as oscilações elétricas propagavam-se no espaço através de ondas, como a luz. O francês Becquerel descobriu, em 1896, os fenômenos radiativos: a propriedade de certos corpos de emitir radiações. Em 1900, Pierre Curie e sua mulher Marie, poloneses radicados na França, isolaram o mais pode­roso corpo radiativo: o rádio.

Químicos e naturalistas aprofundaram o conhecimento sobre a matéria e a vida. Descobriram numerosos elementos químicos, como potássio, sódio, bromo; agruparam as substâncias de acordo com suas propriedades e classificaram-nas em sais, ácidos e óxidos, com enorme utilidade para a metalurgia. A criação da química orgânica enriqueceu a química mineral. Gay-Lussac, grande representante da escola francesa, descobriu o iodo. Os trabalhos de Berthelot derrubaram as barreiras entre química mineral e orgânica, trazendo soluções ao problema da síntese orgânica.

Em 1833, o alemão Gauss inventou o telégrafo elétrico; o americano Morse criou o aparelho transmissor em 1835. No fim da década, a partir dos trabalhos de Daguerre, surgiu a fotografia.

Em Paris, o Museu de História Natural tornou-se centro de pesquisadores ilustres, como Cuvier, fundador da paleontologia, e Lamarck, estudioso da influência do meio nas modificações dos seres vivos. Em 1859, o inglês Darwin publicou Origem das Espécies, dando início à teoria evolucionista.

Claude Bernard afirmava que os fenômenos biológicos obedeciam às mesmas leis que regiam os corpos inanimados. Para demonstrar tal teoria, usou o método experimental, até ali exclusivo para fenômenos físicos. Pasteur descobriu que a fermentação e as doenças infecciosas resultavam da ação de seres vivos, micróbios e bactérias. Isolou-os e cultivou-os artificialmente. Isto permitiu a fabricação de vacinas, importantes na prevenção de doenças infecciosas.

As ciências humanas avançaram, destacada­mente a Geografia e a História. Michelet, Guizot e Therry procuraram recriar uma imagem viva do passado; Alexis de Tocqueville salientou a importância dos aspectos econômicos e sociais na com­preensão da História. Com Fustel de Coulanges, a História adquiriu rigor minucioso: ele estudou a Gália, os capetíngios e os carolíngios.

Com Vidal de la Blache, a Geografia adquire novas dimensões. No campo da Psicologia, os franceses Janet e Dumas estudaram os automatismos. O estudo de doenças mentais, especialmente o de Charcot, levaram Freud à exploração do inconsciente e à criação da psicanálise.

A partir de Auguste Comte, pai do positivismo, a sociologia procurou determinar as leis que regem os fenômenos sociais, mostrar sua influência sobre a mentalidade individual e as representações coletivas, transformando a consciência moral em imperativo dos grupos sociais – negando o sentido universal dos valores morais. Representantes desta escola foram Durkheim, autor de O Suicídio (1897), e Lévy-Bruhl.

No fim do século, o racionalismo estreito bateu em retirada. O francês Bergson contribuiu para tanto, com sua tese de 1889, que procurava forças vivas do pensamento, por oposição às construções artificiais da inteligência. O alemão Nietzsche exaltou a superioridade dos valores vitais em face da ciência e da razão. O americano William James desenvolveu o pragmatismo, empirismo radical segundo o qual uma verdade é uma ação que tem êxito.

Tendências literárias

O Romantismo surgiu como reação a um Classicismo acadêmico e ao intelectualismo do século XVIII. Enfatizava o sentimento e o indivíduo. Surgiu na Inglaterra, com Wordsworth, Byron, Shelley, e na Alemanha, com Goethe, Schiller e Heine; por volta de 1820 atingiu a França, onde teve precursores como Rousseau, Chateaubriand e Madame de Staël.

Na poesia, destacaram-se os franceses Lamartine, Victor Hugo, Musset e Vigny; no romance, Stendhal, Balzac e Dumas; no teatro, Dumas, Musset e Victor Hugo, autor de Hernani (1830). O Romantismo entrou em declínio a partir de 1850. Na poesia, triunfou a doutrina da arte pela arte, ou poesia dos parnasianos, como Leconte de Lisle, hostil à exaltação dos sentimentos íntimos. Mais tarde, Baudelaire anunciaria o Simbolismo. No romance, firmava-se a corrente realista de Flaubert na França, Dickens na Inglaterra, Tolstoi e Dostoievski na Rússia.

A partir de 1875, a literatura apresenta duas tendências marcantes. Sob influência do Naturalismo, o romance acentua a relação entre indivíduo e seu meio; torna-se um instrumento nas mãos daqueles que pretendem estimular a reflexão sobre as condições de sua época.

