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Arquivo da categoria: Sociologia Urbana

Vermelho por fora, verde por dentro

Vermelho por fora, verde por dentro

O PSTU comemorou o fato de que “Janira Rocha defende voto nulo e critica a lógica do ‘menos pior’ para o segundo turno” enquanto a “maioria dos parlamentares do PSOL vai de Dilma”. “Esqueceu” de explicar por quais motivos a dirigente do MTL, recém eleita deputada estadual, uma das maiores entusiastas do apoio do PSOL a Marina Silva, defende essa posição: sua candidata “verde” não foi para o segundo turno!

Na declaração pública em que Janira anuncia sua adesão ao “voto nulo” não há obviamente uma única linha sequer de crítica à candidatura burguesa do PV. Muito pelo contrário, além do silêncio sobre a questão, ela adota a mesma “linguagem” utilizada pela própria Marina para se declarar “neutra” frente à disputa entre Dilma e Serra: “estou do lado daqueles que não querem ter nenhum tipo de compromisso, mesmo que seja crítico, com nenhuma das opções que estão colocadas” (sítio do PSTU).

Os morenistas já haviam apoiado “informalmente” Heloísa Helena em Alagoas, onde o partido sequer lançou candidatura ao Senado. Também conformaram uma frente eleitoral com o PSOL em Goiás, onde a legenda é controlada pelo MTL. Vale lembrar que este foi o único estado em que os dois partidos se coligaram formalmente.

As “estranhas” alianças do PSTU ocorreram apesar de Martiniano ter sido o pré-candidato a presidente no PSOL representando justamente a ala dirigida por Heloísa Helena, que desejava vender o apoio da legenda a Marina Silva. Após a inviabilidade da aliança com os “verdes” esse bloco de direita buscou emplacar Martiniano como candidato-laranja do PSOL à presidência da República para melhor traficar o apoio a Marina nos estados. Apesar de recorrer a todo tipo de fraudes, segundo denuncia a maioria da direção do próprio PSOL, foi derrotado na conferência eleitoral do partido. A partir daí, Heloísa sequer apoiou a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio a presidente. Ao contrário, deu declarações públicas em defesa de Marina como melhor nome na corrida presidencial durante toda a campanha. Nem Heloísa nem Martiniano compareceram à reunião da executiva nacional do PSOL para discutir a posição do partido no segundo turno justamente porque estão alinhados com a “neutralidade” decidida pela candidata do PV.

Como se vê, o “voto nulo” anunciado por Janira Rocha,“de favor” devido aos votos obtidos por Marcelo Freixo no Rio de Janeiro, não passa de uma manobra de conveniência da dirigente do MTL para adequar a posição de seu “coletivo” à deliberação da executiva nacional do PSOL. Afinal de contas, precisa manter uma certa formalidade de respeito às decisões do partido, uma vez que foi “premiada” com um mandato de deputada fluminense tendo apenas 7 mil votos! Esta resolução abriu a possibilidade de seus militantes votarem criticamente em Dilma ou adotarem a posição de voto nulo justamente para melhor acomodar de forma oportunista todas as alas de seu condomínio político em crise.

O “voto nulo” de Janira é sui generis, de direita, vermelho por fora, mas verde por dentro! Foi saudado pelo PSTU para melhor justificar sua esdrúxula aliança com o MTL. Essa aproximação vem desde o Conclat quando os morenistas conformaram um bloco com esses camaleões “verdes” para vencer o Congresso. Cinicamente, na época, o PSTU alegava ser contra uma aliança com PSOL, tendo Plínio como candidato a presidente, por pretenso apego ao “programa socialista”. Agora, o “ortodoxo” PSTU, depois de se aliar justamente com aqueles que defenderam o apoio a Marina Silva, o financiamento de suas campanhas eleitorais pelos empresários e são porta-vozes de um programa nacional-desenvolvimentista, defendem o pessoal do MTL, apresentando-os como os melhores defensores do “voto nulo” no segundo turno. Acredite se quiser!

 

Fonte: http://www.lbiqi.org

Ervas Medicinais – Espaço Urbano de uma Ciência Popular

Ervas Medicinais – Espaço Urbano de uma Ciência Popular

Ida Duclós

Originalmente apresentado para a FFLCH/USP

Minha pesquisa sobre o uso popular de plantas medicinais, na cidade de São Paulo, foi feita em quatro locais: duas casas de comércio que vendem produtos naturais, uma especializada no comércio de chás e numa feira, com um erveiro ambulante. Conversei com as pessoas que estavam nestes lugares comprando ervas, sem nenhuma preocupação de selecioná-las, procurando me integrar ao ambiente. A proposta de meu projeto era verificar não só os motivos que levam as pessoas a usar ervas, mas_ averiguar se este uso estava baseado num saber popular compartilhado, repassado oralmente através de gerações.

“Os remédios que constituem a base das farmácias familiares consistem, geralmente, em plantas medicinais e em produtos da indústria farmacêutica…constituem um fundo comum de trocas não somente de medicamentos, mas também de experiências e de conhecimentos terapêuticos. Muitas famílias reservam uma pequena área do jardim para o cultivo das ervas medicinais, hábito adquirido na época em viviam no campo, ou então no próprio bairro, junto aos vizinhos, amigos ou pessoas mais idosas.”( Lovola,1983).

Devido ao tempo que eu tive disponível para me dedicar a este trabalho, meu universo de pesquisa foi reduzido (entrevistei treze pessoas).Talvez, minha delimitação do campo de pesquisa tivesse que ser mais específico, abrangendo um comunidade. Mesmo assim, foi possível constatar que todas as pessoas com quem conversei identificaram a fonte de seus conhecimentos não somente entre parentes e amigos, mas principalmente citaram a televisão e alguns, livros e revistas. Os mais velhos tinham o hábito de plantar em suas casas algumas ervas, como o boldo, a losna, hortelã, melissa, carqueja, arruda, quebra-pedra, poejo, alecrim. Fizeram referências à sua infância, quando o uso de medicamentos e recorrer a médicos não era usual.

