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Introdução à Antropologia da Saúde

Ementa de Antropologia da Saúde

Iniciação aos estudos antropológicos acerca da Saúde e dos aspectos sócio-culturais do processo Saúde-Doença e de suas instituições, da prevenção, da cura e da morte nas diversas culturas e, em particular, na cultura brasileira.

Objetivos

1. Possibilitar aos estudantes de enfermagem compreensão das dimensões culturais do processo Saúde/Doença e seus derivativos.

2. Criar condições para que os alunos valorizem os próprios saberes e os saberes do outro (da comunidade) em saúde, na perspectiva de sujeitos (que são) produtores de conhecimento.

3. Contribuir para a compreensão das influências culturais sobre as concepções e práticas de Saúde/Doença, prevenção, cura e morte com que os estudantes e os futuros profissionais de enfermagem poderão deparar-se no cotidiano profissional e fora dele.

Metodologia

Esta proposta de curso/disciplina está apoiada na valorização dos saberes que os alunos de enfermagem adquirem e aplicam em suas práticas docentes, enquanto sujeitos (que são) produtores de conhecimento. Assim sendo, as aulas serão dialógicas e debaterão assuntos e problemas trazidos para a sala de aula e não apenas aqueles apresentados neste programa.

Avaliação

Coerente com os objetivos do curso/disciplina, os alunos serão avaliados não só pela apresentação de trabalhos escritos (individuais ou em grupos), seminários, etc., mas também pela participação em classe e/ou interesse pela disciplina.

Conteúdo programático

1. Antropologia: aspectos epistemológicos e teóricos

1.1. Os grandes temas de estudo da Antropologia.

2. Homem/Natureza. Sociedade/Cultura. Estudo antropológico da Cultura.

3. A Saúde/Doença como tema e objeto de estudo e investigação da Antropologia. A Saúde/Doença e cultura. O olhar da alteridade.

4. As dimensões míticas, mágico-religiosas e científicas da Saúde/Doença.

5. Antropologia da Saúde, Antropologia da Doença e suas aplicações na teoria e prática da Enfermagem. Antropologia e Enfermagem.

6. A Antropologia da Saúde, o SUS e os modelos de atenção à Saúde da Família.

7. A interdisciplinaridade entre a Antropologia da Saúde e os demais campos científicos no planejamento e na execução de programas e ações de Saúde.

Bibliografia

ALVES, Paulo Cézar; MINAYO, Maria Cecília de Souza (orgs.). Saúde e doença: um olhar antropológico. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1994.
BERLINGUER, Giovanni. A Doença. São Paulo: Hucitec – ABRASCO.
_____. Questões de vida: ética, ciência, saúde. Salvador/São Paulo/Londrina: APCE- HUCITEC-CEBER, 1993.
BOLTANSKI, Luc. As classes sociais e o corpo. Rio de Janeiro: Graal, 1989.
DOUGLAS, Mary. Pureza e perigo. São Paulo: Perspectivas, 1976.
LAPLANTINE, François. Aprender antropologia. São Paulo: Brasiliense.
_____. Antropologia da Doença. São Paulo: Martins Fontes.
MORAIS, J. F. Régis (org.). Construção social da enfermidade. São Paulo: Cortez e Morais, 1978.
NUNES, Everardo Duarte (org.). As ciências em saúde na América Latina. Brasília: OPAS, 1985.
PAIM, Jamilson S. A Reforma sanitária e os modelos assistenciais. In: ROUQUARYOL, Maria Zélia. Epidemiologia e saúde. 4. ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 1993.
ROQUARYROL, Maria Zélia. Epidemiologia e saúde. 4. ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 1993.
_____. Abordagens teórico-conceituais em estudos de condições de vida e saúde: algumas notas para reflexão e ação. Seminário latino-americano. Condições de Vida e Saúde. São Paulo, 10 a 13 de dezembro de 1995.
RODRIGUES, José Carlos. Tabu do corpo. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1986.
_____. Tabu da Morte. Rio de Janeiro: Dois Pontos, 1986.
SILVA, Yolanda Flores & FRANCO, Maria Celsa (org.). Saúde e Doença: uma abordagem cultural da enfermagem. Florianópolis: Papalivro, 1996, 117 p.Hemerografia Básica
CADERNOS de Saúde Pública: abordagens antropológicas em saúde. Rio de Janeiro: FIOCRUZ/ENSP. v. 9, n. 3, jul/set/1993.
CADERNOS de Saúde da Família. Construindo um novo modelo; os municípios já têm história para contar. Brasília, Ministério da Saúde, ano 1, n. 1, jan/jun,1996.
CAMPOS, Nina H. e outros. Família y familiar, un enfoque para la atención primeria. Boletin de la Oficina Sanitária Panamericana. Santiago, frebero de 1985

Fonte: Universidade Estadual de Feira de Santas  – http://saude.uefs.br/

Agora sim, uma introdução à Antropologia da Saúde….