O Naturalismo punha em evidência as preocupações sociais do Realismo. A meta do Naturalismo era o realismo levado ao limite extremo. O romance tornava-se o processo verbal da vida, ganhava conotação pessimista, identificava-se com as tendências socialistas. Daí seu aspecto engajado, como nos textos de Zola. Seguem a mesma linha Verga na Itália; Blasco Ibanez na Espanha; Thomas Mann na Alemanha; Thomas Hardy na Inglaterra; Máximo Gorki na Rússia.

A arquitetura

Na França, permaneciam traços da arte barroca, dominante durante o Império. O uso de ferro (Pavilhão da Indústria de 1878, Torre Eiffel de 1889) não deu origem a um estilo verdadeiramente novo. Os ingleses buscavam uma arte nacional, com estilo próprio, daí a importância do tijolo à vista, que recuperava o estilo Tudor.

No Salão dos Artistas Decoradores de Paris, em 1901, surgiria um esforço para a criação de uma arte decorativa aplicável a todas as outras, da fachada do prédio aos móveis. Inspirava-se na natureza, em especial na flora, e empregava a linha curva, apropriada ao uso do ferro.

Uma revolução resultou da invenção do concreto armado por Joseph Monnier, em 1848. Depois ‘de; tentativas de definição de formas mais racionais no Teatro dos Campos Elísios, na França, foi na América que a mistura encontrou singular aplicação. O elevado preço dos terrenos e a concentração urbana impuseram a construção de edifícios elevados – o primeiro surgiu em Chicago, entre 1884 e 1887. Os arquitetos alemães definiram formas originais e o estilo de Munique se impôs na exposição de Colônia, em 1914.

A pintura

A pintura apresentou tendências notáveis. Ela se firmou como oposição ao Academismo, inicia­do no final do século XVI com os bolonheses         Carracci. Segundo esse movimento, os artistas – deveriam inspirar-se na mitologia grega e nas – histórias da Bíblia, reproduzindo a vida, a natureza e o homem. Procuravam imitar os renascentistas na composição (Rafael), na cor (Ticiano) e na técnica do claro-escuro (Da Vinci).

A pintura do século XIX também se opunha ao Neoclassicismo, que dominou a Europa em meados do século XVIII e que tinha muitos pontos em comum com o estilo das academias, o Academicismo. Os neoclássicos tinham paixão pela Antiguidade; afirmavam a existência de uma forma bela, ideal, absoluta e eterna, que se encontrava sobre­tudo entre os escultores gregos. O exemplo da tendência na Inglaterra foi Ingres, que pintou Édipo Explica o Enigma da Esfinge. Na França, temos Louis David, pintor oficial do Império Napoleônico, autor de A Morte de Marat. A pintura francesa do século XIX seguiu sua escola. Mas, aos poucos, a arte abandonou os temas clássicos e voltou-se para o cotidiano, mais próximo dos anseios políticos e sociais do povo.

O Romantismo logo dominou a pintura, como oposição ao Neoclassicismo. Dava à cor maior expressão que ao desenho. Pregava a liberdade e orientava-se mais pelo sentimento que pela razão. Surgiram então grandes paisagistas, como Delacroix e Corot.

Gross, autor de Os Pestilentos de Jafa, desviou-se dos ensinamentos neoclássicos de Louis David: deu às figuras maior movimento e cores mais expressivas. Mas foi Delacroix o grande pintor romântico. Sua obra mais famosa é A Liberdade Guiando o Povo, em que se retrata com um fuzil nas mãos em defesa da liberdade, na revolta parisiense de 1830.

Na segunda metade do século surge o Realismo. Os neoclássicos haviam se preocupado com o desenho, e os românticos, com a cor. Os realistas agora centravam a atenção no equilíbrio entre cor e desenho, entre emoção e inteligência. Abandonaram temas históricos e concentraram-se em cenas diárias, inspirados pelas idéias políticas dominantes. Afirmavam que ser realista não era ser exato, mas verdadeiro. Destacou-se Gustave Courbet, que, recusado pelo júri da Exposição Universal, expôs em plena rua, em Paris. Marc Chagall, nascido na Rússia, foi um pioneiro do Realismo.

Ao Realismo sucedeu um movimento chama­do Impressionismo. Um dos principais precursores do Impressionismo foi Édouard Manet. Em 1863, Manet enviou ao Salão dos Artistas Franceses a tela Almoço na Relva, que foi recusada pelo júri. O imperador Napoleão III determinou então que fosse organizada uma exposição paralela, chamada Salão dos Recusados. A tela de Manet causou grande escândalo, mas marcou uma nova tendência na pintura. O jornalista Louis Leroy, vendo Impressões do Sol Nascente, de Monet, acusou a ele e a seu grupo de só fazerem borrões. E os chamou ironicamente de impressionistas.