“Eu aprendi ao longo dos anos, no contato com as pessoas. Eu tinha um amigo que era médico do SENAI, onde eu trabalhava, que me dizia que sempre quando passava por uma negra velha com ervas, parava para perguntar como é que ela age. Não tinha médicos no lugar onde nós estávamos quando eu era criança. Minha mãe sabia tudo, usava mais homeopatia, mas também chá de macela para acalmar. Losna que é boa para o estômago, nasce no inverno. Os médicos agora estão querendo voltar para a homeopatia, mas teve época que eles achavam tudo isso sem valor, besteira. Meu amigo médico não era assim, mas os colegas dele desprezavam quem desse valor para os chás. Eu vi estes dias o anúncio de um remédio importado de um laboratório alemão preparado com melissa. Nós aqui não ligamos para esta plantinha e os alemães vendem para nós este remédio.” (Leôncio, 82 anos, aposentado) Localizei o médico citado pelo Sr. Leôncio, descobri que ele atendia também num hospital espírita mas ele não tinha tempo disponível para uma entrevista dentro do prazo de entrega de meu trabalho.

Neste depoimento, como em todos os outros, existe alguns pontos em comum: este aposentado vai depois citar a televisão e os livros como fonte de seu conhecimento, existe uma identificação com as mulheres (mãe ou esposa) como agentes no tratamento popular e por fim a preocupação com um conflito entre a medicina oficial e a medicina caseira ou popular. O conhecimento das mulheres idosas é bastante mais detalhado, não se limitando a chás calmantes ou para o estômago. Elas trocam receitas de medicamentos caseiros, como se estas fossem de culinária.

“Uma senhora, quando fui no hospital, me ensinou a ferver a água e colocar folhas de maracujá, alecrim e chuchu. E muito bom para baixar a pressão, o médico que está tratando dela disse que a pressão melhorou depois que ela começou a tomar este chá. Hoje mesmo, fiz folhas de eucalipto fervidas para melhorar a respiração do meu marido, não é para tomar é só para respirar. Todo mundo sabe disso, desde criança que eu sei, minha mãe e minhas tias sempre me fizeram tomar chá. (Suely, dona de casa, 78 anos).

Neste caso o conflito entre o tratamento ortodoxo e a terapia popular, é resolvido pela separação dos dois domínios. Embora a melhora tenha sido atribuída a uma receita caseira, isso não é contado para o médico, que poderia não aceitar esta explicação. Este serve para verificar que houve a melhora. A representação que estas senhoras fazem dos medicamentos caseiros é que estes são receitas, que elas preparam em suas cozinhas, pertencem ao seus domínios e não interessam ao médico do hospital.

As lojas de produtos naturais visitadas são uma verdadeira miscelânea, onde existem objetos de várias procedências, incenso indiano, pão caseiro de farinha integral, tahine japonês (um preparado de soja), vitaminas americanas. Muitos produtos são a base de ervas, como sabonetes, shampoos, cremes e até travesseiros. Os produtos à venda sugerem uma mistura de esoterismo com a busca por uma vida saudável: existem pedras e cristais para melhorar a saúde física através da energização, objetos de madeira para massagem e diversos outros produtos dietéticos ou “biológicos.” As pessoas que entrevistei nestas lojas não estão interessadas especificamente no uso de plantas medicinais, mas estas fazem parte de uma representação de uma vida natural. “Eu não sei para que servem estes chás, meu médico que é homeopata e fitoterapeuta, é quem me receitou, eu quero é ter saúde.” (João, 48 anos, arquiteto)

Não existe aqui, a preocupação por plantar ervas em jardins, elas são compradas em saquinhos preparados por empresas como a Farmaervas, Mundo Verde, Mundo Natural ou Estrela de Davi (foram estas as marcas que anotei). Algumas pessoas me contaram que iniciaram um tratamento com médicos alternativos depois de terem tentado um tratamento alopata que não deu certo. Acham no entanto que podem voltar a usar alopatia alternadamente, se julgarem necessário isso. Mas, tem consciência que estão usando uma terapia não aceita pela medicina ortodoxa, e que isso significa uma mudança em sua noção do que é seu corpo e nos seus hábitos

. ” A reivindicação naturalista é, evidentemente, uma das idéias instigantes que comanda as medicinas paralelas, frequentemente qualificadas, até por elas próprias, de medicinas “naturais” e, mesmo de medicinas “verdes” (ou medicina através das plantas). Em uma sociedade que se tornou, sob muitos aspectos, uma sociedade da mediação instrumental, essa noção extremamente ambivalente, de natureza, exerce, como já vimos, a partir de 1965, verdadeiro fascínio sobre todos os que reconhecem em si a sensibilidade de uma contracultura, e mesmo de uma anticultura em gestação. A medicina oficial, pelo menos em sua tendência dominante, pode ser qualificada, segundo expressão de Lenche, como medicina contra a natureza. O terapeuta não confia de forma alguma na natureza, mas procura substituí-la, através de uma medicação decididamente alopátíca, isto é, um ataque frontal contra o agente responsável. Nessa ótica, o próprio termo “curar” tem o sentido de “guerrear”, perseguindo o invasor até que ele seja definitivamente anulado.” (Laplantine e Rabeyron, 1989)