Antropologia da saúde

Antropologia da Saúde corresponde a uma especialização ou aplicação da antropologia ao estudo do comportamento humano para obtenção e manutenção da saúde através de práticas culturais. Naturalmente, trata-se de uma divisão com fins didáticos pois não há como isolar um “fato” social do seu contexto ou realidade construída pelas sociedades humanas com sua linguagem e cultura característica.Tal ciência aplicada pode ser melhor compreendida tanto pela análise da produção de trabalhos produzidos por antropólogos e demais cientistas sociais como pela especificidades da área de aplicação e suas interfaces com demais ramos do conhecimento.

A antropologia da saúde pode se distinguir da antropologia médica se considerarmos que essa última se detém no estudo das racionalidades médicas, e no estudo das patologias e sistemas terapêuticos – a medicina, tal com conhecemos em nossa sociedade estabelecendo limites difusos com a antropologia biológica e antropologia física ou pode se deter no conceito ampliado de saúde tal como desenvolvido pela medicina social, epidemiologia e estudo da saúde pública.

Para François Laplantine, o autor de Antropologia da doença, esta ciência estuda a percepção e resposta de um grupo social à patologia, elabora e analisa modelos etiológicos e terapêuticos. Um modelo é: uma construção teórica, caráter operatório (hipótese) e também uma construção metacultural, ou seja, que visa fazer surgir e analisar as formas elementares da doença e da cura – sua estrutura seus invariantes tornando-o comparável a outros sistemas (Laplatine).

Outra contribuição relevante de nossos dias vieram de Arthur Kleinman. Segundo esse autor, observando-se a trajetória de pacientes e curadores no contexto cultural distingue-se na organização social o sistema cultural de cuidados de saúde (Health Care System) correspondendo a estas práticas: a o setor ou medicina popular / familiar, conhecida e praticada por todos; a medicina tradicional, que exige um especialista formador – a relação mestre/ discípulo e finalmente o setor médico profissional que se caracteriza-se por possuir escolas formais e hegemonia social. (Kleinman apud Uchoa; Vidal e Currer).

A esses setores correspondem modelos explicativos dos profissionais e dos pacientes e suas famílias, alguns autores que a interação de tais símbolos em uma rede semântica corresponde à construção de realidades médicas que conjugam, normas, valores, expectativas individuais e coletivas, comportamentos ou formas específicas de pensar e agir em relação à doença e saúde. (Uchoa; Vidal)

Uma outra maneira de entender as regras e técnicas e rituais que emergem da vida prática de distintas sociedades (incluindo a nossa) é sua abordagem enquanto processo cognitivo (epistéme) ou racionalidades.

Racionalidade médica, na terminologia proposta por Luz (1988), essencialmente útil para quem pretende comparar elementos (o que é uma exigência do método estrutural). Segundo essa autora, uma racionalidade médica ou sistema lógico e teoricamente estruturado, tem como condição necessária e suficiente para ser considerado como tal, a presença dos seguintes elementos:

1. Uma morfologia (concepção anatômica);
2. Uma dinâmica vital (“fisiologia”);
3. Um sistema de diagnósticos;
4. Um sistema de intervenções terapêuticas;
5. Uma doutrina médica (cosmologia).

Um século de contribuições

Assim como a própria antropologia, tais estudos se iniciaram com as descrições etnográficas do século XIX, assim temos descrições do xamanismo, e das “medicinas tradicionais” e “medicinas populares” entre as proposições teóricas do começo do século XX destacamos as contribuições de Marcel Mauss (1872 – 1950) em especial a criação da noção de técnica do corpo, entendendo o corpo humano como o primeiro e mais natural instrumento do homem nos permitindo comparar as intervenções obstétricas, cuidados de puericultura, higiene, sexualidade etc. e as distinções que faz entre magia, religião situando a prática dos curandeiros, analisando o poder dos enfeitiçamentos e crenças incluindo as célebres descrições de “morte sugerida” ou induzida por feitiçaria na Austrália e Nova Zelândia fenômeno psicossomático posteriormente estudado pelo fisiologista Cannon W. B. (1942) nas suas descrições da relação cérebro – emoção.