Essa nova tendência, o Impressionismo, destacava o efeito da luz solar sobre os objetos; os pintores impressionistas procuravam registrarem suas telas as constantes alterações que essa luz provoca nas cores da natureza. Em abril de 1874, foi inaugurada a primeira exposição de obras impressionistas. Entre os expositores estavam Renoir, Degas, Pissarro, Cézanne, Sisley, Monet e Morisot. O público reagiu negativamente diante dessas obras.

Em 1886, eles passaram a ter seu próprio salão. Em oposição aos artistas que pintavam em ateliês, os impressionistas saíam ao ar livre, em busca do sol e das mudanças de luminosidade na natureza. A arte da caricatura evoluiu com esse movimento; floresceu com Toulouse-Lautrec, autor de cartazes para teatro.

Em 1905, surgiu o Expressionismo, reação contra o Academismo e o Impressionismo, sob influência do holandês Van Gogh e do alemão Edvard Munch. Eles deformavam as imagens, buscando o drama interior do homem, a verdade por meio da emoção. Os expressionistas viviam o drama de cada ser humano e da sociedade: miséria, infância infeliz, vícios, injustiças, angústias. Van Gogh tratou o tema magistralmente, como se pode ver no auto-retrato com a orelha cortada.

O Fovismo surgiu no mesmo ano de 1905. No Salão de Paris, Henri Matisse e outros fizeram uma exposição, na qual havia uma estátua do florentino Donatello. Um crítico francês disse que o mestre italiano estava entre fauves (feras), referindo-se às cores fortes e puras, sem mediações, dos jovens pintores. O movimento revelava influências de Van Gogh e Gauguin, já falecidos. Os fovistas abandonaram as regras tradicionais acadêmicas, o desenho detalhado, o claro-escuro; usavam as cores de forma selvagem, realçando os contornos com traços negros.

Gauguin ficou entre o Expressionismo e o Fovismo. Levou vida tumultuada e morreu na miséria no Taiti. Achava importante recriar a natureza dando a cada imagem um valor simbólico, que podia ser alterado e deformado. Usava cores fortes combinadas a técnica simples.

O Cubismo surgiu em 1908. Desde 1906, Pablo Picasso e Georges Braque vinham dando novas formas à representação do corpo, procurando reduzi-lo a seus elementos geométricos básicos. Seus quadros resultavam de partes de objetos variados da natureza, num jogo de linhas e planos. Diz-se que a tela de Picasso As Senhoritas de Avignon (1907, Paris) foi a primeira obra cubista; outros dão a primazia a Braque, pela exposição de 1908 sobre temática paisagística.

O mesmo crítico que batizou o Fovismo chamou de cubos as paisagens de Braque. O movi­mento teve forte influência sobre a produção industrial e abriu caminho para o Futurismo. Picasso, um dos maiores pintores de todos os tempos, produziu a principal obra do Cubismo: Guernica, nome da cidade bombardeada pelos alemães a pedido do ditador espanhol Francisco Franco. O desespero da população foi representa­do em preto, branco e cinza, numa tela de 8 x 3,5 metros. Um documento de dor da Humanidade.

As bases do Futurismo foram lançadas num manifesto assinado pelo escritor italiano Filippo Marinetti. Exigia a destruição do passado e a glorificação do futuro. Seus temas eram multidões, fábricas, arsenais, pontes, locomotivas, aviões, motores. Na pintura, tal como no cinema, as imagens aparecem dinamizadas pela repetição, como o célebre Cão, de Bala. Os futuristas que­riam transmitir situações tensas, em constante mutação, em oposição aos cubistas.

Em 1910, surge o Abstracionismo, resulta­do da evolução da pintura de Kandinsky, inicialmente fovista e acadêmico. Para ele, um quadro retratava um estado de espírito, não era a mera representação de objetos. A força das cores expressaria o sentimento. Formas e cores eram seus ritmos e sons. O abstracionismo de Kandinsky era sensível, mais ligado aos senti­mentos, enquanto o de Mondrian era geométrico, matemático.

Escultura

Auguste Rodin paira como grande nome da escultura. Com O Beijo, Os Burgueses de Calais e sobretudo O Pensador, influenciou decisiva­mente a evolução da escultura francesa e mundial. Preocupava-se com a miséria humana, a grandeza heróica da Humanidade, seus sonhos.