Esta representação do corpo humano como um conjunto integrado a natureza e a contestação contra a especialidade médica, que só trata de detenninado órgão, aparece nos depoimentos de pessoas entre 35-50 anos. As pessoas mais velhas, podem manifestar um descontentamento com a alopatia, mas não tem um discurso que justifique isto, somente mencionaram que mas não tem um discurso que justifique isso, somente mencionaram que aprenderam um tratamento alternativo durante a sua infância, quando não havia recursos médicos disponíveis como atuaimente. Mostram-se ressentidas pelo seu conhecimento não ser valorizado, mas não elaboraram conceitos sobre isso, como acontece com pessoas mais jovens. Eu comecei a tomar chá por um problema crônico de saúde e obesidade. O chá substitui o café o leite. Estimula as funções dos órgãos vitais, relaxa, elimina gorduras. Teve uma época que eu tomava uma xícara com a mistura de onze chás. Mas fiz isso com acompanhamento médico. É perigoso você tomar sem conhecimento ervas fortes, como raiz de lótus, barbatimão e etc. A composição entre os chás, saber exatamente quais você deve tomar, tem que ter um médico. Fiz tratamento alopata e não resolveu. Então resolvi começar um tratamento de chás junto com acupuntura com um médico naturopata. Mudei toda minha alimentação. O efeito foi imediato, boa disposição, e meus problemas de saúde foram resolvidos ao longo do tempo em que me tratei. Os chás não são panaceia, fazem parte de um conjunto de recursos terapêuticos. Tomando chá parei de tomar café, comer açúcar e carne vermelha. O chá prepara meu organismo para uma alimentação natural, tem um efeito mais harmonizo”no meu corpo. Existe bastante carne com pimenta, deixa super agressivo. As pessoas dizem que chá é coisa de velha, para descansar. Mas isso é preconceito machista, o chá é paraharmonizar, equilibrar seu organismo. Chá você toma saudável, quando está com saúde. Mas ainda existe essa visão, que velhinha é que fica tomando chazinho. Eu tomo chá à noite para relaxar e de manhã para estimular, com o tempo você vai aprendendo a usar os chás que fazem bem para o seu organismo, não é preciso médico para saber. O aroma do chá também é importante, faz efeito em você. Não adianta ser rápido, acho que o ritual do chá faz parte da natureza do chá, você espera um pouco antes de tomar para consolidar o paladar e sentir o aroma.” (António, 47 anos, pequeno empresário) Nestas duas últimas entrevistas, o conhecimento sobre o uso das ervas não pertence ao domínio popular, mas constituem um saber científico dos médicos naturalistas. Há também uma reinvindição não para o tratamento de alguma doença mas por uma vida mais saudável, identificando as plantas medicinais com a natureza. Minha pesquisa respondeu parcialmente as hipóteses que eu tinha formulado:

1. O uso de plantas medicinais; não constitui um saber compartilhado, transmitido oralmente. Isso pode acontecer, mas é somente mais um elemento, num conjunto de informações disponíveis no meio urbano.

2. Os motivos que levam as pessoas a se utilizar das plantas medicinais na cidade está relacionado com a descrença na alopatia para resolver todos os problemas de saúde, com a valorização da natureza e uma representação simbólica sobre a doença e o corpo humano. Há um equilíbrio interior que harmoniza emoções, corpo e mente. As doenças surgem quando existe uma ruptura nessa harmonia, provocada por hábitos e comportamentos qualificados como não saudáveis, como são os da grande metrópole. Minha hipótese que as ervas medicinais fossem utilizadas por falta de recursos para pagar um attendimento médico não se confirmou. As pessoas mais idosas se referiram a épocas passadas, quando não havia disponibilidade de serviços médicos. Hoje, elas recorrem a esse atendimento com o uso paralelo dos chás, infusões, emplastros e pomadas a base de ervas. Minha pesquisa levantou novas questões que seriam interessantes de investigar:

1. a existência de um conflito entre médicos fitoterapeutas ou erveiros com a medicina tradicional.

2. os elementos esotéricos ou religiosos, presentes em lojas de produtos naturais que podem ou não estar associados ao uso das ervas.

3. as diferentes concepções da doença, saúde e corpo humano.

Bibliografia

1. Camargo, M.T.L.A – Medicina Popular, São Paulo, Almed Editora e Livraria Ltda., 1985

2. Laplantine, F. e Rabeyron, P.L. – Medicinas Paralelas, trad., São Paulo, Editora Brasiliense, 1989

3. Loyola, M.A.- Médicos e Curandeiros, São Paulo, Difel Difusão Editorial, 1984

Segregación Social y territorio en los grandes centros urbano

Segregación Social y territorio en los grandes centros urbanos

 

Agosto 4, 2009 por frrspybrar 

XIV Congresso Brasileiro de Sociologia

28 a 31 de julho de 2009, Rio de Janeiro (RJ)

Grupo de Trabalho: Questão Urbana

Autor: Felix Ramon Ruiz Sanchez[1]

Instituição do autor: Departamento de Sociologia PUC/SP

[1] El autor es sociólogo, doctor en sociología por la PUC/SP y miembro de su departamento de sociología, haciendo parte de él desde 1986. El Dr. Ruiz Sánchez es profesor asociado-doctor de dicha institución desde 2004. El Dr. Ruiz Sánchez fue coordinador general del presupuesto participativo en la municipalidad de São Paulo, de enero de 2001 a enero de 2005. Actualmente, es miembro del Observatorio de las Metrópolis de São Paulo, miembro del comité coordinador del Observatorio Internacional de la Democracia Participativa (OIDP) y coordinador del grupo de trabajo sobre segregación en dicha institución. Asesora gobiernos locales y nacionales en materia de políticas urbanas y de participación ciudadana. Tiene artículos y libros publicados en revistas especializadas y publicaciones de gran circulación en el Brasil y en el exterior. El Dr. Ruiz Sánchez es paraguayo naturalizado brasileño. Hasta ser perseguido y sufrir exílio en el Brasil, él fue activista sindical y de derechos humanos. Actualmente, es asesor de la Secretaria Nacional de la Niñez y Adolescencia del gobierno nacional del Paraguay.

Resumen.

Discutir el tema de la segregación espacial y el territorio en los grandes centros urbanos plantea un conjunto de desafíos de análisis y de posibilidades de actuación directa. Es una realidad cada vez más acuciante la transformación del espacio de las ciudades en la localización privilegiada de los grandes contingentes de población que habitan nuestros países. Vivimos un mundo que se ha urbanizado completamente. Y ese proceso ha ocurrido transformando las aglomeraciones urbanas. Ha puesto al desnudo brechas sociales de diverso orden: generacionales, étnicas, socioeconómicas, políticas y tantas otras más. Ha sido un objetivo siempre desafiador, y más o menos lejano, llevar en las ciudades una vida armoniosa y respetuosa. Los retos de la gestión territorial se han vuelto complejos y la aplicación de fórmulas milagrosas y fáciles ha fracasado ante la envergadura de los problemas.

