Sexo e Temperamento – Mead, Margaret

3 05 2009

9788527301770Sexo e Temperamento

Mead, Margaret

Relato fascinante sobre a vida íntima de três povos primitivos da   Nova Guiné, resultado de uma longa e minuciosa pesquisa científica, que discute e põe em xeque conceitos tradicionais sobre masculino e feminino, abrindo caminho, pioneiramente, para a moderna revolução de mentalidade no modo de encará-los. Uma obra clássica da moderna pesquisa antropológica.

Sobre o livro

Assunto:         Antropologia

Coleção:          Debates 5

Tradução:        Rosa Krausz

Formato:         11,5×20,5 cm

Páginas:          320

Acabamento:  Brochura

Edição:           4ª 2006 – 2ª reimpressão

Peso:               304 g

ISBN:             85-273-0177-6

Preço:              R$ 32.00

Biografia da autora

Antropóloga estadunidense nascida em Philadelphia, Pensilvannia, famosa pela forte personalidade e pelo rigor científico. Graduou-se (1923-1929) na Universidade de Colúmbia, em Nova York, onde estudou com o antropólogo Franz Boas (1858-1942), e trabalhou no Museu Americano de História Natural (1926-1969). Além de uma pesquisa de campo (1925), sobre a adolescência em Samoa, estudou os povos ágrafos da Oceania e complexas sociedades contemporâneas e foi pioneira na utilização da fotografia para documentação de pesquisa etnográfica. Seu interesse concentrou-se em vários aspectos da psicologia e da cultura, inclusive a infância e a adolescência, o condicionamento cultural do comportamento sexual, o caráter nacional e a mudança cultural. Casou-se com Gregory Bateson (1904-1980), filho do famoso genetecista inglês William Bateson (1861-1926), quando empreendiam uma famosa pesquisa junto aos nativos da ilha de Bali (1936-1939), da qual resultaria Balinese Character (1940), um marco na história da antropologia, da antropologia visual em especial. Separaram-se (1951), guardando, todavia, uma recíproca admiração e cumplicidade intelectual até suas mortes, ambas de câncer. Com Gregory escreveu 23 livros, entre eles Coming of Age in Samoa (1928), Growing Up in New Guinea (1930), Sex and Temperament in Three Primitive Societies (1935), Photographic Analysis (1942) e Male and Female (1949). Publicou também, uma autobiografia (1972) e foi eleita presidenta da Associação Americana para o Progresso da Ciência (1973). Morreu em New York.





Sociólogo acredita que uso político do futebol não funciona

2 05 2009

O sociólogo Ronaldo Helal publicou na edição de hoje (16) do jornal O Globo um artigo no qual traça um histórico da relação entre os últimos campeonatos mundiais de futebol e o processo eleitoral brasileiro a conclusão de Helal é de que, apesar de muitos acreditarem que a derrota ou vitória da seleção exerce influência no processo eleitoral, “as evidências têm, freqüentemente, demonstrado o contrário”.

Confira abaixo a íntegra do artigo:

Futebol, eleições e nação

RONALDO HELAL

Começa mais uma Copa do Mundo e uma velha pergunta vem à tona: uma conquista ou uma derrota do Brasil influencia o resultado das eleições presidenciais? Soa inteligente responder afirmativamente. No entanto, as últimas evidências demonstram justamente o contrário. Em 1998, o Brasil perdeu de 3 a 0 para a França na final e Fernando Henrique Cardoso se reelegeu facilmente ainda no primeiro turno. Em 2002, o Brasil venceu a Alemanha por 2 a 0 na final, sagrando-se pentacampeão, e o candidato da oposição, Luis Inácio Lula da Silva, ganhou as eleições.

Certamente alguns governos totalitários se utilizaram do futebol para fins políticos, como o Brasil em 1970 e a Argentina em 1978. Porém, o uso deste esporte com tais propósitos nem sempre foi eficaz. Mesmo após a conquista do tricampeonato em 1970, por exemplo, o partido da oposição — o então MDB — venceu as eleições de 1972 e 1974. A equação futebol-política não se sustenta com as evidências. O futebol é o “ópio do povo” porque paramos para ver o Brasil na Copa. Bem, então seria o ópio das elites também, já que elas também param neste período. Sem contar que em vários países o mesmo ocorre. Se seguirmos com a idéia de que este esporte “narcotiza” a população em tempos de Copa porque não se pensa em outra coisa por estes dias, temos que admitir então que o sexo, as novelas, o carnaval, a praia e o chope com os amigos também seriam o “ópio do povo”. Ou se pensa em política quando fazemos sexo?