Música

A escola romântica alemã dominou a música. Na primeira geração, destacam-se Schubert e Beethoven; na segunda, Schumann, Mendelssohn, Chopin e Berlioz; na terceira, Liszt e Wagner; Brahms representou o retorno ao Classicismo. Os italianos Verdi e Puccini produziram óperas imortais. Fauré, Debussy e Ravel brilharam na França e marcam uma renovação. Na Rússia, Rimsky-Korsakov seguiu uma linha desligada de influências ocidentais, enquanto Tchaikovsky permaneceu ligado à música clássica. O austríaco Schönberg trouxe à tona a música atonal.

A musicalidade e a nostalgia dos negros americanos deu origem a uma música nova, destinada a fazer sucesso em todo o mundo contemporâneo: o jazi. Sua origem se localiza nas canções de trabalho, work-songs; nos cantos religiosos, spirituals e gospel-songs; e nos blues, cantos melancólicos não-religiosos. A primeira banda surgiu em Nova Orleans em 1912. O jazz penetrou em Chicago em 1914 e em Nova York em 1917.

Cinema

A partir de 1882, as experiências com movimentação de imagens fotográficas prepararam o advento do cinema. Os irmãos franceses Lumière e o americano Thomas Edison realizaram as primeiras projeções cinematográficas. Os Lumière projetaram o primeiro material filmado, em 1895.

Das cenas reais, passou-se à filmagem de temas sentimentais e históricos com atores, em minúsculos estúdios. Em 1912, surgiu a sincronização entre a película e o fonógrafo, antecipando o cinema falado. A futura sétima arte se expandiria nos Estados Unidos. O Nascimento de uma Nação, de Griffith, criador das técnicas de montagem, foi um marco na história do cine­ma como forma de arte e entretenimento. Rapidamente, Hollywood se tornou a fábrica de sonhos, geradora de celebridades populares em todo o mundo. Mary Pickford, Theda Bara, Charles Chaplin e Rodolfo Valentino, eis apenas alguns dos grandes nomes do cinema em seus primórdios.

Neoliberalismo – a cara do capitalismo contemporâneo – e pós neoliberalismo

O capitalismo passou por várias fases na sua história. Como reação à crise de 1929, fechou-se o período de hegemonia liberal, sucedido por aquele do predomínio do modelo keynesiano ou regulador. A crise deste levou ao renascimento do liberalismo, sob nova roupagem que, por isso, se auto denominou de neoliberalismo.

Este impôs uma desregulamentação geral na economia, com o argumento de que a economia havia deixado de crescer pelo excesso de normas, que frearia a capacidade do capital de investir. Desregulamentar é privatizar, é abrir os mercados nacionais à economia mundial, é promover o Estado mínimo, diminuindo os investimentos em politicas sociais, em favor do mercado, é impor a precariedade nas relações de trabalho.

A desregulamentação levou a uma gigantesca transferência de capitais do setor produtivo ao especulativo porque, livre de travas, o capital se dirigiu para o setor onde tem mais lucros, com maios liquidez e menos tributação: o setor financeiro. Porque o capital não está feito para produzir, mas para acumular. Se pode acumular mais na especulação, se dirige para esse setor, que foi o que aconteceu em escala mundial.

O modelo neoliberal se tornou hegemônico em escala mundial, impondo as politicas de livre comércio, de Estados mínimos, de globalização do mercado de trabalho para os investimentos, entre outros aspectos. É uma nova fase do capitalismo, como foram as fases de hegemonia liberal e keynesiana. Não se pode dizer que seja a última, porque um sistema sempre encontra formas – mesmo que aprofundem suas contradições – se outro sistema não surge como alternativa, com a força correspondente para superá-lo.

Mas é uma fase difícil de ser superada, porque a desregulação tem muitas dificuldades para ser superada. Mesmo com a crise atual afetando diretamente os países do centro do capitalismo, provocada pela fata de regulação do sistema financeiro, ainda assim pouco ou quase nada foi feito para o controle do capital financeiro, justamente a origem da crise. Como já se disse: Obama salvou os bancos, achando que os bancos salvariam a economia dos EUA. Mas os bancos se salvaram às custas da economia norteamericana, que segue em crise.

É difícil para o capitalismo desembaraçar-se do neoliberalismo, etapa que marca o final de um ciclo desse sistema. A discussão que se coloca é de se o modelo chinês representa vida útil e inteligência mais além do neoliberalismo ou do capitalismo. Se sua via de mercado se vale do mercado para superar o capitalismo ou se o mercado o vincula de obrigatória e estreita ao capitalismo.