Texto Principal

Hoy vivimos las señales de una crisis de la civilización occidental que es profunda y que expresa la combinación de crisis que han hecho estallar lo que parecía ser un ciclo de expansión potente e ilimitada de la acumulación de capital y de la mercantilización de toda la producción humana. Este proceso revela el alcance perverso de la explotación brutal del trabajo y de la naturaleza así como la competición desenfrenada y el individualismo inhumano que generó la concentración de riquezas y la destrucción masiva del medio ambiente. La civilización humana bajo el peso de su característica capitalista ha traído catástrofes crecientes para todos.[1]

La crisis de la civilización en que estamos sumergidos si tiene una faz económica, que se traduce en el paro, la parálisis y la desestructuración de las economías, tiene también una fuerte expresión en la crisis ambiental que provoca el calentamiento global y que compromete el futuro de la propia humanidad como especie. Peor, esta combinación de crisis trae el crecimiento de la desigualdad y la degradación de los lazos de solidaridad. En particular esto tiene que ver con las ciudades, pues vivimos una época de expansión de la violencia, del racismo, de los prejuicios y de los fanatismos nacionalistas. Todo eso acarreando el debilitamiento de los derechos humanos, la criminalización de la pobreza y la de los movimientos sociales.

Discutir el tema de la segregación espacial y el territorio en los grandes centros urbanos plantea un conjunto de desafíos de análisis y de posibilidades de actuación directa. Es una realidad cada vez más acuciante la transformación del espacio de las ciudades en la localización privilegiada de los grandes contingentes de población que habitan nuestros países.

Vivimos un mundo que se ha urbanizado completamente. Y ese proceso ha ocurrido transformando las aglomeraciones urbanas. Ha puesto al desnudo brechas sociales de diverso orden: generacionales, étnicas, socioeconómicas, políticas y tantas otras más. Ha sido un objetivo siempre desafiador, y más o menos lejano, llevar en las ciudades una vida armoniosa y respetuosa.

Los retos de la gestión territorial se han vuelto complejos y la aplicación de fórmulas milagrosas y fáciles ha fracasado ante la envergadura de los problemas.

La segregación urbana es ya una realidad cotidiana para los habitantes que vivimos en las grandes ciudades. Los modelos económicos y formas de gobernar vigentes han tenido mucha dificultad para restablecer democracia, bien estar y armonía. Contrariamente, tales mecanismos han sido incapaces y, muchas veces, fueron responsables por el crecimiento de tipos variados de discriminación y de exclusión de las poblaciones que viven en las ciudades.[2]

Un estudio pionero conducido en nuestro Observatorio constató también semejanzas y aproximaciones[3] en lo que concierne al crecimiento de las desigualdades y de la pobreza, al punto que se habla con mucha frecuencia en la “tercer mundialización” de las grandes ciudades desarrolladas y hasta de la “brasilianización” (Lipietz, 1996) de algunas sociedades desarrolladas. Mike Davies en su brillante estudio sobre las ciudades[4] subraya la aparente paradoja entre la urbanización integral del planeta y el crecimiento de los factores de empobrecimiento y de insostenibilidad que castigan a sus poblaciones. En realidad, esa aparente paradoja responde a las brutales condiciones que rodean el capitalismo contemporáneo que está atrapado bajo una convergencia de crisis financiera, económica, climática y de alimentos que sacrifica preponderantemente a las poblaciones de los países periféricos (o “emergentes” como se los denomina hoy), que están asentadas en sus ciudades.

La constatación de autores como David Harvey y Saskia Sassen han propagado y legitimado el modelo de las global cities para retratar esos cambios. Sassen[5] ofrece una explicación para las las nuevas tendencias de transformación que hoy se vive en las grandes ciudades. Tales contribuciones han generado un debate crítico sobre este modelo de urbanización y sus consecuencias

Para observar estos nuevos procesos de urbanización se hace necesario un abordaje menos tendencioso, tanto para glorificar como para cuestionar tout cort dichas tendencias. La globalización es aquí entendida como un proceso inacabado y contradictorio, comandado no solo por el mercado, sino también por fuerzas políticas, y que no anulan la importancia de las dinámicas locales.

De forma creciente, hoy se asiste al refuerzo de los niveles sub-nacionales del Estado. Eso genera nuevos roles para las personas y hace que las nociones de ciudadanía y de derecho se transformen para dar lugar a la gestación de nuevos sujetos sociales.[6]

Las transformaciones socioeconómicas en curso en las grandes ciudades llevan a cambios de las estructuras socio-espaciales en que se puede verificar que dichas estructuras evolucionan hacia la elevación del conjunto de la jerarquía socio espacial. Estudios comparativos entre las ciudades de Paris y São Paulo muestran que

“la tendencia mas fuerte es la del crecimiento de las categorías superiores e intermediarias en el conjunto de las unidades de los espacios metropolitanos No se observan, por otro lado, tendencias de concentración absoluta de categorías populares y obreras en dichos espacios, lo que caracterizaría tendencias de exclusión y de empobrecimiento. Este resultado pone en cuestión la relación de causalidad entre globalización y dualización socio espacial, afirmada por muchos autores. Nuestra hipótesis es que la evolución de la estructura social y de la segregación son más fuertemente ligadas a las transformaciones profundas y progresivas de la base productiva y del mercado de trabajos generados por la emergencia de una economía de servicios, que a los impactos coyunturales de la globalización financiera. Sin embargo, crece la distancia social entre los dos extremos de la estructura socio espacial debido al movimiento de fortalecimiento mucho mayor del peso de las categorías superiores en los espacios burgueses que en los espacios populares. Así, se verifican ciertas tendencias de la segregación no como consecuencia de la segregación compulsoria de las camadas populares, sino como resultado de las prácticas de auto-segregación de las elites.”[7]

Los procesos de segregación social se alimentan de los patrones excluyentes de localización y de asentamiento que llevan a las poblaciones a la búsqueda de soluciones de vivienda y de convivencia caracterizados por la escasa o ausente sostenibilidad. Por la inserción de dichos contingentes humanos en redes de consumo marcados por la precariedad y la baja calidad, donde la mercantilización.general de las relaciones alimenta un circuito de violencia simbólica que fortalece procesos de racismo, “apartación” social y de discriminación de diversos órdenes.

