RSS

Arquivo da categoria: Dicas de leitura em Ciências Política

As Ciências sociais na escola

 

As Ciências sociais na escola

Autor(es): Maria Teresa Nidelcoff

Editora: Brasiliense

Área(s): Ciências Sociais

Páginas:174 pág.

Descrição: Depois das propostas inovadoras de Uma Escola para o Povo e A Escola e a Compreensão da Realidade, a educadora argentina conhecida internacionalmente Maria Teresa Nidelcoff desenvolve agora metodologias ativas para o ensino sas Ciências Sociais. Dirigido aos professores de 1º e 2º graus, aqui ela propõe a introdução de atividades didáticas como o estudo de História através da realidade imediata, da poesia como forma de aprendizado, e da procura do autoconhecimento e da auto-expressão. Sem a pretensão de criar modelos, Maria Teresa Nidecoff abre espaços à imaginação e à criatividade dos professores.

Revolução e democracia em Marx e Engels

Revolução e Democracia em Marx e Engels

Por: Francisco Conte

capa do livro

As investigações acerca do lugar ocupado pela democracia no pensamento marxista tornaram-se ainda mais agudas com a débâcle do chamado socialismo realmente existente. Jaques Texier é, ao mesmo tempo, protagonista e tributário deste rico debate.

Um dos maiores divulgadores do pensamento gramsciano na França, Texier não acredita que o fim da União Soviética possa por em xeque o projeto socialista, embora tenha deslocado aquele marxismo que, construído entorno de certa leitura da Revolução de Outubro, não concebe a revolução social como radicalização da democracia.

Mergulhando em textos de Marx e Engels, alguns dos quais, como a Introdução de Engels à obra As lutas de classes na França, receberam pouca atenção até agora, Texier leva a cabo uma rigorosa pesquisa filológica – para qual a contribuição dos Cadernos do Cárcere é evidente – em que resgata a dicção visceralmente política desses autores que, apesar de certas nuances e insuficiências, se mostra profundamente democrática. Sublinha que tanto em Marx como em Engels a temática da democracia está articulada a da revolução; mas não se instaura aqui qualquer oposição, pois se trata de conquistar ao mesmo a democracia e o comunismo. Nem se pode afirmar – como acrescenta Texier na contramão de outras análises – que Marx e Engels tenham jamais abandonado a possibilidade de a revolução socialista se realizar de maneira pacífica em países de democracia consolidada.

O livro, o primeiro de Texier publicado no Brasil, está destinado – tanto pelos temas que enfrenta como pelas contribuições que suscita – a despertar um interesse que ultrapassa marcos estritamente acadêmicos.

Fonte:UFRJ

Editora: UFRJ

Ano: 2006

Tradução: Duarte Pereira

Coleção Pensamento Crítico

Elaboração de Projetos Sociais – 39ª Edição – São Paulo – SP

Elaboração de Projetos Sociais – 39ª Edição - São Paulo – SP


Objetivo: O curso visa contribuir para o aprimoramento de técnicas em Elabotação de Projetos Sociais.


Público Alvo: Profissionais que atuam na área da assitência social, gestores e profissionais de organizações do terceiro setor, estudantes e profissionais envolvidos em projetos sociais.
Datas:
08, 15,*22 e 29 de maio de 2010 (aos sábados).
( * )
Sendo que nos dias 08, 15 e 29 de maio de 2010 (datas com aulas presenciais) e no dia *22 de maio de 2010 , atividade não presencial com assessoria por e-mail (acompanha anexos de exercícios).
Horário: 08h30 as 17h:30
Carga Horária: 32 horas.
Local: IMAM – Inovação e Melhoramento na Administração Moderna <>
Rua Loefgreen, 1400 – Vila Mariana – São Paulo – SP.
(Próximo a Estação Santa Cruz do Metrô).

Investimento: R$ 522,00 (quinhentos e vinte e dois reais).

Para pagamentos divididos em 03 Parcelas:
1ª Parcela: R$ 174,00 (cento e setenta e quatro reais).
Banco: Caixa Econômica Federal – Agência: 4128 – C/C: 003.00.000.182-3
2ª Parcela: R$ 174,00 (cento e setenta e quatro reais) – Cheque para 30 dias.
3ª Parcela: R$ 174,00 (cento e setenta e quatro reais) – Cheque para 60 dias.