O certo é que ser de esquerda hoje é de lutar contra o neoliberalismo, não apenas resistindo a ele, mas sobretudo construindo alternativas a este modelo, allternativas que projetem para além do capitalismo. O neoliberalismo promove um brutal processo de mercantilização das coisas e das relações sociais. Tudo passa a ter preço, tudo pode ser compra e vendido, tudo é reduzido a mercadoria, em um processo que tem no shopping center sua utopia.

Nesse caso, lutar pela superação do neoliberalismo é desmercantilizar, restabelecer e generalizar os direitos como acesso a bens e serviços, ao invés da luta selvagem no mercado, de todos contra todos, para obtê-los às expensas dos outros. Generalizar a condição do cidadão às expensas da generalização do consumidor. Do sujeito de direitos e não do dono de poder aquisitivo.

Quanto mais se desmercantilizar, quanto mais se afirmar os direitos de todos, mais se estará criando esfera pública, às expensas da esfera mercantil (que eles chamam de privada). Essa pode ser a via de passagem do neoliberalismo como estágio do capitalismo à sua superação, a uma era pós-capitalista. Mas hoje o que nos une a todos é a luta por distintas formas de pós neoliberalismo – pela universailização dos direitos, pela extensão da cidadania em todas suas formas – politica, econômica, social, cultural -, pelo triunfo do Estado social contra o Estado mínimo, da esfera pública contra a esfera mercantil.

Para saber mais: http://www.marxists.org/portugues/lenin/1916/imperialismo/index.htm

O que é socialismo

Está no Youtube para quem quiser assistir. Ana Maria Braga, apresentadora da Rede Globo, pergunta a Petkovic, atacante do Flamengo, sobre a Iugoslávia: “Como foi nascer num país com tantas dificuldades?”. Petkovic: “Quando eu nasci não tinha dificuldade nenhuma. Era um país-maravilha, vivíamos num regime socialista, todo mundo bem, todo mundo trabalhando, tinham salário. Os problemas aconteceram depois dos anos 1980”.

A câmera corta de repente o entrevistado e volta para Ana Maria Braga, completamente perdida diante da inesperada declaração de apoio ao socialismo, feita ao vivo para todo o Brasil por um ídolo do esporte.

Sejamos claros: apesar das inúmeras conquistas sociais, fruto da expropriação da burguesia em 1945, a antiga Iugoslávia não era um país-maravilha. Os conflitos sangrentos dos anos 1990 não surgiram do nada. Foram preparados pela burocracia dirigente com décadas de divisão e isolamento de um dos países mais pobres da Europa.

Mas a declaração de Petkovic nos ensina algo importante: o ideal socialista, apesar de todas as mentiras e injúrias sofridas, vive e pulsa no coração de milhões. Vez por outra ele se anuncia, em palavras ou em atos, de indivíduos ou de multidões, consciente ou inconscientemente.

O socialismo é um tipo de sociedade

A ideia de construir uma sociedade sem classes sociais ou exploração existe há centenas de anos. Mas foi somente na metade do século 19 que o projeto socialista recebeu um embasamento científico na obra dos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels. Antes deles, o socialismo não passava de um sonho bem intencionado, de uma ideia romântica e confusa.

Estudando o funcionamento da sociedade capitalista, Marx e Engels perceberam que a origem da desigualdade estava na propriedade privada dos meios de produção: fábricas, terras, instrumentos e matérias-primas. Era o que permitia a uma ínfima minoria explorar a imensa maioria. Concluíram daí que a construção do socialismo passaria pela abolição da propriedade privada e a socialização de toda a riqueza existente, o que por sua vez exigiria uma revolução violenta, já que a burguesia não cederia sua posição de classe dominante sem resistência. Por último, consideravam que apenas o proletariado, por sua condição de classe explorada, numericamente predominante e destituída de qualquer propriedade, seria capaz de realizar essa revolução.

Socialismo: um sistema racional e ordenado

No capitalismo cada burguês produz o que quer e quanto quer. A economia capitalista não se submete a qualquer controle social. O único elemento regulador é o mercado. Se as mercadorias forem vendidas, ótimo. Se não, elas serão destruídas ou apodrecerão, a empresa entrará em crise, fechará suas portas e demitirá seus funcionários. Ao mesmo tempo em que desperdiçam uma enorme quantidade de trabalho e riquezas em produções inúteis, os capitalistas deixam de produzir itens fundamentais para a sociedade, simplesmente porque dão pouco ou nenhum lucro. Assim, na sociedade capitalista sobram carros, mas faltam trens; sobram prédios de luxo, mas faltam casas populares; sobra tecnologia militar, mas faltam aparelhos médicos dos mais simples. O capitalismo é o império do caos e da desordem a serviço do lucro.
No socialismo isso não acontece. O proletariado, que se torna a classe dominante graças à expropriação da burguesia, controla racionalmente a produção e o consumo de acordo com as necessidades da população e a capacidade da economia. É o que chamamos planificação econômica.