Esa situación que hoy se diseña para el desarrollo de las ciudades genera nuevos retos a la hora de concebir la función de los poderes del Estado y de la sociedad.

Retos que están relacionados a la forma como las políticas del Estado son pensados y que se derivan de las nuevas configuraciones que la sociedad, la economía y la política van adquiriendo. Como diría el fallecido profesor Milton Santos: “llegamos (hoy) a la actual fase de la pobreza estructural globalizada. Hay una producción globalizada de la pobreza que es, también, una producción científica de la pobreza.”[8] Un estadio de evolución (o, talvez de su involución) impuesto por la mercantilización generalizada de los bienes y servicios que afecta los espacios y los lugares y que transforma en su propia naturaleza a los territorios adonde encontraban sus lugares el Estado y la ciudadanía. La redefinición de papeles que esa nueva situación genera dan lugar al surgimiento de nuevos sujetos y reconfigura el papel de instituciones tradicionales como las municipalidades e instancias de gobierno locales.

Realmente, durante los años 1990, cuando la hegemonía neoliberal dominaba la agenda de los gobiernos nacionales bajo la impronta del llamado “consenso de Washington” hubo un giro hacia los gobiernos locales y a las innovaciones políticas e institucionales como los presupuestos participativos y el movimiento de alter globalización. Ese giro hacia lo local y a la innovación política encontró como sus más elevadas concreciones el Fórum Social Mundial y la administración municipal de Porto Alegre (Brasil).[9]

“En ese trasfondo de experimentación candente y de creatividad institucional de las bases sociales populares” afirma Boaventura Sousa Santos [10]hay un derecho y una globalización alternativa y contrahegemónica que pugnan por afirmarse. Las ideas de protagonismo social, de participación ciudadana y de radicalización democrática se suman a experiencias de gestión e innovación de lo público que resignifica la noción de Estado y de democracia. Ese es el saldo principal de la enorme hecatombe neoliberal descripta en todos sus detalles y con toda dramaticidad por Naomi Klein.[11] El aspecto más interesante para el debate que proponemos está en la lucidez con que dicha autora aborda la extensión de la ofensiva neoliberal y de la globalización hegemónica que se apoya en la tiranía de los mercados y de los gobiernos obedientes al orden neoliberal. Principalmente en los efectos de las políticas preconizadas por esos actores y el generalizado deterioro de las condiciones de vida de las poblaciones que abre camino a soluciones populares que ponen en tela de juicio esa lógica excluyente y antidemocrática. Al mismo tiempo, no dejan de ser movimientos defensivos frente al deterioro de las relaciones en lo económico y en lo social. El refugio en las “invenciones” indica que las poblaciones empobrecidas y tradicionalmente marginalizadas de la sociedad han “retomado” el camino de sus identidades étnicas y/o raciales frente a la pérdida de efectividad de otras formas de subjetivación derivadas del virtual “vaciamiento” de las fuentes de identificación con las relaciones sociales oriundas del mundo del trabajo.

Haciendo un paralelo con otro ciclo histórico anterior, es posible identificar a los intensos debates sobre la “cuestión rusa” como un importante momento de fermentación intelectual y política sobre las vías del desarrollo histórico y sobre la misión y la vocación de las sociedades[12]. El rechazo populista ruso de la “vía occidental y capitalista” desnudaba entonces todo el abanico de posibilidades que se abría para las sociedades “no occidentales” y que iría abonar el camino de los procesos revolucionarios que ocurrieron en el siglo XX.

América Latina conoció un proceso semejante en el siglo XX con la luminosa experiencia de la revolución mejicana en 1910, el levante estudiantil en Córdoba (Argentina) en 1918 que se arrastró como un reguero de pólvora por el continente americano en las décadas siguientes, la huelga general de 1917 en São Paulo y su coincidencia con el vaciamiento de los ensayos republicanos oligárquicos que se hundieron bajo el peso de la crisis de 1929.[13]

Esos procesos anunciaron la apertura de procesos políticos marcados por el populismo y sus tentativas de instalación de regímenes nacional-populares y por intentos de generar alternativas obreras, campesinas, indígenas y populares.

Eso ya forma parte de la historia del continente. Y a lo que se asiste hoy es a una situación que encuentra paralelos y semejanzas con procesos históricos anteriores pero también con situaciones muy diferentes debido a la herencia del ciclo neoliberal y su legado de pobreza, de pérdida y de precariedad en los derechos conquistados.

A las tendencias de la urbanización contemporáneas expuestas antes, las sociedades del Tercer Mundo, especialmente en América Latina, han respondido de formas diversas. Especialmente, han dado lugar a la ascensión de un nuevo ciclo de gobiernos críticos a la fase anterior dominada por el llamado “consenso de Wasghington”[14]. Ese nuevo ciclo fue abierto al final de la década de 1990 con la victoria de Hugo Chávez. Hasta el establecimiento de los “Piratas del Caribe”, como Tariq Ali[15] ha denominado a la serie de gobiernos nacionales en Ecuador, Bolivia, Venezuela y Paraguay, estamos asistiendo a un impresionante ciclo de resistencia y de lucha que ha marcado profundamente el mapa político del continente[16].

La llegada a los gobiernos nacionales de coaliciones democráticas que buscan establecer puentes con esas formas de vivir lo social que si hacían parte de la historia más “profunda” de las sociedad latinoamericana es, sin lugar a dudas, una de las principales características de la sociedad y de la política de América Latina de hoy. Ese marcado tinte popular y antiimperialista ha traído un proceso de cambios institucionales que han redefinido el papel de las políticas públicas. Ellas están respondiendo al problema de la segregación urbana muy bien descripto por Mike Davies.