Houve um tempo em que uma frase do genial dramaturgo e cronista esportivo, Nelson Rodrigues, possuía forte eficácia simbólica: “A seleção brasileira é a pátria de chuteiras.” A derrota da seleção em 1950 e a conquista do tricampeonato em 1970 foram vistas como derrota e vitória de um projeto de nação brasileira. No entanto, devido à globalização e à consolidação da democracia no país, as vitórias em 1994 e 2002 e a derrota em 1998 não transcenderam o terreno esportivo e foram comemoradas e sofridas como vitórias e derrotas esportivas.

Claro que a Copa do Mundo possui uma estrutura e narrativa que estimula os nacionalismos. O encanto desta competição se encontra justamente no fato de que acreditamos em uma “bobagem”: que as nações estão representadas por 11 jogadores. O futebol não é a nação, mas a crença de que ele o é move as paixões durante um Mundial. Isto não significa que o resultado final afeta as eleições presidenciais no Brasil. As evidências têm, freqüentemente, demonstrado o contrário.

RONALDO HELAL é sociólogo e professor da Faculdade de Comunicação Social da UERJ.





Para sociólogo, neoliberalismo destruiu consciência coletiva

2 05 2009

No último dia do seminário “Desvendar o Brasil”, que aconteceu em São Paulo entre os dias 3 e 5, Giovanni Alves, professor de sociologia da Unesp foi categórico: “temos um processo perverso de desconstrução da consciência coletiva, destruída pelo neoliberalismo”. Ele foi um dos palestrantes que participaram da mesa deste domingo intitulada “As classes sociais no Brasil na atualidade”.Para Alves, “a luta pelo socialismo é também uma luta moral – mas não moralista – porque exige a participação de sujeitos capazes de construir essa nova sociedade”. O professor destacou que é preciso formar adequadamente, para além dos muros da escola, cidadãos críticos e conscientes da necessidade de se mudar estruturalmente a sociedade.

Ligando esta questão à classe trabalhadora, base imprescindível para uma transformação profunda da sociedade, Alves disse que “na vida cotidiana, a máquina do capital tenta desefetivar o proletariado. A grande luta de classes hoje é pela formação de uma consciência de classe entre os trabalhadores”. Só assim, acredita, “será possível construir o socialismo do século 21”.

Partindo do legado marxista, o palestrante tratou das teorias da exploração e do estranhamento. A primeira delas “explica a dinâmica estrutural de produção e acumulação de valor, finalidade intrínseca do sistema de controle sócio-metabólico do capital”. O segundo conceito diz respeito à desefetivação do homem “a partir das relações sociais e práxis histórica constitutiva do trabalho estranhado e da vida social estranhada subjacente à produção do capital”.

A situação criada pelo capitalismo implica, segundo colocou o professor, “numa separação histórica ou alienação primordial que origina o proletariado e que marca o destino de homens e mulheres”. Tal separação histórica ou alienação, explicou, tende a ser reiterada de forma sistêmica no tempo histórico presente resultando, entre outros fatores, na precariedade salarial.

Esse conjunto de aspectos que caracterizam os trabalhadores de todo o mundo, a “condição de proletariedade”, abriu um “campo de possibilidades concretas para a constituição da classe social do proletariado propriamente dita”, explicou Alves. Para ele, mudar os rumos do capitalismo para a construção do socialismo depende de “mediações concretas – com instituições sociais, políticas ou culturais – capazes de produzir um tipo específico de consciência social: a consciência de classe”.

Ainda durante sua apresentação, o professor defendeu que “o PCdoB é um dos maiores e mais importantes partidos comunistas do Ocidente e tem grande responsabilidade e compromisso com essa discussão e com a elaboração teórica renovada”.

Radiografia

Adalberto Moreira Cardoso, professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), procurou radiografar as principais mudanças no perfil social do país desde 1940 até 2000, ano do último Censo do IBGE, como forma de compreender melhor a realidade com a qual a esquerda precisa lidar para a construção de um novo projeto nacional. “O PIB cresceu 22 vezes em 60 anos; porém, o PIB per capita foi multiplicado apenas cinco vezes. Se a população não tivesse crescido, o PIB per capita hoje seria equivalente ao da Espanha”, constatou.