Utilização racional dos recursos naturais disponíveis, produção em base a um plano discutido em toda a sociedade, obrigação de todos os cidadãos de contribuírem com sua parte no trabalho global, remuneração proporcional ao trabalho realizado, vigilância permanente por parte dos trabalhadores sobre a elaboração e o cumprimento deste plano: tais são as ideias simples e fundamentais do socialismo na esfera econômica. Que contraste com a caricatura maliciosa pintada pela burguesia de que o socialismo seria uma sociedade caótica, sem regras nem governo, sem leis nem obrigações, onde cada um faz o que quer!

O socialismo só pode ser mundial

A força do capitalismo está no caráter mundial da economia. Ao produzir mundialmente, a burguesia se utiliza das melhores e mais abundantes fontes de matéria-prima em cada país. Isso torna a produção barata e eficaz.

O socialismo, que pretende ser uma sociedade superior ao capitalismo, deve utilizar todas as conquistas da velha sociedade de classes, em primeiro lugar, o caráter mundial da produção.

O capitalismo é, portanto, o ponto de partida, o nível mínimo do qual o socialismo deve começar para libertar a humanidade da opressão e da exploração.
Não se pode falar em uma sociedade socialista que não seja mais rica, mais livre e mais desenvolvida do que a capitalista. Não se pode falar em socialismo que não seja mundial.

O fim do imperialismo

Não é possível a vitória do socialismo enquanto a burguesia existir mundialmente, enquanto o imperialismo, armado até os dentes, controlar a maioria dos países. Tal situação levaria ao isolamento da nação proletária e à restauração do capitalismo, como aconteceu na União Soviética.

O triunfo do socialismo sobre o capitalismo em todo o mundo não tem nada a ver com uma competição econômica entre os dois sistemas. A derrota do capitalismo é um processo político, revolucionário. Significa a derrubada violenta da burguesia e a instauração de regimes proletários nos países imperialistas mais importantes. Só assim o imperialismo pode ter um fim.

A ditadura do proletariado

O socialismo exige também uma forma política, um tipo de Estado.

No capitalismo, o Estado tem um caráter de classe. É um aparato jurídico-militar que busca defender a propriedade privada e o domínio do capital. É, portanto, uma ditadura da burguesia sobre o proletariado.

No socialismo, o Estado também tem um caráter de classe, mas seu conteúdo é oposto ao do Estado burguês: torna-se, pela primeira vez na história, um Estado da ampla maioria explorada contra a ínfima minoria exploradora ou privilegiada. É o que chamamos de ditadura do proletariado.

A ditadura do proletariado tem como função preservar a propriedade social dos meios de produção, evitar a volta do capitalismo e combater a ganância de indivíduos aproveitadores e grupos privilegiados que ainda existam depois da expropriação da burguesia. E o mais importante: é o instrumento de defesa da nação proletária contra o que sobrar do imperialismo e da burguesia mundial.

Democracia para os trabalhadores

O socialismo exige uma participação ativa e permanente das grandes massas na vida econômica, política e cultural do país. Por isso, a ditadura do proletariado é um regime muito mais democrático do que a democracia burguesa. A democracia burguesa se baseia no voto a cada quatro anos, na independência dos eleitos em relação aos eleitores, na separação dos poderes e na repressão massiva ou seletiva em caso de necessidade.

A ditadura do proletariado se baseia na lógica inversa: na substituição do congresso burguês por uma rede de conselhos operários, cujos membros são escolhidos nos locais de trabalho e moradia, com mandatos revogáveis a qualquer momento. Esses conselhos unificam os três poderes que hoje estão separados: são órgãos ao mesmo tempo executivos, legislativos e de justiça, controlados pela população, e onde a remuneração não ultrapassa o salário de um operário qualificado.

Esses conselhos operários, organizados sob o princípio do pluripartidarismo e abertos a todos os trabalhadores, são a base fundamental do Estado socialista, da ditadura do proletariado.

O socialismo é uma ponte para o comunismo

Como se vê, o socialismo é uma sociedade onde, apesar do fim da exploração, ainda persistem elementos de desigualdade, herdados do passado capitalista. Mais do que isso, o socialismo não é uma sociedade completamente livre, uma vez que os homens ainda estão presos à rotina do trabalho e o Estado segue sendo uma fonte de autoridade e poder. Em uma palavra, o socialismo não é o objetivo final, mas apenas uma fase do desenvolvimento histórico da humanidade rumo à sua libertação.