“La dinámica de urbanización del Tercer Mundo compendia y confunde al mismo tiempo los precedentes de la Europa y la Norteamérica del siglo XIX y principios del XX. En China, hallamos la mayor revolución industrial de la historia en la palanca arquimedeana que está trasladando a una población del tamaño de la europea de aldeas rurales a ciudades ahogadas en humo neblinoso que se elevan hacia las nubes. Por consiguiente, «China deja[rá] de ser el país predominantemente rural que ha sido durante milenios».”[17]

Hay un repertorio de respuestas que hoy se diseñan para responder a los efectos perversos de la informalidad en las relaciones de trabajo y a la degradación de las políticas sociales del pasado populista que fueron barridas por el “aluvión” neoliberal. Principalmente rediseñan con perfiles nuevos la relación entre redistribución, territorialización y protagonismo social.

Tales respuestas a la segregación y a la exclusión intentan modular afirmativamente, o como superación, algo que Löic Wacquant hace algunos años intentaba caracterizar de nuestros tiempos:

“La mutación política en que se inscribe esta transición podría en resumirse en la siguiente fórmula: desaparición del Estado económico, reducción del Estado social (y) fortalecimiento del Estado penal.”[18]

Paraguay. El ejemplo de los Territorios Sociales Solidarios[19]

Una experiencia que está en curso en el Paraguay puede servir de parámetro para analizar la forma como actúan los gobiernos latinoamericanos al enfrentamiento de la segregación social en las ciudades. El ejemplo paraguayo puede ser traspuesto a ejemplos semejantes que se repiten en buena parte de los demás países de la “Marea Rosada”

Cambios en la sociedad paraguaya.[20]

Paraguay es uno de los países de América Latina que conoció una prolongada dictadura cívico-militar con el general Alfredo Stroessner que permaneció en el poder por 27 años (1954-1981). Se hizo dueño de una frondosa colección de muertos, torturados, presos, “desaparecidos” y exilados. Bajo su gobierno, el Paraguay ganó notoriedad por su intensa participación en la llamada “operación Cóndor” que consistía en una acción conjunta de los gobiernos dictatoriales de Argentina, Chile, Uruguay y Brasil bajo el patrocinio de la presidencia y el departamento de Estado de los Estados Unidos de América[21]. La Asociación Nacional Republicana (ANR), conocida como Partido Colorado, se mantuvo en el gobierno entre 1947 y 2008, dando lugar a la conformación de uno de los sistemas de poder más corruptos y autoritarios del mundo contemporáneo.

“Tras un breve ciclo de auge (2003/2007) el crecimiento del PNB cae, por el doble efecto de la crisis mundial y de la sequía. En su fase de auge, ese crecimiento no frenó la pobreza ni promovió empleo. El modelo agroexportador de enclave tampoco disminuye desigualdades, está generando más bien una nueva ola de concentración de activos (tierras)”.[22]

Según RIVAROLA (2008), “desde mediados de los ’90 se agudizaron tendencias anteriores”. La autora cita algunos procesos con incidencia directa sobre el empeoramiento de los factores que provocan segregación social, tales como: “peri-urbanización acelerada, cambios del sistema productivo (expansión de agro-ganadería mecanizada y crisis de la economía campesina, estancamiento de industrialización), nuevos patrones de consumo (globalización), uso de NTIC’s (Nuevas Tecnologías de Información y Comunicación), mentalidades “digitales” en jóvenes, migración al exterior, de distinto cuño”[23] (en función de los referidos procesos de globalización económica y de las comunicaciones).

Los cuadros que presentamos a continuación retratan con fidelidad las transformaciones en el territorio del país.[24]

El cuadro que presentamos muestra el proceso histórico de configuración del territorio del país. Expone la intensidad de ola “modernizante” de los años ´70 y la más recientedel agro-negocio fuertemente controlado por los capitales brasileños y multi-nacionales.

En realidad, las transformaciones que están ocurriendo en el Paraguay son una consecuencia de los cambios demográficos y de vocación económica por las que viene pasando el país. El aumento de la participación femenina en el mercado de trabajo y los nuevos papeles que el mundo de hoy atribuye a los jóvenes y adolescentes está construyendo una realidad nueva para el Paraguay en función de su creciente integración al mercado mundial globalizado. La pérdida de centralidad de la producción agraria y el crecimiento de los servicios ponen al país en sintonía con las tendencias más contemporáneas del capitalismo.

Volviendo al ejemplo implantación de los “Territorios Sociales Solidarios”[25].

Dicen los autores que “Los territorios sociales y solidarios, son espacios que buscan reconocer al niño, niña y adolescente como sujeto público y político, ubicándolos como convocantes de las acciones estatales y comunitarias, para su promoción y protección social y legal, donde los intereses superiores de los mismos tienen carácter prioritario, y el Estado se hace presente desde las políticas públicas que ejecuta.”[26]

Una de las características más sobresalientes de la situación económico-social del país está directamente relacionado con el bajo gasto social del Estado. Es una situación paradojal para un país que pasó por un largo ciclo de monopolio cívico-militar con los 61 años de gobierno del “coloradismo”.

Esta información ya establece con toda claridad la prioridad por la inversión del gasto público para la reducción de la pobreza extrema que es un producto del subdesarrollo y la imperiosa necesidad de la gestación de una nueva cultura política para revertir esa pesada herencia de caudillismo y de autoritarismo social que ha caracterizado la historia del país.

La comparación de los datos sobre el gasto social de los gobiernos nacionales permite comparar los efectos de la desigualdad y la prioridad de aplicación de los recursos públicos en programas como la de los TSS.

La curva de distribución del ingreso “per cápita” muestra su característica regresiva y la alta concentración del ingreso en un pequeño número de privilegiados. En contrapartida, 4 millones de paraguayos viven con menos de U$ 100.