Para pagamentos divididos em 04 Parcelas:
1ª Parcela: R$ 140,00 (cento e quarenta reais).
Banco: Caixa Econômica Federal – Agência: 4128 – C/C: 003.00.000.182-3
2ª Parcela: R$ 140,00 (cento e quarenta reais). – Cheque para 30 dias.
3ª Parcela: R$ 140,00 (cento e quarenta reais). – Cheque para 60 dias.
4ª Parcela: R$ 140,00 (cento e quarenta reais). – Cheque para 90 dias.

Desconto de 10% para para três ou mais inscrições pertencentes à mesma instituição.

Incluso : Material didático, Coffee Break e Certificado.
Informações e Inscrições: (11) 2283-5838
E-mail:perspectivasocial@perspectivasocial.com.br
Vagas Limitadas

Metodologia: O curso será desenvolvido em forma de oficina para possibilitar aos participantes maior interação com os conteúdos aplicados.

Conteúdo Programatico:

  • Diagnostico para identificação do Publico Alvo.
  • Breve Histórico.
  • Refencial Teórico.
  • Justificativa.
  • Público Alvo.
  • Objetivos: Geral e Específico.
  • Impactos dos objetivos específicos.
  • Metas.
  • Metodologia.
  • Equipe Técnica.
  • Plano de Trabalho:
    • Cronograma de Atividades.
    • Orçamento Físico.
  • Processo de Avaliação.
  • Indicadores de Resultados.
  • Cronograma de Atividades para Avaliação.
  • Carta de Encaminhamento a Patrocinadores.
  • Considerações finais.

Assessores:

Divaneide Alves – CRESS 37.155 – 9ª Região – São Paulo – SP.

  • Pós-Graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Universidade Bagozzi – Curitiba – PR.
  • Graduada em Serviço Social pela PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – SP.
  • Coordenadora Municipal da Área da Assistência Social do Programa Federal – ProJovem com Trabalho Interdisciplinar; Elevação de Escolaridade, Orientação para Qualificação Profissional e Desenvolvimento de Ações Comunitárias – Guarulhos – SP.
  • Consultora pela Perspectiva Social – Consultoria & Assessoria em :
  • Gestão em Desenvolvimento de Projetos Sociais no Terceiro Setor.
  • Assessora em Serviço Social.

Professor Carlos Gaia.

  • Pós-Graduado em Sócio-Psicologia – Análise de Fenomenos Sociais pela FESPSP – Fundação Escola de Sociologia e Política em São Paulo – SP.
  • Graduado em Filosofia Pela – USF – Universidade de São Francisco.
  • Consultor em Desenvolvimento Social pela Perspectiva Social – Consultoria & Assessoria Ltda.
  • Presidente do Instituo GHAYA para o Desenvolvimento Humano.
  • Coordenador de Grupos de Estudos – Homem e Sociedade ( Espaço Lógos – Perspectiva Social ).


Para se inscrever neste curso, preencha o nosso formulário de INSCRIÇÃO


Outros Cursos :

Gestão Social: Desenvolvimento Comunitário – São Paulo – SP.

Elaboração de Projetos Sociais – Campinas – SP.


Realização:

Perspectiva Social – Consultoria & Assessoria Ltda.
Desenvolvendo Ambientes & Aprimorando Pessoas.
Telefone : ( 11 ) 2283-5838
www.perspectivasocial.com.br

*A Coordenação do evento reserva-se ao direito de transferir para uma próxima data ou de cancelar o programa, caso não atinja o numero mínimo de participantes.


Copyright © 2009 – Perspectiva Social – Consultoria – Todos direitos Reservados.

ANISTIA ONTEM E HOJE

ANISTIA ONTEM E HOJE

Título: ANISTIA ONTEM E HOJE
Volume: 1
Indicação: Ensino superior
Coleção: —-
Autor(es) / Autora(s): Roberto Ribeiro Martins
Temas: Literatura geral
Ano: 2010
Peso: 300 grs
Nº de Páginas 262
ISBN: 978851100164-8
Descrição

O Brasil do século XXI ainda resiste em discutir a anistia e todo o seu histórico. Passados 30 anos da promulgação da lei da anistia, criada em 1979, a terceira edição atualizada do livro Anistia ontem e hoje, de Roberto Ribeiro Martins, torna-se mais necessária ainda diante da recusa estatal em abrir os arquivos do período militar e promover abertamente o debate em torno desse conturbado período histórico do Brasil.