Num período de 50 anos, o país deixou de ser majoritariamente agropecuário – em 1950 o setor era responsável por 25,08% da economia e em 2000 essa participação caiu para 5,6% – enquanto no mesmo período o setor de serviços passou de 49% para 66%. A indústria não sofreu grandes mudanças: saiu de 24,96% para 27,73%, mas teve seu pico entre os anos 70 e 80. Cardoso demonstrou que, apesar de ter havido mudanças, houve também certa inércia na economia brasileira. “Com o fraco desempenho dos anos 80, a indústria – que até então tinha 44% de participação – caiu para praticamente os mesmos índices dos anos 1940 e 1950”.

Tais mudanças transformaram a geografia do país, que passou de agrário para urbano, levando ao inchaço das cidades e ao aumento das carências sociais até hoje não solucionadas. Neste sentido, os salários também sofreram alterações consideráveis. “No período Vargas, o mínimo foi valorizado, depois foi depreciado durante o período militar e hoje, embora tenha havido aumentos sucessivos, equivale ao que era nos anos 1940”, disse o professor. A desvalorização também fez com que em 1950, 80% dos trabalhadores ganhassem o equivalente a 900 reais; em 2000, este índice chegou a 64%. “Esse patamar de renda foi uma barreira que a grande maioria dos brasileiros não foi capaz de romper”, avaliou.

Dessa forma, a grande mobilidade social dos brasileiros está diretamente ligada à mobilidade estrutural, que fez com que grande parte saísse do campo para a cidade. No entanto, explicou o professor, “64% dos que migraram não tiveram melhora de vida”.

Este fato, somado à queda no emprego industrial, à piora nas relações sociais e ao aumento brutal das classes baixas urbanas a partir principalmente dos anos 90, serve para se compor o perfil da massa trabalhadora hoje. “A vida ficou pior para pessoas de escolaridade maior por conta da precarização do trabalho. Isso se aprofundou até meados dos anos 2000, mas tende a ter melhorado desde então”, acredita Cardoso.

Em resumo, o professor salientou que “para a ação política da esquerda é preciso limpar o ambiente dessa noção pré-concebida de se tentar encontrar um proletariado com consciência proletária. Nosso desafio é criar identidade com a classe trabalhadora no cotidiano e dar uma direção a ela”. Para ele, o presidente Lula “é a consciência da classe trabalhadora no poder” e a crise “é uma grande janela de oportunidades para se atrair o trabalhador e despertar nele a compreensão sobre as saídas e alternativas possíveis para a crise”.

Classes sociais

Dando continuidade a tal radiografia, Waldir Quadros, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) procurou aprofundar a análise sobre o desemprego e o perfil das classes sociais no Brasil. Quadros explicou que a baixa classe média é hoje extremamente importante porque representa a maior fatia da população e conseguiu fugir da pobreza, o que aumentou seu potencial de consumo. “A classe C tem sido cada vez mais valorizada pelo comércio e mesmo pelos setores políticos porque é uma faixa da população que cresceu consideravelmente”, disse.

Ponto positivo mostrado pelo professor foi o retrocesso no número de miseráveis. Em 2000, eles eram 22,4% dos desocupados e em 2007, 10%. “Isso se deve ao crescimento econômico, fator que tem um impacto profundo na sociedade. É o crescimento que torna possível equacionar o problema social brasileiro”.

Quadros enfatizou que, como se constatou nos anos 80, “a estagnação é perversa no Brasil”. Ele colocou ainda a necessidade de se ir além e se buscar um planejamento para o desenvolvimento nacional. “O Brasil tem ciclos de crescimento, mas não tem ainda bases para um crescimento continuado, autônomo e significativo, embora hoje haja melhores oportunidades”. Para ele, essa transformação depende de “mudanças mais profundas na condução política do processo”.

O pesquisador reconheceu que tem havido melhoras na área social desde a chegada de Lula ao poder, mas “é preciso atitude de Estado e mudanças na política econômica para que o país não volte a despencar”. E colocou: “o atual governo, seja ou não de esquerda, é visto como de esquerda e se falhar, a esquerda estará em maus lençóis e certamente não terá uma segunda chance”. De acordo com o professor, “a burguesia financeira é o inimigo do momento. Nosso desafio é dar respostas para a sociedade do século 21”.