Los Territorios Sociales Solidarios configuran una propuesta de protagonismo social dirigido a la participación de niños, niñas y adolescentes y las comunidades de vecinos de las municipalidades del país organizadas alrededor de la integración de la red de servicios públicos, del fortalecimiento de las instancias nacional, regional e municipal de los Consejos de Derechos de la Niñez y Adolescencia y el refuerzo de los espacios locales a través de la implantación de centros culturales recreativos comunitarios. Estos últimos gestionados por las organizaciones sociales de la localidad.

Un aspecto muy atractivo de esta propuesta, que está en proceso de implantación, es la fuerte identificación con el discurso que articula la participación protagónica de la niñez, de las mujeres y de los sectores en situación de mayor vulnerabilidad de la sociedad. Al mismo tiempo, ella propone una innovadora solución de democracia territorial apoyada en el protagonismo intergeneracional que se sostiene en la realización de asambleas locales en cada uno de los Territorios Sociales Solidarios. Los TSS aspiran a contribuir una cultura política para restituir, devolver y fortalecer un proyecto de emancipación para la sociedad. Defiende la profundización de la democracia para ampliar la participación protagónica.

Los niños, adolescentes y jóvenes constituyen algunos de los sectores más numerosos de la sociedad que experimentan hoy mayores situaciones de exclusión y de marginalidad social. Al lado de ellos, se ha visto crecer la importancia de la participación de las mujeres. Esa convergencia de pobreza con un creciente protagonismo social de tales sectores sociales requiere la adopción de programas explícitamente orientados hacia el enfrentamiento de las situaciones de mayor gravedad con carácter de prioridad.

Hacer del territorio el locus para la integración de los servicios públicos es un factor suplementar que contribuye a reforzar mecanismos públicos capaces de cimentar un cambio efectivo en una sociedad como la paraguaya que clama por soluciones reales al favorecer la eclosión de una nueva cultura política democrática.

Son respuestas como ésta de los TSS que vienen construyendo la posibilidad de responder de forma innovadora pero también de forma democrática y mucho más eficiente a los efectos perversos de la avalancha neoliberal. No llegan a ser la propuesta completa y acabada de un proyecto de sociedad alternativa. Pero la verdad es que nadie ha sido capaz de hacerlo a pesar del constante esfuerzo por dar un basta al “viejo caballero, don dinero” como ya decía Quevedo hace algunos siglos.

Bibliografía.

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WACQUANT, Löic. Las cárceles de la miseria, Madrid, Alianza Ensayo, 2000.

Notas

[1] Diferentes procesos se conjugan, ahora abiertamente, para desbastar la sociedad y el planeta. En primero lugar, está la crisis capitalista: a la crisis financiera que estalló en septiembre de 2008 se agregó la grave crisis de superproducción industrial, arrastrando a la economía global a su peor recesión desde 1929. Existen previsiones de caída del PNB mundial de 3% en 2009. Todo indica que el capitalismo entró en una fase depresiva larga, que acentuará la competencia inter-empresas y entre países y ya provoca impactos desastrosos para las condiciones de vida de la población trabajadora.

[2] Toda esta reflexión se ha enriquecido mucho con las contribuciones del GT “Segregación Social en las grandes ciudades” del Observatorio Internacional de la Democracia Participativa” que es coordinado por el Observatorio de las Metrópolis (SP- Brasil).

[3] PRETECEILLE, Edmond y RIBEIRO, Luiz César Queiroz. “Tendências da segregação social em metrópoles globais. Paris e Rio de Janeiro nos anos 1980”, São Paulo, Revista Brasileira de Ciências Sociais, Vol. 14 no 40 junho/99.

[4] DAVIES, Mike. “Planeta de ciudades-miseria. Involución urbana y proletariado informal” in NLR, nº26, 2004, mimeo.

[5] SASSEN, Saskia. The global city. New York, London & Tokyo. Princenton, Prncenton University Press, 2ª.edición, 2001.

[6] SASSEN, Saskia. Contrageografías de la globalización. Género y ciudadanía en los circuitos transfronterizos, Madrid, Traficantes de Sueños, 2003.

[7] PRETECEILLE, Edmond y RIBEIRO, Luiz César Queiroz, idem, ibidem. Traducción do autor.

[8] SANTOS, Milton. “O futuro das megacidades: dualismo entre o poder e a pobreza” in Cadernos Metrópole, nº 19, São Paulo, Educ, 2008. Traducción do autor.

[9] GOLDFRANK, Benjamin. “¿De la ciudad a la nación? La democracia participativa y la izquierda latinoamericana” in Revista Nueva Sociedad, nº 212, 2007.

[10] SOUSA SANTOS, Boaventura & RODRIGUEZ GARAVITO. César (Eds.). El derecho y la globalización desde abajo. Hacia una legalidad cosmopolita, Barcelona, Anthropos, 2007.

[11] KLEIN, Naomi. La doctrina del shock. El auge del capitalismo del desastre, Buenos Aires, Paidós, 2008.

[12] SHANIN, Teodor. El Marx tardío y la vía rusa. Marx y la periferia del capitalismo, Madrid, Editorial Revolución, 1990

[13] La literatura sobre ese ciclo es prolífica y ampliamente conocida porque alimentó una buena parte del nacimiento de la sociología latinoamericana.

[14] El ciclo neoliberal que dominó la política del continente bajo la ya citada hegemonía del “Consenso de Washington” y que fue ampliamente dominante en los años 1990 ha provocado una verdadera hecatombe social y económica en el continente.

[15] ALI, Tariq.Piratas do Caribe, Rio de Janeiro, Record, 2008.

[16] Intentando sintetizar el alcance de esas transformaciones del escenário político del continente, analistas han denominado ese proceso “Marea Rosada” para incluir Brasil, Chile, Uruguay, Nicaragua y, más recientemente, El Salvador. Sin omitir la Argentina, peronista, de los Kirchner, contrapunto del neoliberalismo “carnal” del menemismo.

[17] DAVIES, Mike. “Planeta de ciudades-miseria. Involución urbana y proletariado informal”, NLR, s/d.