Anistia ontem e hoje, segundo o historiador Hélio Silva, é “o testemunho do erro social de punir os que ousam pensar.” E quantos ainda carregam as marcas dessas punições. O país continua a sofrer as perdas provocadas pelos anos de censura social, política, cultural e intelectual.

Um resgate histórico, desde a Grécia antiga, sobre a instituição da anistia, que segundo o historiador Hélio Silva “deveria tornar-se um manual de leitura obrigatória para as crianças, nas escolas, e para os adultos, nos quartéis, nos escritórios e nas oficinas…”

O estudo comparativo entre autores marxistas

Um grande encontro

O estudo comparativo entre autores marxistas

Professor de Sociologia na Universidade Berkeley (EUA), Michael Burawoy é um dos principais teóricos marxistas contemporâneos. Organizada e apresentada por Ruy Braga, docente do departamento de Sociologia da USP, esta reunião de seis conferências proferidas por Burawoy, no Havens Center de Wisconsin, versam sobre uma relação instigante para qualquer estudioso do pensamento sociológico: o estudo comparativo entre autores marxistas – entre eles, o próprio Marx e Antonio Gramsci – e o legado teórico do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Destaque para o último capítulo: “Os intelectuais e seu público: Bourdieu herda Wright Mills”. Mills não era bem um marxista de carteirinha, mas o texto não parece deslocado do conjunto. Sem perder de vista sua crítica às teorizações e aos métodos de Bourdieu, Burawoy presta um tributo “ao maior sociólogo público” das últimas décadas.

Título: O marxismo encontra Bourdieu
Autor: Michel Burawoy
Tradução: Fernando Rogério Jardim
Organizador: Ruy Braga
Editora: Unicamp
Coleção: Marx 21
Ano: 2010

Afundação Roberto Marinho

Afundação Roberto Marinho é um livro publicado em 1988, escrito por Romero Machado, ex-funcionário das Organizações Globo, onde tece diversas críticas sobre esta empresa.

Resenha do livro Metamorfoses do discurso político

Resenha:

COURTINE, Jean-Jacques. Metamorfoses do discurso político: as derivas da fala pública. Tradução Nilton Milanez, Carlos Piovezan Filho. São Carlos: Claraluz, 2006.

______________________________________________

O discurso político contemporâneo

por Vera Lucia da Silva* & Juliana da Silveira**


A obra subdivide-se em três partes e o autor, ancorado na teoria da Análise do Discurso de linha francesa (AD), promove uma discussão sobre o discurso político contemporâneo na atual conjuntura societária midiatizada.

Na apresentação, Gregolin afirma que o discurso político contemporâneo exige novas práticas adequáveis ao aparato áudio-visual de informação. Por isso, o discurso político não pode ser dissociado da produção e recepção das imagens reguladas pelas novas práticas midiáticas que leva o analista do discurso político a buscar novos procedimentos para compreender as transformações ocorridas no campo discursivo da comunicação política.

A primeira parte refere-se à história e a crítica da AD, intitulada O professor e o militante, o autor retrata que a AD, por ser uma prática da leitura dos textos políticos, emergiu no interior da lingüística francesa a partir de 1968, motivada pelos acontecimentos de maio de 68. Momento histórico que estudantes e operários parisienses se manifestaram contra a política vigente e marcou a constituição de novos valores – liberdade individual e sexual, expressão pessoal que refuta as hierarquias, as tutelas e as tradições – questionadores das autoridades familiares, patronais, sindicais e políticas.

Período marcado também por novas sensibilidades linguageiras – fala breve, pessoal e efêmera – que romperam com as formas canônicas de posição pública, ou seja, aquela dos falares longos, truncados e de difícil assimilação.

Os estudos da AD surgiram com objetos empíricos extraídos do discurso pedagógico, científico e de historiadores centrados na revolução francesa. Porém, o seu maior objeto analítico foi o discurso político francês dos partidos da esquerda francesa.