As práticas mágicas e simpatias em seus aspectos sociais e psicológicos estão entre os objetos de estudo de Mauss, que mais produziram ecos e até hoje permanecem na lista de interesses do antropólogo voltado para as questões do processo saúde – doença, repleto de excelentes descrições obras clássicas com “Bruxarias, Oráculos e Magia entre os Azande” de E. E. Evans-Pritchard com sua cuidadosa descrição da farmacopéia mágica e outras características religioso-étnicas desses povos da África Central ou “Pensamento Selvagem” de Claude Levi-Strauss, que nos propõe um caminho da compreensão do pensamento mágico e mitologia a partir da comparação das “operações” deste com o pensamento científico delimitando suas relações com a intuição sensível, predominante nas analogias do primeiro, e com a percepção – observação na lógica do pensamento científico.

Também é objeto da antropologia médica o modo como se formam os distintos agentes de cura, o modo como estes modificam a realidade institucional/ cultural em distintos países e organizações sócio-econômicas e o modo como se produzem e distribuem (consomem) ações e serviços de saúde, aliás a OMS, Organização Mundial de Saúde, tem estimulado desde sua fundação a associação das medicinas tradicionais à prestação de serviços primários de saúde a exemplo da bem sucedida criação dos médicos de pés descalços na China.

Antropologia da Sáude no Brasil

Pesquisas sobre as contribuições da antropologia à Medicina, Fisioterapia, Psicologia / Psicanálise, Enfermagem, Odontologia e outras áreas da saúde em estudos específicos sobre essa produção em periódicos e congressos científicos nos revelam que o Brasil, centenas de estudos exploram as relações entre saúde, doença e cura na religiosidade popular, nos sistemas etnomédicos indígenas e religiões – medicinas de matriz africana (candomblés e práticas médico religiosas de afro-descendentes) versam sobre representações do corpo e cuidados corporais, categorias de alimentação, condições de vida da classe trabalhadora, saúde mental e mesmo sobre as práticas médicas alternativas ou complementares.

Os estudos mais antigos tentam relacionar as práticas populares (folclore) às tradições formadoras de nossa cultura, analisando inicialmente segmentos étnicos e a cultura no meio rural e os estudos mais recentes, voltam-se para o meio urbano e as distintas classes sociais que caracterizam os conflitos da sociedade capitalista em transformação. As pesquisas mais recentes tendem a integrar as teorias que dão conta dos dados etnográficos (o particular) ao processo socioeconômico e cultural mais amplo (o geral) (Canesqui, 94; Queiroz; Canesqui, 86).

Bibliografia

* Canesqui, Ana Maria. Notas sobre a produção acadêmica de antropologia e saúde na década de 80. in: Alves, P.C.; Minayo, M.C.S. (org.) Saúde Doença, um olhar antropológico. RJ, FIOCRUZ, 1994
* Evans – Pritchard, E.E. Bruxarias, Oráculos e Magia entre os Azande, RJ, Zahar, 1978
* Laplatine, François. Antropologia da Doença. SP, Martins Fontes, 1991
* Levi-Strauss, Claude. Pensamento Selvagem SP, Cia Ed Nacional, 1976
* Luz, Madel T. Natural, Racional, Social ; Razão Médica e Racionalidade Científica Moderna, Rio de Janeiro, Ed. Campus, 1988
* OMS – Organizacion Mundial de La Salud. Atencion primaria de salud. La experiência china, Informe de um seminário iterregional. Ginebra, OMS, 1984
* Kleinman, Arthur Concepts and a Model for the comparison of Medical Systems as Cultural Systems. IN: Currer,C e Stacey,M / Concepts of Health, Illness and Disease. A Comparative Perspective, Leomaington 1986
* Queiroz, Marcos S.; Canesqui, Ana M. Contribuições da antropologia à medicina: Uma revisão de estudos no Brasil. Revista de Saúde Pública, SP, v 20 (2); 141-151, 1986
* Uchoa, Elizabeth; Vidal, Jean Michel. Vidal Antropologia Médica: Elementos conceituais e metodológicos para uma abordagem da saúde e da doença. CAD. Saúde Pública, RJ, 10 (4); 497-404, out-dez,1994
* São Paulo, Fernando. Linguagem médica popular no Brasil; 2v. Rio de Janeiro: Barretto, 1936

Fonte: Wikipédia

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Sobre Denis Wesley

Pode invadir ou chegar com delicadeza Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir... Não grite comigo, eu tenho o péssimo hábito de revidar... Tenha vida própria, me faça sentir saudades... Conte umas coisas que me façam rir... Acredite nas verdades que digo e nas mentiras, elas serão raras, mas sempre por uma boa causa... Respeite meu choro... Deixe-me sozinho, só volte quando eu chamar, e não me obedeça sempre é que eu também gosto de ser contrariado... Invente um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o inverta as vezes... Então: Sou Denis Wesley, muito prazer.

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