[18] WACQUANT, Löic. Las cárceles de la miseria, Madrid, Alianza Ensayo, 2000.

[19] La parte sobre Territórios Sociales Solidários se enriqueció mucho con la contribución de sus principales autores: Celeste Houdin y Juan Manuel Gamarra de la Secretaria Nacional de la Niñez y Adolecencia del gobierno del Paraguay.

[20] Este trabajo se enriqueció con las contribuciones del informe sobre coyuntura nacional de Milda Rivarola en junio de 2008.

[21] Para citar un episodio emblemático de la “operación Cóndor” es posible apuntar el asesinato de Orlando Letelier, ex canciller del gobierno constitucional de Chile de Salvador Allende que fue depuesto por Augusto Pinochet y el gobierno norteamericano, en las calles de Washington (E.E.U.U.) con la participación activa de los órganos represivos chileno y norteamericano. El autor fue perseguido y exilado por su actuación en Paraguay en la denuncia de la citada “operación Cóndor”.

[22] RIVAROLA, Milda. Idem, Ibidem.

[23] RIVAROLA, op.cit.

[24] VAZQUEZ, F. Población y taerritorio, Asunción, 2006.

[25] SECRETARIA NACIONAL DE LA NIÑEZ. Territorios Sociales Solidarios. Metodología de intervención, Marzo de 2009.

[26] Idem.

Painel Internacional discute as transformações necessárias nas grandes cidades

Painel Internacional discute as transformações necessárias nas grandes cidades

O evento tem como objetivo traçar um mapa das vulnerabilidades das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro frente aos efeitos do aquecimento global

Agência FAPESP

Enfrentar os impactos das mudanças climáticas, com medidas de adaptação e mitigação das emissões de gases de efeito estufa, exigirá esforços em todos os setores: a academia precisará de um enfoque mais multidisciplinar, o governo deverá se sensibilizar para a urgência do tema e a sociedade terá que compreender a necessidade de uma profunda mudança cultural.

Esses desafios foram debatidos nesta terça-feira (21/7) por cientistas e formuladores de políticas públicas no Painel Internacional de Especialistas em Megacidades, Vulnerabilidade e Mudança Climática Global, na sede da FAPESP, em São Paulo.

O evento, liderado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tem o objetivo de traçar um mapa das vulnerabilidades das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro frente aos efeitos do aquecimento global, com o objetivo de subsidiar políticas públicas de adaptação às mudanças climáticas.

Segundo o coordenador do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais, Fábio Feldman, a criação dos fóruns estaduais, em 2005, foi um avanço que permitiu aos estados uma maior articulação com as políticas municipais e federais. Ainda assim, prevalecem as dificuldades históricas na implantação de políticas nacionais relacionadas ao clima.

“Há dificuldades dos governantes para compreender que o clima é um tema para hoje, não para daqui a 20 anos. No Ministério da Ciência e Tecnologia, por exemplo, a estrutura para trabalhar nesse tema é muito pequena, mantendo o mesmo número de pessoas há mais de 15 anos”, disse.

Segundo ele, as principais propostas dos fóruns têm foco na elaboração de marcos regulatórios relacionados às mudanças climáticas em todos os níveis de governo. “Em São Paulo elaboramos uma política para criar um processo – ou seja, incluir na agenda governamental a obrigatoriedade de inventários e mapas de vulnerabilidades. Acreditamos que isso vá mobilizar a sociedade brasileira para um avanço concreto”, explicou.

Feldman declarou que há grandes dificuldades políticas para o estabelecimento de metas de emissões de gases de efeito estufa. “O problema é que as metas são entendidas como punição e não como oportunidade de inovação tecnológica”, afirmou.

Outra dificuldade importante no Brasil, segundo Feldman, é articular as políticas públicas de clima com políticas setoriais como as de transportes e saúde. Um exemplo disso, segundo ele, é a redução dramática do imposto sobre produtos industrializados (IPI) concedida pelo governo brasileiro, por causa da crise financeira.

“Com essa redução do IPI teremos uma imensa frota renovada de caminhões. Mas perdemos a oportunidade de articular essa iniciativa com as políticas climáticas, já que essa renovação será feita com uma tecnologia atrasada do ponto de vista do padrão de emissões. O padrão do diesel comercializado no Brasil é muito ruim, comparável apenas a alguns países da África”, declarou.

Segundo Feldman, a legislação não conseguirá, por si só, implantar as políticas de adaptação e mitigação. “Os dois avanços em políticas ambientais mais importantes que surgiram nos últimos anos foram o indicador de sustentabilidade ambiental da Bovespa e a decisão das redes de supermercados de só comprar carne com rastreabilidade, para evitar os produtos que devastem a Amazônia. Esses dois avanços não envolveram legislação”, disse.

Mudança cultural

O presidente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Fernando Rei, afirmou que propor medidas de adaptação e mitigação implica uma mudança cultural que, muitas vezes, é rechaçada pela sociedade.

“Muita gente acha que vai haver alguma revolução tecnológica que nos permitirá manter os atuais níveis de consumo. Há uma grande dificuldade da academia e dos órgãos ambientais para se confrontar com esse tipo de contrapropaganda”, disse Rei.

Para Rei, a resistência à mudança de hábitos por parte dos cidadãos indica que há uma tendência de transferir as responsabilidades ao poder público. “Embora a Constituição Cidadã já tenha completado 21 anos, seguimos construindo um projeto de nação no qual o cidadão tem muito poucos deveres. A Carta Magna, no entanto, destaca o compromisso da coletividade e do poder público na preservação da qualidade ambiental”, declarou.

Segundo Rei, é preciso também que a academia trate o problema do clima de forma mais multidisciplinar. “Nosso processo de ensino encaminha os alunos para um universo de certezas. Não geramos na academia alunos que trabalhem com dúvidas. A burocracia acadêmica dificulta a construção de um olhar científico multidisciplinar. No entanto, o tema da mudança climática é essencialmente multidisciplinar e, por isso, será preciso repensar a forma de se produzir conhecimento”, disse.

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