No plano teórico, a AD relaciona procedimentos de análise lingüística e conceitos históricos emprestados do marxismo, na perspectiva da articulação entre língua, discurso e ideologia (via althusseriana) ou na sociologizante (diferenças entre grupos sociais – via sociolingüística).

No item eclipses de memória, o autor afirma que houve alteração na conjuntura política: despolitização do corpo social, desideologização de certos partidos políticos em nome da modernização, declínio do militantismo e da sindicalização concreta e realista, a esquerda no poder descobre o pragmatismo político, o silêncio dos intelectuais, o individualismo. Para o autor, houve, nos últimos anos, uma transformação profunda na representação do político e cabe compreender o que está em jogo nessa nova conjuntura.

A AD configurada nos anos 60 sob uma sociedade impregnada pelo estruturalismo, epistemologia da descontinuidade, política marxista das ciências humanas e também pela psicanálise, se estabeleceu como lugar privilegiado do encontro entre a lingüística e a história. Assim, a análise do discurso político sofre mutações que dependem das condições de produção do momento histórico-social vigente. Ele exemplifica essa idéia com as diferenças analíticas em relação à comunicação política produzida em um comício que reúne multidões em torno de um orador ou para os programas televisivos, as quais cada uma assiste do seu domicílio. Como o discurso político passou a ser dominado pelas mídias e por isso o verbal e o não-verbal estão imbricados, não é possível dissociar o corpo do gesto

A segunda parte refere-se à língua de madeira, intitulada linguagem, discurso político e ideologia. Para o autor, a AD e o termo discurso, passou a ser a usado de modo sistemático na lingüística moderna, a partir de 1960, embora antes, já havia a preocupação em formular suas regras, descrever suas configurações e avaliar seus efeitos, especialmente da análise do discurso político na França.

Em se tratando de discurso político, o analista deve observar três noções para compreender o processo discursivo: o corpus, o enunciado e o sujeito político que está assujeitado a um todo de muitas condições de produção e recepção de seu enunciado em uma determinada conjuntura política. Assim, os partidos políticos são diferenciados pela língua, ou seja, pelo discurso que os fazem serem reconhecidos e os indivíduos a eles aderidos.

O autor faz menção à língua de madeira como o uso de formas longas, fixas e redundantes no discurso político. No momento contemporâneo, a política está se desenvolvendo com formas curtas, fórmulas e diálogos que faz do discurso político algo com mais fluidez e um imediatismo que requisita o instante mais do que a memória. O discurso político passa por um processo transformacional na enunciação, com um discurso curto, descontínuo e ininterrupto. Neste caso, o sujeito re-emerge de modo individual, em detrimento do apagamento da máquina política.

O autor dá prosseguimento a essa idéia com a afirmação de que a política de texto foi profanada e adquiriu novas práticas com formas inovadoras de diálogos, entrevistas, holofotes televisivos e videoclipes políticos. Estes dois últimos itens revelam que a política não pode ser dissociada da produção e recepção de imagens, assim como, o discurso do homem político também não pode se separar de sua imagem. Dessa forma, as análises precisam se adequar a novas práticas e considerar, além dos elementos lingüísticos, a colagem de imagens.

Segundo o autor, a memória é um fator condicional de existência do partido que precisa se inscrever em uma genealogia e relembrar uma filiação capaz de sustentar uma legitimidade. Na política, a memória é um poder em que os partidos se organizam para assegurar seu futuro pela evocação de seu passado, pois é nela que se concretiza a possibilidade de expressão e o direito à fala.

O autor, no item sobre a recitação e o comentário afirma que a fala política se caracteriza como um conjunto de rituais não-verbais que compõem os elementos essenciais da representação política: o discurso, os gestos, os reguladores de comportamento, a previsão das circunstâncias e a organização de um mise en scène (teatro). A pós-modernidade provocou mudanças na forma de representação política com as inovações midiáticas, fazendo com que o discurso funcione sob as regras das formas breves, longe das grandes narrativas políticas e monólogos intermináveis e com o objetivo maior de seduzir a explicar, de capturar a convencer.