A verdadeira libertação da humanidade só poderá ocorrer quando a alta produtividade do trabalho tenha eliminado por completo a desigualdade social e oferecido a todos as condições para o pleno desenvolvimento de suas aptidões físicas e intelectuais; quando o trabalho tiver se tornado uma atividade livre e ocupe, pelo seu alto rendimento, umas poucas horas do dia de cada um. Quando isso ocorrer, o socialismo terá sido superado por uma nova sociedade, ainda mais rica e livre: o comunismo.
Todo operário da construção civil sabe que não se pode construir um prédio sem andaimes. Mas sabe também que, ao final da obra, os andaimes devem ser retirados, sob pena de danificarem a construção. A ditadura do proletariado é o andaime que utilizamos para construir a sociedade comunista.

Terminada a obra de edificação comunista, tendo os homens se reeducado completamente segundo novos princípios de igualdade, solidariedade e fraternidade, os andaimes da ditadura proletária deverão ser retirados: as leis escritas deverão ser abolidas, restando como forma de controle social apenas a opinião pública; todo e qualquer aparato repressivo deverá ser dissolvido, dando lugar à autovigilância coletiva; os partidos políticos perderão sua função e deixarão de existir.

O Estado socialista murchará como uma carcaça inútil. Do aparato estatal restarão apenas as funções técnicas, contábeis, científicas e culturais, mas exercidas agora diretamente pela população livre, da mesma maneira que uma família civilizada divide tarefas entre si e conduz a vida doméstica sem maiores conflitos.

Petkovic não imagina o quanto a Iugoslávia estava longe do socialismo. Mas não repreendemos o atacante por seu otimismo. Frente à barbárie capitalista, qualquer país que tenha resolvido minimamente seus problemas sociais aparece aos olhos de seus cidadãos como um “país-maravilha”.

Da mesma maneira, a humanidade não imagina a grandeza e o potencial que ela guarda em seu próprio seio, que o capitalismo esmaga, e que só o socialismo é capaz de revelar.

Uma resposta »

  1. Vicente Lassandro Neto

    Há um senhor, com o nome de Immanuel Maurice Wallerstein, afirmando que, como tudo, o capitalismo chegou ao seu fim. Mas melhor que imaginar o fim do capitalismo é propor medidas de modo a incentivá-lo ajustando-o aos anseios de toda a humanidade onde os capitalistas em lugar de jogar o jogo do GANHA – PERDE, passariam ao jogo do PERDE – GANHA e dentro do seguinte raciocínio:

    O VERDADEIRO SOCIALISMO É CONSEQUÊNCIA DE UM CAPITALISMO SEM GANÂNCIA.
    Autor – Vicente Lassandro Neto

    Há um pensamento milenar que diz o seguinte:
    SÓ O TRABALHO PODE GERAR RIQUEZAS
    Autor – Desconhecido

    E que tal modificar o pensamento milenar, assim
    SÓ O TRABALHO, COM POUPANÇA E SEM GANÂNCIA, PODE GERAR RIQUEZAS
    Autor – Vicente Lassandro Neto.

    Agora vamos citar outra frase
    NÃO HÁ TRABALHO SEM CONSUMO DE ENERGIA
    Lei da natureza

    Isto posto, podemos concluir que para ficarmos ricos temos que trabalhar, ou seja, consumir energia e, sem ganância, poupar. Este raciocínio é válido para as pessoas e para os países, como um todo. As pessoas e os países, se desejarem enriquecer, têm que trabalhar e, sem ganância, poupar. Quanto mais energia se consome mais trabalho se gera, mais se poupa e, sem ganância, mais se enriquece. O problema crucial, no momento, mas de fácil solução, reside na oferta de energia e na desarmonia que há, à luz dos paradigmas, entre esta oferta e consumo de energia com o meio ambiente. Vamos por partes, como diz o esquartejador.

    1 – Em primeiro lugar, temos que entender que a vida na Terra, na sua forma atual, vai acabar por falta de gás carbônico e que a presença das florestas antecipa este fim. NÃO HÁ SOLUÇÃO e vai acabar mesmo.

    2 – Depois, temos que entender que a melhor forma de energia é o petróleo e que ele é INFINITO, ou seja, é impossível aos seres humanos e independente do número deles, consumir todo o petróleo existente no interior da crosta terrestre. É uma fonte inesgotável de energia. É algo ao redor de 5,5 QUATRILHÕES DE BARRIS, não é engano não, são 5,5 QUATRILHÕES. Mas ele é inesgotável, não pela quantidade mas por outro motivo, ou seja, caso todo este petróleo fosse disponibilizado a os humanos partissem para a sua queima, eles seriam extintos, antes da queima total, devido à redução do oxigênio na atmosfera.