A mesa, coordenada pela diretora de Formação da Fundação Maurício Grabois, Nereide Saviani, foi encerrada por Neomar de Almeida Filho, reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele procurou esquadrinhar os tipos diferentes de universidade que existiram ao longo do tempo e defendeu uma universidade aberta para o social, como forma de incluir a população no processo de formação e, ao mesmo tempo, transformar a sociedade de maneira crítica na busca por um novo modelo econômico.

De São Paulo,

Priscila Lobregatte





Lévi-Strauss

1 05 2009

Um dos grandes pensadores do século 20, Lévi-Strauss tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.

De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro “Tristes Trópicos” (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.

Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no college de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.

O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de índígenas das Américas do Sul e do Norte.

O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. “Estruturalismo”, diz Lévi-Strauss, “é a procura por harmonias inovadoras”.

Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas lingüísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em “O Pensamento Selvagem”, que a língua é uma razão que tem suas razões – e estas são desconhecidas pelo ser humano.

Lévi-Strauss não vê o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.

Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integra também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.

Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: “Fico emocionado, porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que sempre deveríamos ter presente”. Atualmente, mora em Paris.

Lévi-Strauss, no terceiro tomo das “Mitológicas” – lógica dos mitos – elogia a filosofia moral dos ameríndios, diferente qualitativamente da moral ocidental contemporânea. Nossa filosofia moral desconsidera a relação dos homens com os outros seres vivos e com o mundo numa certa arrogância antropológica, como se fosse possível viver isolado da natureza. Conforme o etnólogo, os ameríndios mostram saber manter melhor a relação equilibrada – nem próximo demais nem afastado demais – com o cosmos, num equilíbrio q se exprime na organização dos ciclos, no cuidado com as estações, na sabedoria de fazer conviver os ritmos fisiológicos com a culinária.

O antropólogo percebe que o Islã funcionou como uma barreira de impedimento do encontro entre o budismo e o cristianismo.

“O budismo é a malha que falta na cadeia de nossa história: é o primeiro nó e o ultimo nó: nó que ao se desfazer desfaz a cadeia. A afirmação do sentido da historia culmina fatalmente em uma negação do sentido: entre a crítica marxista que libera o homem de suas primeiras cadeias e a critica budista que consuma a sua liberação, não há oposição nem contradição.” (Otávio Paz In: ‘Claude Lévi-Strauss ou o novo festim de Esopo’)

O desconhecimento da herança budista no Ocidente ajudou no afundamento deste em seu sonho de poder, tão improvável que pode levá-lo à autodestruição.

O mundo existia antes do homem e continuará existindo. LS tem uma visão desencantada sobre a perspectiva futura. Critico do progresso, o etnólogo foi ao Novo Mundo para descobrir na raiz o que o Velho Mundo está tendo que digerir com melancolia, segundo ele. A idade de ouro não esta na cultura nem na natureza, mas talvez entre elas. Reconta incansavelmente a historia q foi se compondo atravessando os mitos. Nada de novo. O futuro inscreve-se no passado. Este ponto é importante de ser entendido pra perceber como, nas demandas do futuro, deixa-se entrever o arcaísmo mais renitente.

Apesar de a vida humana ser breve antropologicamente, ainda vale lutar e dedicar uma vida contra as danações já possíveis de se precaver, como matar a beleza, prostituir o sentido, extirpar a pureza dos elementos. Mas, pra isso, precisa ter juízo e consciência ampla do todo em que o homem esta inserido.





Único erro da URSS foi reconhecer Israel

21 04 2009

Em entrevista ao jornal cearence O Povo, publicada neste sábado (18), o cientista político Quartim de Moraes faz críticas ao Estado de Israel. Diz que o reconhecimento do Estado judeu foi “o único erro da política externa” da antiga URSS. Tachou de “genocida” a operação na Faixa de Gaza e culpa Israel pela morte de Yasser Arafat.

O cientista político João Quartim de Moraes, 67 anos, professor da Unicamp e doutor pela Fundação Nacional de Ciências Políticas (França), disse que “o único erro da política externa” da antiga União Soviética foi ter reconhecido o Estado de Israel na votação da Assembléia-Geral da ONU, em 1948. “Nós sabemos que aquilo (a votação) foi arrancado. Subornaram paisezinhos, que estavam endividados. Os famosos quatro votos que faltavam”.