Na terceira parte sobre a história e a crítica da AD, intitulada mutações das discursividades políticas: o exemplo americano, no item a personalização da esfera pública, o autor afirma que as formas discursivas de comunicação política sofreram mutações, durante o século XIX, nos Estados Unidos. A fala pública passa por transformações e a tradição retórica americana cede lugar a outro estilo linguageiro, aquele planejado para atender às exigências políticas e comerciais voltadas para uma sociedade de massa.

O autor, ao deixar de lado o aspecto da linguagem, para considerar o olhar e o espetáculo, considera a televisão como um mecanismo que aumentou a capacidade de visibilidade corporal do homem público e o crescimento da psicologização da esfera política. Ao afirmar que, enquanto a imprensa escrita entrou em processo de declínio, a televisão aumentou seu poder, gerando grande competitividade entre as grandes redes e os canais a cabo, privilegiando os anúncios espetaculares e submeteram as informações à lógica do proveito e alimentaram o cinismo dos jornalistas.

Sobre este aspecto, o autor afirma que dada à rapidez de divulgação das informações, as reflexões sobre as temáticas apresentadas tornaram-se superficiais, além das limitações e fontes duvidosas. Assim sendo, a divulgação dos escândalos políticos tornou-se um eco com poder sem precedentes quando comparados às folhas de papel do século passado.

Este livro traz conceitos importantes para os pesquisadores do discurso político pós-moderno que, em conjunto com a teoria da AD, proporciona uma visão conceitual e crítica no/do novo modo de fazer política em uma conjuntura social dominada pelos meios de comunicação de massa.

 

 


 

* Mestre pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual de Maringá (PLE/UEM)


** Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação da Universidade Estadual de Maringá (PLE/UEM)

 

Frases para depois da resenha

Lutar pel igauldade sempre que as diferenças nos discriminem,lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize - Boaventura de Souza Santos

Cada vez mais vivemos num mundo de perguntas fortes e respostas fracas – Boaventura de Souza Santos

Seleção Natural

De cultura a política, livro reúne ensaios de Otavio Frias Filho

Há nada de tão natural na redação desses 25 ensaios, escritos ao longo de quase 25 anos de carreira de Otavio Frias Filho e que a Publifolha reúne em Seleção Natural: Ensaios de cultura e política. A começar pela natureza híbrida do autor: diretor de Redação da Folha de S.Paulo desde 1984, mantém uma produção intelectual regular e variada, que vai da crítica de cultura ao comentário político, com a mesma aparente facilidade.

A continuar pela natureza dos textos, redigidos com um sóbrio virtuosismo que já se tornou marca reconhecida, para não dizer renomada, entre os autores da geração que chega hoje à casa dos 50 anos.

Por outro lado, nada mais natural do que fazer uma seleção – a essa altura, beneficiada pela visão retrospectiva, capaz de escolher, nos textos do passado, aqueles que definiam um momento e ainda falam ao presente. Em outras palavras: sobreviveram os mais fortes.

O resultado forma um conjunto surpreendente de artigos, que começa no cinema (de Abel Gance a Francis Ford Coppola, de Ed Wood a Oliver Stone), passa pela literatura (Monteiro Lobato, Dostoiévski, Ilíada e Hamlet, entre outros), pelo teatro – paixão particular dele que é também um provado dramaturgo – e pelo jornalismo (das ideias de John Milton contra a censura prévia a uma reconstituição do caso Watergate), em contraponto com discussões políticas (da “História Sentimental do Tucanato” ao legado de Tocqueville) e um meticuloso ensaio final sobre “A Descendência de Darwin” e seu desafio às ciências humanas da atualidade. Que as áreas se cruzem na grande maioria dos textos é mais que natural.

“Se tivéssemos de apontar um único fenômeno, um tema básico, que seja capaz de mobilizar os interesses de Otavio Frias Filho”, escreve Marcelo Coelho no Posfácio, “não erraríamos ao dizer que é a possibilidade, por ele várias vezes entrevista, de uma ‘compressão máxima’, de uma colisão mesmo, entre ‘o dia de ontem e o dia de amanhã’”.

A observação se colore dos mais diversos matizes, na sequência de temas abordados por este ensaísta a um tempo cético e engajado, que não guarda ilusões sobre o dia de amanhã, nem lamenta especialmente o de ontem, sem deixar de apontar o quanto poderia ser diferente num e noutro caso.