    3 – Entender que a queima dos derivados de petróleo, além de gerar trabalho, envia gás carbônico para a atmosfera e este envio posterga o fim da vida na Terra. Como país algum, com duas exceções, consomem energia de um modo irracional, deduz-se que quanto mais energia se consome, mais trabalho se gera, mais salários teremos, mais poderemos poupar e, sem ganância, ficarmos ricos.

    4 – AQUECIMENTO GLOBAL EXISTE. É um fenômeno natural e, por ser natural, nada se pode fazer, nem contra e nem a favor. As atividades dos humanos, pelo contrário, atuam no sentido de atenuar este aquecimento e não em estimulá-lo. Sem as atividades humanas há um aquecimento natural e com elas este aquecimento é atenuado mas é INEVITÁVEL.

    5 – “EFEITO ESTUFA” NÃO EXISTE. É uma mentira. É uma falsa e conveniente invenção dos humanos dos países, industrializados, desenvolvidos e ricos. E por ser mentira, a única coisa que se pode fazer é, para o bem da humanidade, esquecê-lo.

    6 – Assim sendo, é SUICÍDIO COLETIVO medidas propondo a preservação das florestas, dos animais e a prática das economias de BAIXO CARBONO.

    A melhor maneira de proteger as florestas é ignorá-las e derrubá-las, sem temor, quando for necessário construir estradas, fazer pastos, plantações, usinas hidrelétricas e outras atividades que gerem trabalho, lembrando que o interesse de poucos não pode se sobrepor aos interesses da coletividade.

    Quanto aos animais é deixar valer a maior lei da natureza, ou seja, a Lei da Sobrevivência dos mais aptos. O grande come o pequeno, o ligeiro como o vagaroso e o mais criativo come o de menor criatividade e assim por diante. Se há uma espécie que precisa de proteção ela é, exatamente, a espécie humana, a mais deteriorada e prostituída de todas elas, em todos os sentidos, e ela quer, incompetentemente, proteger as demais. É UM ABSURDO.

    7 – Todas as afirmações acima são fatos da natureza e muito fáceis de serem explicados a todos aqueles que se interessarem por maiores detalhes.

    8 – Pelo lado dos capitalistas há que haver um certa renúncia, qual seja, limitar os seus lucros ou em outras palavras, reduzir a ganância. Como empresário algum tomará esta atitude de livre e espontânea vontade, serão os governos que terão que tomá-la. Esta medida se baseia, simplesmente, no limite máximo de lucro líquido das empresas, algo ao redor de 7,5% ao ano sobre o capital da mesma. Lucros líquidos acima desta valor seriam 100% tributados. Um lucro líquido de 7,5% ao ano significa dobrar o capital a cada dez anos. É muito lucro mas para iniciar, já está de bom tamanho.

    Assim sendo, o capitalismo só sobreviverá com as medidas acima. Fora disso, não há solução para o capitalismo e o socialismo será um sonho inatingível. Há muito mais coisas para serem explicadas mas isto ocuparia muito espaço e tudo que foi escrito aqui é de fácil entendimento e pode ser explicado a quem se interessar mais pelo assunto. Dúvidas e esclarecimentos adicionais podem ser obtidos por meio deste a mail ou nos telefones abaixo.

    Atenciosamente

    Vicente Lassandro Neto
    GEÓLOGO, ECOLOGISTA, Engenheiro em Petróleo, Engenheiro em Segurança no Trabalho, Autodidata em Economia, Naturista e Enófilo

    outro e mail – vilanet@terra.com.br

    Telefones no Trabalho – 0XX71 3348-4252 entre 08:00 e 18:00 horas
    Telefone da Residência – 0XX71 3336-7432 – Após 20:00 horas

    À LUZ DOS ATUAIS PARADIGMAS, SE TENTAR MELHORAR, COM CERTEZA, ESTRAGA – Vicente L. Neto.

    À LUZ DE NOVOS PARADIGMAS, SEM TENTAR MELHORAR, COM CERTEZA, MELHORA – Vicente L. Neto.

    E, PARA OS CONVICTOS, A UTOPIA É VIÁVEL – Vicente L. Neto

    “A BELEZA E A VITALIDADE SÃO PRESENTES DA NATUREZA PARA AQUELES QUE VIVEM AS SUAS LEIS” Leonardo da Vinci.

    “SE, A PRINCÍPIO, A IDEIA NÃO É ABSURDA, NÃO HÁ A MENOR CHANCE PARA ELA” Albert Einstein.

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