Quartim de Moraes classificou de “criminosa”, “genocida” a operação israelense contra a Faixa de Gaza, em janeiro, antes da posse de Barack Obama. Ele esteve em Fortaleza para participar do Seminário Genocídio na Palestina e as Perspectivas de Paz, no último dia 14, na Casa Amarela. O coronel-aviador da reserva Sued Lima, do Observatório das Nacionalidades da UFC, acompanhou o professor na visita ao jornal O Povo.

Como analisa o conflito israelo-palestino nessa nova fase internacional: com Barack Obama na Presidência dos EUA?

Quartim de Moraes – A agressão genocida à Faixa de Gaza foi desencadeada antes de Obama se tornar presidente dos EUA. Quem sabe, isso não é fortuito. Como Israel age em perfeita – tão perfeita quanto possível, porque nada é absoluto – consonância com o governo da Casa Branca e Pentágono, provavelmente teria entendido que era o momento de uma grande e odiosa expedição punitiva. Calcula-se, por baixo, 1.500 mortos, boa parte dos quais crianças e mulheres, um dos piores crimes contra a humanidade perpetrados nos últimos tempos. Com a posse de Obama, ficaria mais difícil. O custo político seria maior. Quanto à operação punitiva, no complexo de fatores que motiva decisão política dessas, o interesse do analista é saber qual o mais importante. A decisão de encarar a cena mundial, num contexto que não poderia fazer isso em silêncio, que a chance de cada corpo estraçalhado aparecer seria grande. Israel, os ativistas dessa guerra de terror. Porque o objetivo não poderia ser outro, além desse. Vamos imaginar o quê? Tomar Gaza, eles já tomaram. Exterminar, também não. O objetivo bélico era aterrorizar. Era mesmo expedição punitiva, para causar grande destruição, e ganhar, entre aspas, sossego por mais alguns meses. Quem sabe, ironicamente, cinicamente, não sei o adjetivo ou o advérbio, o objetivo de fato era continuar ganhando tempo. Você destrói a água, casa: ‘Em vez de eles estarem amolando a gente, vão ter que construir casa, de novo, vão ter que enterrar os mortos deles, vão ter que levar criancinhas na cadeira de roda, vão se ocupando com os danos que nós causamos a eles’.

Mas a pergunta inicial era: como fica o conflito nesse novo quadro internacional, com a ascensão do presidente Obama.

QM – Eu desloquei, porque os israelenses achavam isso: com Obama seria mais difícil. Desencadear a operação logo que Obama tomasse posse iria complicar mais as relações com os EUA. E os princípios que Israel se mantém são esses: há um limite para desobedecer os EUA e esse limite tem que ser visto com muito cuidado, porque sem os EUA aquilo não dura. Estamos diante de um oficial de carreira (dirigindo-se ao coronel-aviador Sued Lima), que conhece bem isso, se eu falar besteira, você me corrige. Manutenção de peça, treinamento. Eles (Israel) são ponta-de-lança, prolongamento dos EUA ali. Eu até me autocritiquei quando disse que Israel era uma base estadunidense no Oriente Médio. É mais do que uma base.É como se fosse mais um estado da federação estadunidense, informal, não é nem um “estado livre e associado” como Porto Rico. Voltando à questão, o único governante estadunidense que teve atitude firme com relação a Israel foi o general Eisenhower, quando em 1956, na Guerra de Suez, com a ocupação de territórios do Egito, Israel quis saber as condições para a retirada, ele respondeu: ‘Como um estado que agride os outros vai impor condições? Tem que se retirar’. Com Obama, eu não creio que será diferente. Ele, de fato, procura marcar diferença em relação ao Bush, mas faz a política que convém à hegemonia estadunidense. Vai continuar isso, de maneira mais concentrada, menos raivosa, mais lúcida, definindo melhor os seus objetivos. Sai do Iraque em um ano e meio, em compensação reforça a posição no Afeganistão.

Um governo palestino mais pragmático, mais laico, não facilitaria as coisas?