Reunidos desse modo, os textos sugerem ainda uma dimensão que talvez não fosse fácil de perceber. Trata-se, afinal, de um panorama dos interesses e do pensamento de uma geração, que viveu de perto os mais importantes acontecimentos políticos e culturais das últimas três décadas e que agora se vale dessa experiência para questionar a si mesma, no pulso do presente.

Seleção Natural
Autor: Otavio Frias Filho
Editora: Publifolha
224 páginas
R$ 34,00

O livro pode ser adquirido nas principais livrarias, pelo televendas 0800-140090 ou pelo site www.publifolha.com.br

Sobre o autor

Otavio Frias Filho é diretor de Redação da Folha de S.Paulo. Publicou De Ponta-Cabeça (Ed. 34, 2000) – uma coletânea de colunas na Página Dois da Folha –, um volume de peças teatrais, Tutankaton (Iluminuras, 1991), e Queda Livre (Companhia das Letras, 2003), um livro de ensaios, entre reportagem, autobiografia e antropologia. Também escreveu livros para crianças.

Democracia e Revolução

Democracia e Revolução

Nesse texto, leitor, fica evidente a importância do comunismo e da democracia para Georges Labica. Para este autor – falecido recentemente – democracia e revolução estão estreitamente imbricadas, uma nutre a outra. Processos efetivamente revolucionários exacerbam a exigência e a possibilidade efetiva de democracia; a violência não deriva do impulso revolucionário libertador, mas da potência repressiva recente da ordem estabelecida. Labica não teme as palavras e, menos ainda, a luta – ainda que formidável – que as palavras precisam designar. Se revolução é democracia revolucionária, é preciso enfrentar os burocratismos e o peso crescente do executivo, despertar da anestesia submissa e resignada que dele derivam, livrar-se tanto do estalinismo quanto da dominação burguesa.
Retomando a concepção lukacsiana de democratização, reitera que a revolução democrática permanece sendo anseio dos explorados. As impropriamente chamadas de “democracia-modelo” dos países centrais reduzem-se crescentemente a uma ditadura aberta do capital, para dentro e para fora de sua fronteiras. Marx, Lenin e Gramsci são trazidos ao texto para nos lembrar que não basta mudar o condutor da máquina capitalista, mas que é estritamente necessário acabar – quebrar, destruir – essa máquina.

AUTOR: Georges Labica

Número de Páginas: 80

O preço do passado – Anistia e reparação de perseguidos políticos no Brasil

O preço do passado – Anistia e reparação de perseguidos políticos no Brasil

Resultado de uma pesquisa cuidadosa, este trabalho analisa todo o processo histórico que envolve as políticas de anistia e reparação até o momento presente, em relação aos cerca de 60 mil perseguidos políticos durante os 21 anos de ditadura militar no país.

Em sua cronologia, o processo abarca quatro aspectos principais, que se deram sucessivamente: 1)a luta pela anistia política, visando ao reconhecimento dos direitos políticos e de expressão, e, em outra instância, à volta ao país de milhares de exilados. 2)Após o restabelecimento dos direitos políticos, a reintegração social e trabalhista dos perseguidos na sociedade. 3) A busca pela “publicização” do ocorrido, que se dava durante o período militar de diversas formas (literatura, cinema, teatro, TV) apesar da censura sofrida constantemente. E na atualidade, as novas formas de comunicação, como a Internet, são ferramentas novas para continuar o trabalho de divulgação e luta pelo não-esquecimento. 4) A procura do reconhecimento do Estado pelos erros, através de indenização financeira e reparação simbólica. Iniciado na década de 1980, este último aspecto tornou-se mais forte desde a década de 1990, e está ligado tanto a busca pela justiça como pelo “direito à verdade”, através da reivindicação da abertura de arquivos públicos, dos documentos do exército, das polícias, dos institutos médicos legais, e também da devolução dos corpos, das comprovações dos atestados de óbitos etc.

Todos esses aspectos são permeados pelo que a autora chama de “busca pela preservação da memória”, sendo a exposição e a interminável luta pela reparação por parte dos perseguidos e parentes das vítimas, o preço por reaverem seu próprio passado e o devido lugar na história do país.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 560 other followers