QM – Quem matou Arafat, que era laico? Acho que eles querem destruir mesmo. O efeito dessas intervenções de Israel e dos EUA na região é suscitar compromisso ou uma resistência com um interlocutor fundamentalista. No Iraque, destruíram o regime do Baath (partido iraquiano panarabista ao qual pertencia Saddam Hussein). É o fundo do poço no momento em que eles destroem as lideranças, as direções civis. Esse esquema aconteceu desde a intervenção primeira dos talibãs, no tempo dos soviéticos, quando havia ali o poder vermelho. Naquela época, se via garotas nas ruas. Com quem o Reagan se aliou? Com os talibãs. Com os que depois viraram inimigos e são acusados pelos atentados de 11 de setembro de 2001. Bin Laden. Al-Qaeda. Quem financiou essa gente? Os EUA. A CIA. Eu digo em aula: vocês têm grande fonte de documentação: aquele enlatado Rambo 3. Tem que ver numa perspectiva diferente. Os talibãs são apresentados ali como heróis, ‘guerrilheiros da liberdade´, como dizia o Reagan.

Com o novo governo de Israel, mais à direita, como vai ficar o quadro?

QM – Eu desejaria que gente mais equilibrada estivesse ali. Mas, o que vamos esperar desse governo em relação à Gaza? Algo pior do que o outro, do Kadima (partido que formava o governo anterior), fez? Não. Há muito jogo de cena. A diferença é mais em questão interna israelense. Há gente que tem posição pacifista, mas é uma minoria cada vez mais silenciosa. Outros são trapalhões, como esse Amoz Hoz (escritor israelense), que posa de pacifista….

Essa questão dos foguetes lançados pelo Hamas contra Israel não teria dado motivo para a operação na Faixa de Gaza?

QM – Irrita muito, eles dizem: “Estão nos desafiando”. Mas têm (os foguetes) fraquíssimo poder ofensivo. Se eu estou na minha casa e alguém joga uma pedra, não vai matar ninguém, mas eu vou ficar bravo. O problema é a resposta desproporcional. É criminosa, do ponto de vista tudo o que se tentou fazer nos últimos 65 anos, Tribunal de Nuremberg, etc.

Alguns grupos como o Hamas questionam a existência do Estado de Israel. Esse questionamento não prejudica as coisas?

QM – O mesmo argumento de antes: quem matou Arafat? Arafat reconhecia o Estado de Israel. Por que o Sharon atormentou tanto Arafat? Não é dizer que matou, mandou envenenar à maneira florentina, mandou um chocolate envenenado, não. Isolou, impediu socorros médicos, só não matou com um tiro, mas levou o homem à morte. Eles querem negociação, se eles mataram justamente o interlocutor que iria negociar com eles? (…) Eu nado contra a corrente, mas digo que o único erro grave da política externa da União Soviética foi o reconhecimento do Estado de Israel. Nós sabemos que aquilo foi arrancado, subornaram paisezinhos, que estavam endividados. Os famosos quatro votos que faltavam.

Há possibilidade de paz?

QM – Na configuração atual de Israel é muito difícil. Vou traduzir comentário de um sírio radicado em Paris, Majed Mehné, na revista Afrique-Asie, na reportagem intitulada ‘Guerra dos Covardes’, quando a Tzipi Livni foi a Paris durante o massacre (de Gaza) e retomou fraseologia nauseabunda, dizendo que seu exército defendia em Gaza ‘os valores morais do Ocidente´. O Barak, não o Barack Obama, mas o israelense Ehudi Barak, tido como ‘moderado´, sobre o massacre de Gaza, que terminou com 1.500 mortos palestinos, a maioria civis, e dez soldados israelenses, teve o cinismo de dizer: ‘O Tzahal (exército deles) é um exército moral e ético’. O comentário (de Majed Mehné) analisa a base, a origem ideológica do sionismo: os dirigentes israelenses nesse começo do século 21 retomam idéias de Teodor Herzl que, no século 19, dizia: ‘Na Palestina seremos uma parte da muralha da Europa contra a Ásia, seremos a vanguarda da civilização contra a barbárie´.

Veja o que disse a Livni em Paris: ‘Israel defende em Gaza os valores morais do Ocidente?





Carta a minha noiva (karina)

7 03 2009

Karina Garcia Santos Cruz,

048Pensando em fazer uma homenagem a minha mulher que torna a minha vida mais que perfeita e cheia de luz, resolvi fazer uma pesquisa para saber o que um nome de uma pessoa tão maravilhosa esconde.

O nome completo tem a origem grega cristã, sendo uma variação de Catarina e tem vários conceitos que qualifico como dádivas enviadas por deuses. Significa: Pura, graciosa, engraçada e casta.

Você tem muito poder! De forte sensualidade, sabendo usar muito bem. É a mais alegre do grupo social. Está sempre frente de todas as iniciativas, uma excelente confidente. Prestativa e se preocupa como será vista pelos os outros, podendo ser ruim para seu desenvolvimento (Qualidade que eu já tinha falado). Ciumenta, muito possessiva e insegura, não poderia deixar de colocar essas também. Sua tendência é ser feliz na maturidade e muito, mas muito amorosa.

O fato que me chamou mais atenção foi uma possível coincidência com o poder do significado do seu nome e a realidade nossa, do nosso namoro. Ele afirma que pessoas que tem o nome que comece com a letra k têm um enorme poder e quando o AMOR NÃO VEM A ELA, ELA VAI A BUSCA. Não foi isso que aconteceu quando você me ligou e disse?

- Você não acha que devemos conversar não?

A partir daí começou um belo relacionamento bastante diferente do que conhecemos, cheios de diferenças, mas cheio de amor (Também de diferentes formas de amar) e verdadeiro (que bom, ufa!).

Karina, que também pode significar amor é uma palavra que agora passa fazer parte do meu glossário e permitiu perceber momentos que sabia que existia. Ter você dá um outro sentido, um sentido que está além do meu conhecimento. Eis um momento e um sentimento que não posso controlar e nem quero.

Você desperta em mim um interesse muito mais profundo. As nossas brincadeiras e jogos por mais excitantes que sejam ainda me faz pensar em você com tanta loucura, almejando coisas a mais.

Através desta mensagem quero lhe dizer que me entrego a você e aos seus carinhos, às suas vontades deliciosamente imaginando coisas boas para o futuro estando certo que poderemos, sem grandes sacrifícios, ser um casal exemplar. Agora, como no futuro, vejo que podemos ser um modelo para servir de exemplo e prometendo que a felicidade será sua eterna companheira.





Chegou mais um blog de luta

8 06 2008

É tempo de GUERRA

Chamo-me Denis Wesley Tavares Santos, também conhecido como TREME ou ARCANJO REVOLUCIONÁRIO. Sou Militante do PCdoB (Partido Comunista do Brasil) e filiado a UJS (União dos Jovens Socialista), onde faço Ciências Sociais na UFS (Universidade Federal de Sergipe). Sou fruto dos GUERRILHEIROS DO ARAGUAIA e por isso criei esse espaço, para dar continuidade a essa luta, onde muitos morreram, lutaram e cobraram pra poder viver e para mostrar que um outro mundo é possível. Um mundo onde podemos plantar, morar, reformar, reagir, distribuir e educar, dividir, compartilhar, progredir, falar, brigar, comer e voltar a lutar. Sobre este propósitos é que vem ao mundo o Cultura e revolução.

Vem para informar e desconstruir o que está consolidado na mente do “POVO”, e para que em cima dos escombros possamos construir uma consciência crítica e transformadora para sociedade atual. Confirmando assim o interesse da equipe deste blog que é fixar princípios fundamentais na análise históricas das sociedades humanas, com o objetivo de “coordenar” a ação do PROLETÁRIADO contra a exploração capitalista.

Sou um homem apaixonado por tudo que faço e “não nego a necessidade objetiva do estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental. Por que então ela termina por impor sua própria força às relações entre os homens”. Então “Se você treme de indignação perante a uma injustiça cometida a qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, então somos companheiros”, “Mas sejam quais forem as circunstâncias da minha morte, morrerei com fé inabalável no futuro comunista da humanidade. Esta fé no homem e no futuro me dá, mesmo agora, uma força que religião nenhuma me poderia dar.”

Este espaço é destinado a todos que como eu querem um mundo justo e um país independente e a emancipação das classes oprimidas. “Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus projetos. Que as classes dirigentes tremam à idéia de uma revolução comunista! Os proletários não têm nada a perder a não ser suas correntes. Têm um mundo a ganhar. PROLETÁRIO DE TODO O MUNDO UNÍ-VOS!”